A luta e resistência de Alípio de Freitas

No dia 18 de fevereiro, uma grande celebração marcou o lançamento do livro “Resistir é Preciso”, de Alípio de Freitas, em Lisboa, Portugal. Durante a celebração o combativo escritor português, membro do conselho editorial de AND, foi homenageado pelos seus 88 anos de luta e resistência que se completaram no dia 17 de fevereiro.

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Alípio de Freitas discursa em evento em sua homenagem

 

O evento contou com a presença de companheiros de luta de Portugal e outras partes da Europa, além de uma delegação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e do Movimento Feminino Popular (MFP) do Brasil. 

A delegação da LCP homenageou Alípio de Freitas com um convite a assumir a presidência de honra da Liga, o que foi aceito com muita satisfação pelo veterano combatente internacionalista.

Português de nascença, tornou-se brasileiro, acolhido pelo povo maranhense desde sua chegada ao nosso país em 1958, quando ainda era o “padre” Alípio.

Em 1962 participa do Congresso Mundial da Paz, em Moscou, período em que rompeu definitivamente com a igreja e ingressa definitivamente nas Ligas Camponesas. Foi secretário de organização das Ligas, ocupando essa função até 1964 e responsável pela sua Organização Política, com o objetivo de formar quadros ideológico-políticos marxistas-leninistas. Além dessa importante tarefa, Alípio foi editor do jornal das Ligas Camponesas, A Liga.

Com o golpe militar-fascista de 1º de abril de 1964, passa a viver na clandestinidade. Vai para Cuba, onde junto a outros companheiros planeja o reingresso ao Brasil para o prosseguimento da luta revolucionária. É preso em 1970 no Rio de Janeiro, e passa quase 10 anos encarcerado. Resistiu com bravura às mais atrozes torturas.

No início dos anos de 1980, participou em projetos de cooperativas agrícolas em Moçambique, àquela época sob a direção revolucionária da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique).

Em 1984, devido às contradições com as posições de grande parte daqueles que retornaram ao país com a Anistia renegando o prosseguimento da luta revolucionária, Alípio regressou a Portugal, voltou a lecionar em uma Universidade daquele país e retomou sua militância nos movimentos populares de Portugal e do Brasil.

É membro e fundador de duas associações luso-brasileiras: a Casa do Brasil de Lisboa e a Casa Grande. É membro e fundador da Associação José Afonso. É membro do TMI  (Tribunal Mundial do Iraque) que denuncia em várias capitais europeias os crimes cometidos pelos ianques e seus sequazes contra o povo iraquiano. Faz também parte de duas associações em defesa do povo palestino, além da ativa participação na Associação Abril, organização que procura manter vivos os ideais da revolução do 25 de abril de 1974 em Portugal. Também organizou a Associação Cultural Lisboa, com o objetivo de formar uma rede da cultura popular portuguesa.

Participou, em abril de 2010, de uma histórica reunião ampliada da Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres, em Goiânia (GO), que reuniu diferentes gerações do movimento camponês combativo, ocasião em que foi homenageado juntamente com Clodomir de Morais, Elio Cabral, Walter Valadares e Dirce Machado. Nesta importante reunião que se estendeu por dois dias, membros das coordenações regionais e convidados debateram a situação política nacional e internacional, a questão agrária e a aplicação do programa agrário revolucionário para uma transformação radical do campo.

Também em 2010, Alípio de Freitas ingressou no Conselho Editorial de AND e tomou parte no II Seminário da redação do  jornal A Nova Democracia, no Rio de Janeiro. Na ocasião, todos os presentes puderam aprender muito com as experiências de Alípio como jornalista e militante revolucionário. Desde então, o combativo intelectual português tem prestado valorosas contribuições à Imprensa Popular e Democrática, sempre com apontamentos profundos. Desde Portugal, em correspondência com a direção do jornal, enviou artigos próprios, de outros jornalistas e órgãos de imprensa, mantendo-nos a par dos acontecimentos na Europa e em outras partes do mundo. Alípio recebe quinzenalmente os exemplares de AND e sua leitura é compartilhada com companheiros de trabalho e luta em Portugal.