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| O desemprego na Bolívia - Aproximação ao debate conceitual de desemprego |
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| Pablo Saba Calero - Correspondente em La Paz | |||
Nos chamados países industrializados se diz que há três modelos a seguir: 1O da flexibilidade do trabalho até a morte, seguido pelo Reino Unido e Estados Unidos (o segundo dos mencionados somente dedica 0,4% de seu PIB a políticas tendentes a subsidiar o desemprego); 2 Países que exercem uma flexibilidade de trabalho moderada, como França, Alemanha e Itália, que preferem um sistema dual de proteção ao emprego permanente de antigos empregados, tanto que permitem que os empregados mais jovens sejam registrados em trabalhos com contrato temporário (o emprego nestes países alcança até 10% como na Alemanha) e 3 Países como a Dinamarca que tem optado por flexibilizar seu mercado de trabalho, mas incrementando a proteção social, ou seja, mudando as alternativas de subsídio de desemprego, e também incentivos à promoção de emprego, dedicando a estas políticas públicas 4% a 5% de seu PIB1. Desempregados ou mil ofícios?Na Bolívia, por não existir nenhum subsídio de desemprego e pelas políticas públicas paliativas dependerem do financiamento internacional, a grande parte de desempregados se vêem obrigados a não prolongar por muito tempo a inatividade, buscando o sustento diário através das maneiras mais diversas e inventivas, como é o caso de Marcelino, que oferece a sua força de trabalho seja como pedreiro ou padeiro:
Por ser pai de cinco filhos, suas opções para desviar ou entrar em crises existenciais não tem cabimento: "Como estou lhe dizendo, tenho que buscar um meio para me manter, podendo ser de qualquer coisa, limpar o chão, seja o que for, mas manter os meus filhos e edificar uma fonte de trabalho". Inclusive não importando a jornada de trabalho que seja oferecida:
As estatísticas do desemprego
Segundo informes do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Trabalho e Agrário CEDLA2, mais de 360 mil pessoas, aproximadamente 13,9%, é a população que conforma o batalhão de desempregados na Bolívia (CEDLA, 2004: 8). O dado revela um drama, na medida em que este enorme número de pessoas, na realidade, não só não pôde ser absorvido como força de trabalho pela "economia formal", muito menos ainda pela chamada "economia informal", ou seja, como trabalhador por "conta própria" ou como "assalariado" deste último setor. O Plane e o Propais
O Plano Nacional de Emprego de Emergência — Plane —é um programa que o estado boliviano vem executando como política pública de contenção do alarmante 13,9% de desemprego aberto na Bolívia, tendo em conta que a maior parte dos que estão empregados fazem parte da "economia informal". Esta realização data desde 2001 no governo de Jorge Quiroga Ramírez, continuada por Sánchez de Lozada, que em seu único ano de governo foi mais a promoção que o impacto do "Plano de Obras com Empregos", sendo continuado o Plane por Carlos Mesa, que em suas medidas de fevereiro deste ano criou um fundo de administração do Plane chamado Propais.
Em nenhum momento, a percepção do Plane é vista como uma solução duradoura, menos permanente, aos mais de 360 mil bolivianos desempregados. Pelo contrário, o curto passo de contratação que é de 2 a 3 meses, assim como o paupérrimo"salário", contribui para destruir pouco a pouco, e desesperar ainda mais os beneficiários:
Havendo plena consciência de que é uma saída somente temporária, devido a suas condições de existência precárias, que não lhe permitem outra que aceitá-la, e sempre até que seja eleito entre os milhares de postulantes ao programa:
O que Marcelino chama de DUC, não é outra coisa que o DUF — Direção Única de Fundos—, que é a entidade burocrática que o governo de Mesa criou para otimizar o manejo de recursos econômicos e humanos do Plane, em outras palavras o órgão operativo de seu sistema Propaís, criado em fevereiro último. Bibliografia 1 Gago, Verónica — 2004 El no empleo. En www.rebelion.org/noticia.php 2 CEDLA — "360 mil pessoas desempregadas na Bolívia até o momento no ano de 2004". Na revista Alerta Laboral nº34. La Paz, Maio de 2004. P.8. 3 Lora, Miguel — 2004 Observan el manejo de la plata antipobreza. No bissemanário El Juguete Rabioso n° 112. La Paz, de 5 a 18 de setembro. Touraine, Alain—1995 Crítica da Modernidade. Buenos Aires: Fundo de cultura Eonômica. *Todos os depoimentos desta matéria foram fornecidos por Marcelino, 46 anos, em setembro de 2004
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Mao Tse Tung |
| Nº 86, fevereiro de 2012 |
| Edición en español |