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| O humanismo burguês e Gorki |
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Máximo Gorki dispensa apresentações. Nesses artigos, escritos no início dos anos 30 e publicados em jornais Soviéticos, ele responde a cartas de seus leitores e defende a construção do socialismo na Uni ão Soviética. A indignação contra as injustiças e sua consciência proletária, já bastante presentes nos romances de Gorki, aparece aqui de uma forma mais crua e contundente. O livro Em guarda!, pouco conhecido, foi publicado no Brasil em 1934 pela Adersen Editores e conta com 21 artigos, incluindo estes dois ora apresentados por AND.
Aos humanistasA União Internacional de Escritores Democratas, na pessoa do seu Secretário Geral, M. Lucien Quinet, honrou-me com um convite para colaboração no órgão literário da União. A sua finalidade consiste em "reunir os literatos democratas". Na presidência, Romain Rolland e Upton Sinclair, que me merecem grande estima; mas, ao seu lado figura o professor Albert Einstein, e no comité o escritor Enrique Mann. Esses dois últimos, com outros muitos humanistas, firmaram recentemente um protesto na Liga de Defesa dos Direitos do Homem contra a execução de 48 criminosos, organizadores da escassez alimentícia na U.R.S.S.. Estou absolutamente convencido de que, entre os direitos do homem, não se encontram o do crime, e sobretudo, o crime perpetrado contra o povo trabalhador. A incrível infâmia das manobras dos 48 é-me perfeitamente conhecida. Sei que cometeram um crime muito mais abominável e sórdido do que os dos patrões dos açougues de Chicago, descrito por Upton Sinclair no seu livro La Jungle. Os organizadores da escassez alimentícia suscitaram a cólera justíssima do povo trabalhador contra o qual era dirigido o seu odioso complô, e foram executados por pedido unânime dos operários. Penso que essa execução foi perfeitamente merecida. Foi a justiça aplicada pelo povo que, vivendo penosas condições e privando-se de tudo para economizar suas forças, dedica-se valorosamente a constituir um Estado proletário livre de rapinantes e parasitas, como o desses homens cujo humanismo serve para encobrir a rapacidade e o parasitismo. É evidente que o meu ponto de vista sobre a execução dos 48 difere sensivelmente do manifestado pela Liga de Defesa dos Direitos do Homem; e como os senhores A. Einstein e E. Mann apóiam o ponto de vista da Liga, só posso dizer que é impossível, por minha parte, uma ‘aproximação’ com eles, e nego-me, portanto, a colaborar no órgão da União Internacional dos Escritores Democratas. Nestes últimos anos, têm-me pedido várias vezes para tomar parte nos orgãos democratas "humanistas". Não acedi a nenhum desses convites, e quero ver se corrijo essa monha falta de gentileza. Dirijo minha resposta a R. Rolland, U. Sinclair, B. Shaw, H. G. Wells, cujo nomes se mencionam na carta de Lucien Quinet e cuja opinião me é indiferente. Parece-me que a eles devo explicar minha atitude para os intelectuais que tem o humanismo por profissão. Depois e 9 de Janeiro de 1905, os senhores humanistas da Europa, indignados com o assassínio em massa dos operários nas ruas de Petersburgo, deram a Nicolau Romanov o titulo de "Sanguinário", titulo perfeitamente merecido, mesmo antes de ter cometido esse crime. Mas não protestaram contra os banquetes oferecido pela França que além disso reinstaurou as finanças do Czar sanguinário, ajudando-o a exterminar por meio da forca, do presídio, do cárcere, vários milhares de russos de valor. Não faltou tempo para esse protesto, porque o terror do Czar durou três anos. Em 1910, Guilhermo Ostwald, Ricardo de Miles, Orán Eden, Upton Sinclair e eu, tomamos parte na organização dos intelectuais internacionais. Essa organização tomava também o encargo de "relacionar" os humanistas da Europa. Em 1914, Guilhermo Ostwald, Ricardo de Miles foram os primeiros em seus nomes sob o sanguinário manifesto contra a Grã Bretanha. No mesmo ano, uma parte considerável dos escritores e sábios russos — todos humanitários! — deram a publicidade um malvado papel cheio de injúrias contra os alemães, mas não contra o próprio fato da guerra. Aquele "papel" procedia precisamente dos intelectuais que hoje, instalados em Berlim e Paris, combatem estupidamente o poder operário-camponês da União dos Soviets, envenenando com indignas mentiras os cérebros dos humanistas europeus; dos que pregam a idéia da intervenção militar na U.R.S.S., isto é, que se esforçam na tarefa de inspirar a necessidade de uma nova guerra mundial. Por certo, os que tão ardentemente haviam protestado contra as "atrocidades" alemãs, veriam com agrado essas mesmas "atrocidades" alemãs ou de qualquer outro país contra a Rússia. Interessa-me explicar que jamais subscrevi protestos contra as atrocidades alemãs ou de qualquer outra espécie. Sei que a guerra é um foco de atrocidades e que os seres que nada têm com os seus fins exterminam-se num instinto de legítima defesa. Sei que as guerras são desencadeadas pelos capitalistas para instaurar uma ordem de coisas convertida em atrocidades, com o propósito da riqueza individial. "A infortunada Universidade de Kazan" ampliou-se notavelmente nestes últimos anos, organizando uma espécie de institutos especiais para o estudo do tracoma e da tuberculose; este ano enriqueceu com o instituto de anatomia. Os jornais dos emigrados descobriram mais de uma vez os embuste do Rul. Por exemplo, o jornal de Milinkov, editado em Paris, demonstrou que as "Cartas de um velho comandante" eram feitas — aliás, muito mal — no comitê da redação do Rul. Todos esse fatos não são mais do que montículos de pó, mas quando se amontoam formam uma poeirada e os que desejam sinceramente conhecer a verdade sobre a vida da União dos Soviets se vêem obrigados a olhar através da poeira. Mas não é essa a questão. Trata-se principalmente da massa dos operários da Europa e da América. Com essa poeirada de calúnias e mentiras, intenta-se, sobretudo, cegar os operários. As lendas sobre o "trabalho forçado" foram inventadas não só com o objetivo de boicotar economicamente a União dos Soviets, como também para tentar comprometer aos olhos dos operários a edificação socialista no nosso país. Prepara-se gradualmente o proletariado para a participação em uma nova matança. Em 1914 os social-democratas os empurraram para esse açougue. Em 1918 os "socialistas" metralharam os operários nas ruas de Berlim. Isso é que não se deve esquecer. Ultimamente ouvi num gramofome um coro de negros. Recolhi essa frase: "Vamos outra vez guerrear em certa parte." "Mas como da vez passada, não sabemos porque." Se os proletários da Europa e da América não querem ver o extermínio de dezenas de de milhões de irmãos, devem indagar firmemente para onde e para que os levam — devem saber a quem tem de seguir!
Calúnia e hipocrisia
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Peru - do império dos incas ao império da cocaínade Rosana BondNos anos 80, Rosana Bond foi a primeira jornalista da América a entrevistar os guerrilheiros do Partido Comunista do Peru, também chamado de Sendero Luminoso. Nesse livro ela revela que o PCP continua sendo uma das maiores dores de cabeça da CIA e do USA. 179 páginas. R$ 20,00 + postagem* |
| Nº 86, fevereiro de 2012 |
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