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| Rondônia - Ao Norte, camponeses se rebelam |
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| Márcio Martins | |||
Julho foi o mês de intensas mobilizações das massas camponeses na região norte do País, em especial no Estado de Rondônia, onde os conflitos agrários dos últimos meses se intensificaram. A inexistência de uma política agrária comprova a falácia da gerência FMI/PT e demonstra cada vez mais que só a revolução agrária pode resolver os problemas no campo.
Da mesma forma o acampamento Cafezal, em Ariquemes, vinculado à Liga dos Camponeses Pobres, sofreu no mês de junho inúmeros ataques do latifúndio. Segundo a nota da Liga em Rondônia, "Denunciam os acampados que pistoleiros contratado pelo sr. Jaime Giacomelli estão transitando na área do acampamento e ameaçando as famílias que se encontram no local. Se gabam os pistoleiros que aquele pouco de pessoas que estão no local nem precisa de policiais pra retirá-los porque caso não saiam por bem sairão por mal, na bala". Também em Porto Velho, camponeses das áreas Joana D'Arc II e III bloquearam na manhã do dia 19 de julho, trecho da BR 319 (saída para Manaus), nas proximidades da balsa sobre o Rio Madeira. Abandonados à própria sorte, sem estradas e energia elétrica, reivindicavam melhorias para área educacional, regularização fundiária e implantação de energia elétrica. O oportunismo do deputado federal Eduardo Valverde (PT) foi rechaçado pela massa camponesa, que não mais aceitava as desculpas pelo descaso naquela região. Em Jacinópolis (ver AND 34), município de Nova Mamoré, a situação não é diferente. Os camponeses, há meses, sofrem os ataques do latifúndio e de seu fiel lacaio Estado policial. Em nota divulgada à imprensa a Liga dos Camponeses Pobres denunciou mais uma investida do aparato policial na região na mesma data em que os camponeses ali realizavam um protesto na BR 364, sentido Rondônia-Acre. Pobres respondemNo acampamento Flor do Amazonas as famílias, durante semanas aguardaram uma apuração da polícia federal sobre acusações de ataques criminosos que jamais aconteceram. O INCRA, através de sua Procuradora em Rondônia, Srª Aparecida Martins, afirmou "A terra da fazenda Urupá é pública", constatação que os camponeses conhecem há anos, quando denunciam ter sido a terra grilada por uma madeireira. Cansados de esperar, os camponeses voltaram à área, organizando comissões de defesa e, através de mutirão, constroem suas casas para continuar produzindo para suas famílias. AND acompanhou as ações dos camponeses de Jacinópolis, que bloquearam durante quase 48 horas a rodovia BR 364, único acesso terrestre para o Acre, na localidade de Jaci-Paraná, distante cerca de 80 km da capital de Rondônia. Sobre a ponte do Rio Jacy, faixas, pneus e pedras denunciavam as ações criminosas de que são vítimas os camponeses. Também são ameaçados de despejo em virtude de uma liminar da Justiça Federal que prevê a retirada de mais de 30 mil famílias distribuídas entre Jacinópolis, Nova Dimensão e União Bandeirantes. Dona Ana da Silva, 49 anos, foi uma das primeiras a chegar para o bloqueio da rodovia, que começou às 4 horas da manhã do dia 23 de julho. — Capixaba, ela veio para Rondônia aos 15 anos, já que em sua terra natal a família dela foi expulsa por latifundiários. Dirigiram-se inicialmente a Cacoal, depois, à Alvorada D'Oeste, na região central do Estado, sempre trabalhando na terra dos outros. Há 4 anos mora em Jacinópolis onde, através da Liga dos Camponeses Pobres, conseguiu sua própria terra para produzir, após 34 anos em Rondônia. Histórias como a de dona Ana são encontradas entre os despossuídos da terra — os que, em virtude de uma simples decisão judicial, perdem o pouco que conseguiram durante anos de migração errante. O latifúndio é que será despejado do Brasil
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| Nº 86, fevereiro de 2012 |
| Edición en español |