Assembléia realizada um dia após a ação policial contra os estudantes
O Movimento dos Estudantes e Professores da Fundação Santo André,
instituição universitária localizada em Santo André, na Grande São
Paulo, denunciou que o "reitor" Odair Bermelho é o responsável direto
pela entrada da polícia militar no campus universitário na madrugada do
dia 14 de setembro de 2007. O prédio fora ocupado na noite de 13 de
setembro pela comunidade universitária, em protesto contra o aumento
abusivo de mensalidades, além de forte suspeita de corrupção e má
administração, incluindo a prática do compadrismo.
A invasão
do campus universitário pela Força Tática da PM e a expulsão violenta
dos estudantes que haviam ocupado a Reitoria é o momento mais crítico
de um longo processo. O ano de 2007 tinha se iniciado, após um concurso
vestibular mal divulgado, com turmas fechadas e com pulverização da
Faculdade de Filosofia — FAFIL, por diversos prédios do Centro
Universitário. Além disso, transferiu-se a Secretaria de Alunos da
FAFIL para o prédio do Colégio, por suposta reforma que, até agora, não
se iniciou. Se não bastassem esses problemas, atrasou-se a atribuição
de aulas aos professores, em função de estranha sistemática, implantada
pela Pro-Reitoria de Graduação (Prograd).
Em consequência,
parte do ano letivo foi perdido por grande número de alunos. O Prograd
contratou, então, professores a título precário para ministrar
palestras, o que implicou em precarização do ensino. Assim, num momento
dramático para a Instituição, professores prefeririam manifestar-se
através dos órgãos colegiados e alunos através de ocupações.
Em
meio a tal situação, a Reitoria enviou à FAFIL o Ofício FSA nº 318/ 07,
de 06/09/07, com a intenção de cooptar os coordenadores de curso para a
proposta de aumento das mensalidades, devido a um suposto déficit da
Instituição. Não houve tempo hábil para discussões, até porque,
calculadamente, as informações não circularam. Tal como aos
professores, a proposta chegou, também, ao conhecimento dos estudantes,
por intermédio das reuniões dos colegiados de curso e do Conselho da
FAFIL.
Por tratar-se de novas mensalidades para os
ingressantes em 2008, os alunos realizaram, em 13 de setembro, uma
assembléia. Foi quando decidiram, em protesto contra tais aumentos e
outros desmandos, ocupar pacificamente a Reitoria. Às 20 horas desse
mesmo dia, o prédio seria tomado. De fato, se os aumentos propostos
para os ingressantes de 2008 se efetivassem, inviabilizariam a
continuidade dos cursos e, assim, da própria FAFIL. Era preciso agir
rápido e de forma efetiva.
Não houve "arrombamento de portas,
portões, janelas, gavetas e arquivos, bem como, utilização de móveis e
equipamentos como barricadas", tal como, infundadamente, diz o
documento intitulado Informações sobre a invasão da Reitoria. A
desinformação faz parte da tática fascista posta em prática pelo Reitor
e seus esbirros. Houve danos, mas causados pela invasão policial.
Os
representantes da Reitoria esperaram a calada da noite, quando o Centro
Universitário já estava praticamente vazio, para tentar iniciar as
conversações. Demonstrando incompetência profissional, no trato com
situações de crise, não conseguiram dialogar com os estudantes. No dia
seguinte, 14 de setembro, professores viram Daniel Avelino C. O. Cruz,
juntamente com outras pessoas, uma delas identificada como o
"motorista" particular do "Reitor", retirarem inúmeras caixas de
documentos do prédio da Reitoria. Os suspeitos as transportavam para
carros particulares.
Essa movimentação de caixas era acompanhada
pelo Pró-Reitor de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão, conhecido por
Paulo Stella. Ao perceber que era observado, o "motorista" deixou a
caixa que carregava no chão e foi até às janelas, para intimidar,
grosseiramente, os professores que observavam a movimentação do bando.
O
Prof. Luiz Afonso Vaz de Figueiredo, chegando à Fundação Santo André,
às 17:00 horas, viu que Pablo José Assolini, tido como assessor de
comunicação, acompanhado de um assessor do Propex (vulgo Samuel), saía
rapidamente com caixas de arquivos, provavelmente de documentos,
acompanhado por duas funcionárias, colocando-as em seu próprio carro.
Ao surpreender a movimentação do bando e temendo por sua vida o Prof.
Afonso Vaz cumprimentou-os, disfarçadamente, mas os suspeitos
retornaram olhares intimidatórios.
Ainda em 14 de setembro,
estudantes e professores realizaram, separadamente, assembléias para
debater os acontecimentos da véspera. Os estudantes, não havendo outra
alternativa, decretariam greve, e os professores, além de uma moção de
repúdio, decidiriam pela paralisação. E assim permanecem até o momento.
A reivindicação principal é o impedimento de Odair Bermelho,
hoje, de fato, um usurpador do cargo de Reitor. Ao mesmo tempo, em
sessões realizadas a 20 e 24 de setembro, a Câmara Municipal de Santo
André decidiu instaurar uma Comissão de Assuntos Relevantes, a fim de
investigar atos da atual Reitoria, bem como indicar ao prefeito João
Avamileno e aos membros do Conselho Diretor da Fundação Santo André a
necessidade de expulsão desse elemento da direção da Instituição.
Nessa
mesma data, num clima de desespero diante da pressão da comunidade
universitária e da sociedade, realizou-se uma reunião da Câmara
Assessora da Proap. Seria apresentada nova proposta de aumento de
mensalidades, mas sensivelmente inferior à anterior, embora ainda muito
elevado. Mais uma vez, demonstrando a pressa e o pânico, não se
indicava quaisquer parâmetros. A nova Tabela de Mensalidades foi
enviada por e-mail, publicada no sítio da FSA e no jornal Diário do
Grande ABC, sem passar por aprovação do Conselho Diretor ou de qualquer
outra instância do Centro Universitário. Nem os membros do Conselho
Diretor tiveram acesso aos livros contábeis. Isso demonstra que sem a
demissão daqueles que provocaram a crise e de seus esbirros, a solução
ficará difícil, senão impossível.
|