A Nova Democracia

inicio Nº 47 O povo clama por justiça; governo e oposição negociam
O povo clama por justiça; governo e oposição negociam PDF Imprimir E-mail
Centro de Estudos Populares   
http://www.anovademocracia.com.br/47/14a.jpg
Manifestação pró Evo Morales em La Paz

A radicalização da burguesia compradora e dos latifundiários nos departamentos da autodenominada Meia  Lua — Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando —  começou com a tomada violenta de instituições estatais. Por sua vez, o governo convocou a população e fundamentalmente aos grupos corporativos que consegue manejar para defender a democracia contra o "golpe de Estado cívico-prefeitural" (como o governo denominou as medidas tomada pela Meia Lua) produzindo-se enfrentamentos entre adeptos do MAS e grupos de choque das prefeituras e comitês cívicos, até desembocar no massacre de camponeses no departamento de Pando, cometido por sicarios que obedecem as ordens do poder gamonal-latifundiário desse departamento. Este fato serviu para o governo retomar a iniciativa e conseguir o respaldo internacional e instaurar o Estado de sítio no mencionado departamento.

Apesar de ainda não haver dados finais relativos à quantidade de mortos no massacre, segundo fontes oficiais, o número está entre 10 e 14 mortos. Também não se tem o número exato de desaparecidos; algumas fontes falam em 50, outras em 100 desaparecidos. É claro que em Porvenir se realizou um massacre contra os camponeses e não um enfrentamento como querem fazer crer os apaniguados dos latifundiários. Governo e oposição se lançaram em uma campanha de acusações, na qual, finalmente, relegam o papel das massas neste conflito. As mesmas massas que suportam a opressão dos grandes latifundiários.

A conjuntura mostra que o problema da terra não foi resolvido, e se estende por todo o país. Há dois meses o governo declarou Pando um "territorio livre do latifundio", mas a realidade mostra que em Pando sobrevive a semifeudalidade, expressa no poder gamonal à base da propriedade da terra e da servidão a que estão submetidas as massas camponesas. Não é por acaso que deram o nome de "Cacique" a Leopoldo Fernández, que até pouco tempo era prefeito (governador) deste departamento e agora está detido na prisão de São Pedro, em La Paz. Ele é um dos donos de grandes extensões de terras e está acostumado a manejar a política departamental como seu feudo, submetendo aos que se opuserem. Esta é mais uma manifestação do poder gamonal neste departamento.

Em Pando, há famílias que ostentam o poder pela possessão de grandes extensões de terra (famílias como: Sonneschein, Hecker, Becerra Roca, Vaca Roca, Vargas Rivera, Peñaranda, Barbery Paz, Claure e Villavicencio Amuruz, que concentram a maior quantidade de terras. Elas oscilam entre 12.782 e 290.197 de hectares [Dados do INRA publicados no jornal La Razón, 21 de setembro de 2008, Págs. A16] e desta forma administram as instituições estatais e regionais. Ao lado do poder gamonal, existem relações de servidão com as comunidades que vivem dentro das terras dos latifundiários e que estão submetidas ao trabalho gratuito ou outras formas de prestação que incluem o pagamento de diárias. Estas são características claras da semifeudalidade, que enquanto não forem eliminadas por completo, o problema da terra não será resolvido e as disputas e abusos por parte dos latifundiários (empresários exportadores de castanha, principalmente) sobre os camponeses será contínua, independente da distribuição de terra que o governo propor. A única forma de eliminar a semifeudalidade, a servidão e o poder gamonal-latifundiário é mediante uma transformação radical da sociedade atual, algo que o governo reformista do MAS não busca fazer.

A negociação

O governo soube capitalizar o massacre em Cobija, aparecendo como vítima ante a opinião pública nacional e internacional, conseguindo colocar os representantes do poder gamonal-latifundiário e da burguesia compradora, os prefeitos da Meia Lua — a mesa de negociações, onde o governo busca impor a aprovação de seu projeto de constituição política, reflexo do programa da burguesia burocrática.

A investigação e o julgamento pelos crimes ocorridos em Pando está nas mãos do poder judiciário, organismo que padece da secular enfermidade da corrupção, nepotismo, tráfico de influência e todos os males que possamos imaginar. Enquanto os familiares das vítimas e a população em geral vem realizando várias marchas exigindo justiça, o poder judiciário se embaraça em mesquinharias jurídicas, que servem apenas para estender o processo.

Duvidamos seriamente que a justiça deste ou de outro governo possa dar solução a estes fatos. Apenas em um verdadeiro governo popular, onde o povo possua o controle do Estado, é que haverá uma justiça popular.

Share/Save/Bookmark
 


CONHEÇA NOSSOS LIVROS

Nova consciência – século XXI

De Rui Nogueira

Este é um livro questionador. Descerra a cortina sobre o comércio internacional. Interroga o sistema eonômico concentrador de privilégios. Desmistifica a “dominação” da natureza. Prega uma revolução com a arma da idéia.

R$ 35,00 + postagem*

jeremias-blog

AND agora tem conteúdo exclusivo para assinantes

Digite nome de usuário e senha para ter acesso a todos os artigos



blog


visitantes : 9446556