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| Velho Estado sem rosto prende sem julgar, tortura e assassina impunemente |
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Latifundiários, Luiz Inácio e Ana Júlia Carepa, gerentes de turno do velho Estado, bandos de pistoleiros e para-militares desencadeiam campanhas de perseguição e aniquilamento de camponeses e lideranças em várias regiões do país. Tudo justificado descaradamente pelo monopólio dos meios de comunicação. A regra geral é aterrorizar as massas e não deixar lideranças vivas, eliminado-as como criminosos comuns e impunemente. As massas camponesas lutam e avançam, desafiando a ordem secular do latifúndio, empreendendo novas tomadas e reconquistando a terra para quem nela vive e trabalha.Rio Crespo – ROOs camponeses do acampamento Terra Boa retomaram, no início do mês de novembro, as terras da linha C-100, do município Rio Crespo, distante cerca de 150 km da capital Porto Velho. No dia 4 desse mesmo mês, vários pistoleiros foram mandados em várias caminhonetes pelos fazendeiros que se dizem donos da área. Monte Santo – BAEmboscada e matança No dia 15 de outubro, três camponeses foram assassinados em Monte Santo, Bahia, quando se dirigiam a pé da Fazenda Capivara em direção ao assentamento Santa Luzia da Bela Vista onde acontecia uma reunião com o INCRA. RondôniaA saga de GerolinoNos dias 22 e 23 de agosto, o camponês Gerolino Nogueira de Souza, 56 anos, despedia-se otimista de seus companheiros após o vitorioso 5º Congresso da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia. Em junho ele tinha sido ilegalmente preso em União Bandeirantes pela PM e levado para o presídio Urso Branco, em Porto Velho. Animado com as perspectivas de avanço da Revolução Agrária, o camponês retornou para sua área, quando recomeçam as perseguições num verdadeiro calvário de sofrimentos, desrespeito, injustiças, prisões e desaparecimentos. Finalmente, em novembro, seus companheiros da Liga dos Camponeses Pobres e apoiadores da luta camponesa o localizaram, livrando-o da absurda condição de cárcere privado que se achava submetido pela funcionária do INCRA de Rondônia, Márcia Pereira e por agentes da Polícia Federal. No dia 9 de setembro Gerolino foi preso no distrito de União Bandeirantes, durante operação ilegal da Polícia Ambiental em conjunto com pistoleiros que usavam fardas e policiais militares de Jaci-Paraná, União Bandeirantes e Mutúm-Paraná. Nessa ação, 30 soldados fortemente armados atacaram as famílias do acampamento Nova Conquista. Na ocasião o comandante da operação, major Josenildo Jacinto Nascimento, levou os camponeses detidos para a sede da fazenda Mutúm, onde foram submetidos a torturas. [Ver AND nº 47, outubro de 2008 — Criminalização, tortura, prisão e assassinatos de camponeses na Amazônia] Segundo ato: na masmorra feudal Gerolino foi enviado mais uma vez para o presídio Urso Branco junto com outros nove camponeses, dentre os quais 3 mulheres, sem terem formalizada qualquer acusação. Após ter sido mantido preso no Hospital João Paulo II acorrentado numa cadeira por sete dias e depois mais 37 dias no presídio Urso Branco, no dia 26 de setembro a juíza Sandra A. Silvestre Frias Torres concedeu um alvará de soltura a Gerolino. Porém, ele só foi libertado de fato no dia 23 de outubro. Segundo denúncia da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental, desde o dia 23 de outubro quando teria deixado o presídio, o camponês Gerolino Nogueira de Souza ficou desaparecido, embora advogados, seus companheiros da LCP e apoiadores tenham batido em todas as portas das autoridades no estado. Somente mais tarde se descobriu seu paradeiro. Na verdade, ele fora mantido todo esse tempo em cárcere privado pela Polícia Federal, com a cumplicidade da ouvidora agrária no estado. A LCP protestou em nota: "Toda esta ação é uma das mais escandalosas que já ocorreram em Rondônia. Despejo e prisões sem mandados judiciais, violência e tortura da polícia contra os camponeses, prisão de réus primários e sem julgamento no Presídio Urso Branco, cárcere privado. Mas esta prática é regra e de modo nenhum exceção em relação aos pobres em Rondônia. Basta vermos a situação do presídio Urso Branco, com superlotação, casos e mais casos de torturas, prisões sem julgamento nem acompanhamento jurídico, presos que já deviam estar em liberdade. Situação gravíssima que pode explodir a qualquer momento. De certo não o último, tampouco um dos últimos atos:AND recebeu no último 16 de novembro a comunicação de que Gerolino finalmente foi encontrado por seus companheiros da LCP e amigos e levado de volta para junto das famílias de União Bandeirantes. Com a saúde bastante debilitada, Gerolino foi conduzido por seus companheiros para outra localidade para tratamento e recuperação das agressões e maus tratos sofridos. Corumbiara - Retomada da fazenda Santa Elina O Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina publicou em nota que no dia 7 de novembro as famílias acampadas na fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara, foram atacadas por policiais militares. Os policiais, em cinco viaturas, invadiram e revistaram barracos causando revolta nas famílias e nos moradores dos sítios vizinhos. Três camponeses foram presos durante a ação, incluindo uma mulher, por protestar contra a violência policial. Buritis Na madrugada do dia 10 de novembro, policiais civis e militares do município de Buritis realizaram uma operação no distrito de Jacinópolis e nas linhas 5 e BR-421 na área de Capivari. Pentecostes - CECamponeses realizam ato em defesa da luta pela terra Em 10 de outubro último, dezenas de famílias camponesas que ocupavam a fazenda Baiana sofreram uma ação de despejo ilegal cumprida por policiais civis e militares armados de fuzis. Lagoa dos Gatos - PE"a Peri-Peri será nossa!" No último dia 11 de novembro, após mais de quatro meses da tomada da fazenda Peri-Peri pelos camponeses pobres de Lagoa dos Gatos, um forte aparato de repressão foi enviado para retirar as mais de 70 famílias da terra. "Há quatro meses, a terra onde só se plantava capim para boi tinha sido liberta e a produção de alimentos das famílias camponesas crescia a cada dia. Primeiro, plantamos no alto, que ainda estava molhado. Mas depois que o verão apertou fomos para a vargem. Aí começou nossa riqueza. Num domingo de sol, mais de cem companheiros e companheiras trabalharam pesado para limpar as valetas e fechar a barragem para começarmos a agoação. Plantamos feijão, milho, macaxeira, batata, coentro, alface, melancia, banana, etc. Vimos que o sonho de ter um pedaço de terra para produzir pode virar realidade. A luta apenas começou! Não desistiremos de nosso sonho! Estamos acampados próximos à fazenda e chamamos todos os camponeses sem-terra ou com pouca terra a se juntarem a nós para prosseguirmos a luta!" 1. Pedaços de terra com cerca de 400 alqueires que o INCRA concedeu a fazendeiros nos anos 70, que passavam a ter o direito de exploração, mas não de posse. Muitos receberam gordos financiamentos do governo para produzir nas terras, mas a maioria delas não possui uma única benfeitoria (o que impede qualquer direito destes fazendeiros sobre essas terras).
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Peru - do império dos incas ao império da cocaínade Rosana BondNos anos 80, Rosana Bond foi a primeira jornalista da América a entrevistar os guerrilheiros do Partido Comunista do Peru, também chamado de Sendero Luminoso. Nesse livro ela revela que o PCP continua sendo uma das maiores dores de cabeça da CIA e do USA. 179 páginas. R$ 20,00 + postagem* |
| Nº 89, maio de 2012 |
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