A Nova Democracia

inicio Nº 49 Família é atingida pela segunda vez
Família é atingida pela segunda vez PDF Imprimir E-mail
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Depois de perder o filho Andreu (AND nº40, Agentes de "reabilitação" torturam jovem até a morte), Deize Silva de Carvalho, 36 anos, engajou-se em um sério movimento para declarar as gerências estadual e federal como verdadeiras culpadas pelo presente massacre contra o povo pobre no Rio de Janeiro e em todo Brasil.

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Berenice falando em um debate na UFRJ — Praia Vermelha, Rio de Janeiro

Em uma invasão da polícia ao morro do Cantagalo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de novembro, policiais assassinaram três rapazes, despertando a fúria da população. Na ocasião, uma antiga vítima da violência do Estado, Deize Silva de Carvalho, teve seu sobrinho morto e sua filha agredida por policiais, que também fizeram sérias ameaças e atiraram spray de pimenta contra a multidão.

Tudo começou depois que a filha de Deize, já assombrada pelo trauma da morte do irmão, soube que o primo também havia sido assassinado pela polícia. No momento, muitos moradores desciam para protestar e a filha de Deize mostrava-se a mais indignada.

— Minha filha foi até lá quando soube que meu sobrinho estava nessa casa e que seria assassinado. Até então nós sabíamos que ele tinha sido baleado, só não sabíamos que já estava morto. Quando ela soube ficou muito nervosa e chamou os policias de canalhas, disse que eles foram covardes e começou a bater na viatura. Um deles falou: "Quer dizer que você é parente dele?". Pegaram ela pelo pescoço e a colocaram na casa onde estava o meu sobrinho e os outros mortos. Fizeram várias ameaças contra ela, que ficou com muito medo, tanto que eu ia abrir um processo contra o policial que a agrediu, mas ela não quis — lamenta.

Deize ainda conta que, se não fosse a mobilização da comunidade, outros abusos teriam acontecido, como a ocultação de corpos e outras provas.

— Até o momento em que meu sobrinho estava na casa e o IML não tinha ido pegar o corpo, eles queriam, de todas as formas, desaparecer com as evidências do crime. Queriam jogar os corpos dentro do carro, sorte que a comunidade não permitiu, apedrejando alguns carros e cantando palavras de ordem. Eles tiveram que esperar a perícia chegar no local e minha filha foi conduzida com eles. Eles rodaram muito com ela fazendo ameaças. Levaram ela para a 20ª DP, depois para 14° Delegacia de Turismo, onde pegaram o depoimento dela — protesta.

Apesar da dor e do sofrimento de perder um filho e presenciar todo tipo de violência contra a sua família — inclusive sua irmã, que perdeu um filho por conta do spray de pimenta usado pelos policiais naquele dia — Deize mostra-se uma grande conhecedora dos verdadeiros motivos da criminalização da pobreza e seus depoimentos em atos públicos são emocionantes relatos dos crimes do Estado, que ela não cansa de denunciar.

— Minha filha estava com o uniforme do colégio e mesmo assim sofreu abuso dos policias. Eles são a favor do blindado,  do caveirão, do helicóptero blindado que chega atirando e matando, eles invadem a comunidade no horário em que todos estão na rua. É muito triste a gente saber que para pobre não há justiça! — protesta indignada.

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