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| Ocupação do Haiti é agressão imperialista |
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| Suzana Brito | |||
Imperialismo ianque e gerente Luís Inácio atuam juntos para transformar o Haiti numa plataforma de exportação de artigos produzidos com mão-de-obra escrava e semi-escrava. Enquanto isso, a resistência popular é massacrada com o respaldo da ONU.A ocupação militar no Haiti, liderada pelo governo do gerente Luiz Inácio, segue massacrando a população do país caribenho. Segundo organizações de "direitos humanos", inúmeras pessoas foram assassinadas e feridas pelos capacetes azuis da Minustah (Missão para Estabilização do Haiti da ONU, na sigla em francês), a partir de 2004. Desde então foram registrados massacres, torturas, estupros e outras agressões contra a população civil, sobretudo nas favelas. O episódio mais violento foi registrado em 6 de julho de 2005, quando as forças da Minustah, com mais de 300 soldados, 18 tanques e pelo menos um helicóptero, realizou uma grande ofensiva em Cité Soleil. O alvo oficial era Dread Wilme, acusado de ser um líder de gangues. Evidências coletadas por diversos investigadores logo após a ação indicam que a Minustah foi protagonista de um enorme massacre. Dois dias depois, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira e o coronel Jacques Morneau afirmaram que desconheciam acidentes com civis e caracterizaram a operação como um sucesso. O coronel Morneau levantou a hipótese de que as mortes foram obra das gangues. No entanto, as provas coletadas contradizem esta afirmação e indicam que a Minustah, incluindo soldados situados no helicóptero, atiraram em civis desarmados, dentro de suas casas, destruindo-as. Cerca de 60 corpos foram encontrados. O Haiti continua sendo o país mais pobre da América, onde 75% da população vive com menos de US$ 2 por dia e apenas a quarta parte das rodovias são pavimentadas. Com a guerra e os golpes de Estado, a indústria têxtil haitiana diminuiu cerca de 80%, mas ainda representa 10% do PIB e 68% das exportações do país. Falta energia elétrica todos os dias e cerca de 80% da população está desempregada. Pelas tabelas oficiais, uma costureira na capital, Porto Príncipe, deveria receber US$ 0,50 por hora, contra US$ 3,27 no Brasil e US$ 16,92 nos EUA. Tropas colombianas no Haiti? A novidade é que a Colômbia estuda enviar tropas para se juntar à Minustah, segundo noticiou o jornal colombiano El Espectador no final do ano passado. Como se sabe, as forças armadas colombianas, sob o comando do narco-presidente Álvaro Uribe, juntamente com os grupos paramilitares associados a grupos políticos de direita, estão envolvidas no assassinato de milhares de camponeses e ativistas. Esses grupos paramilitares foram reunidos sob o comando de Carlos Castaño num grupo conhecido como Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e foram treinados e equipados durante décadas sob o pretexto de combater os traficantes de drogas que, segundo o USA e Uribe, têm como principais representantes no país sul-americano as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc-EP). Por outro lado, organizações populares e as próprias Farc-EP denunciam o presidente Álvaro Uribe e Washington como os maiores interessados no tráfico internacional de drogas e armas. Interesses estrangeiros Para além do discurso oficial da ONU, de que a Minustah é uma missão humanitária e blá-blá-blá, os fatos concretos apontam para uma intervenção em defesa da manutenção de interesses estrangeiros associados às classes dominantes locais. Prova disso é a declaração do comandante da Minustah, o general brasileiro Heleno Ribeiro Pereira, que diante de uma comissão parlamentar no Congresso Brasileiro afirmou sobre o USA, Canadá e França: "Estamos sob extrema pressão da comunidade internacional para usar a violência". Em 2004, em entrevista à Rádio Metrópole, o general afirmou: "Nós temos que matar os bandidos, não qualquer um, só os bandidos". Os interesses estrangeiros são representados sobretudo pelo USA, país que sempre acompanhou com atenção os acontecimentos e exigiu a adequação do Haiti ao receituário imperialista, subordinado aos organismos dos banqueiros internacionais. O objetivo era garantir o controle de um país estrategicamente situado entre Cuba e Venezuela. Além disso, é interessante para o governo estadunidense a criação de mais um pólo de indústrias maquiladoras, onde corporações como Nike e Adidas possam produzir seus artigos esportivos pagando um salário de fome aos trabalhadores. O sub-imperialismo brasileiro Além do imperialismo ianque, empresas brasileiras também estão se aproveitando da situação miserável a que vem sendo submetido o povo haitiano. A Construtora OAS, empresa envolvida no consórcio Linha Amarela, acusada de causar o famoso buraco do metrô, em São Paulo, que matou sete pessoas, obteve licitação de uma rodovia no Haiti por US$ 145 milhões. Diante do monumental massacre imposto ao povo haitiano, Rachel Beauvoir Dominique, antropóloga, pesquisadora e professora da Universidade do Haiti, percorreu onze países para denunciar: "essa missão não é para a ajuda tão necessária ao Haiti, como na saúde, na educação e nos elementos de desenvolvimento de um povo. É uma missão de dominação porque a população dos bairros populares são atacadas, mortos". A antropóloga enfatizou a influência do USA e lamentou a ingerência do gerente Luíz Inácio em seu país: — A embaixada americana tem uma presença enorme na política do Haiti. A embaixada americana e a embaixadora, pessoalmente, durante as seções legislativas, está presente. Assim também, nos vários ministérios, a presença da União Européia. É trágico, para nós, que a Minustah e a ONU, atualmente vimos isso muito claramente, até Kofi Hanan, são dirigidas por poderes econômicos. Estes mandam nas forças políticas e as forças políticas nos militares. Por isso, pensamos que é uma tragédia que o presidente Lula da Silva ofereça-se a essa farsa e permita aos poderes econômicos, capitalistas e imperialistas disfarçar-se de tropas brasileiras, matando o povo. Por fim, cabe lembrar que no século XVIII, o Haiti se torna a mais próspera das colônias francesas graças aos povos africanos escravizados, que produziam açúcar, cacau e café. Logo o Haiti se torna o primeiro país latino-americano a se tornar independente, e o fez de modo muito especial. A partir de 1791, o povo negro e mulato escravizado promove sucessivas revoltas contra o exército francês, que garantia a permanência da exploração colonialista. Em 1804, o ex-escravo Toussaint Louverture lidera a revolução que tornará o país livre pela força do povo, diferentemente dos processos de independência vistos em outras nações, geralmente comandados pela burguesia. O massacre contra o povo haitiano tem entre seus objetivos inibir a força do exemplo, como assinala a economista Sandra Maria Quintela Lopes:
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Mao Tse Tung |
| Nº 86, fevereiro de 2012 |
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