A Nova Democracia

inicio Nº 55 Revolta popular confronta o Estado policial
Revolta popular confronta o Estado policial PDF Imprimir E-mail
Mário Lúcio de Paula   

Mais uma série de revoltas contra instituições e forças de repressão do velho Estado revelam toda a podridão do poder da grande burguesia e do latifúndio.

Canavieiras - BA

A população revoltada destruiu a delegacia de Canavieiras, 559 km de Salvador, no dia 19 de junho.

A revolta popular foi motivada pelo assassinato de um motoboy conhecido como "Neguinho". Ao tomar conhecimento da prisão dos três homens que mataram o motoboy para roubar a sua moto, a massa revoltada se dirigiu à delegacia com bombas e rojões.

A delegacia teve todos os seus vidros e parte do telhado destruídos.

Serrano do Maranhão - MA

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Delegacia foi destruída no Maranhão

Moradores de Serrano do Maranhão, a cerca de 500 quilômetros de São Luís, invadiram e incendiaram a delegacia da cidade na manhã do dia 18 de junho.

A revolta de Serrano do Maranhão ocorreu após a prisão de um homem que havia atirado contra um comerciante.

 A população da cidade ficou revoltada e cercou a casa do atirador para linchá-lo, o que só não ocorreu porque a polícia o retirou de casa pouco antes. Uma grande manifestação popular se dirigiu à delegacia, colocou fogo nos móveis e destruiu todo o prédio.

São Paulo

Rebelião em Heliópolis acua repressão policial

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Revolta em Heliópolis

No início da noite do dia 9 de julho, policiais do ROCAM — Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas — do 46º Batalhão, perseguiam dois homens em uma moto pelas ruas da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, quando um dos tiros disparados pelos policiais acertou a menina Tainá de Costa Alves, de 8 anos. A bala entrou na axila direita de Tainá e saiu pelo peito.

Graças a vizinhos, a menina foi operada e sobreviveu, visto que, além de serem apontados como autores do disparo, os PMs também foram acusados por moradores de fugirem sem socorrer Tainá e ainda espancar um dos suspeitos que estava sendo perseguido.

— Logo depois que eles acertaram a menina, pegaram um dos moleques que estava na moto e começaram a espancar ele com socos, chutes e coronhadas, na frente de todo mundo — afirmou o líder comunitário José Geraldo.

— O rapaz que estava sendo perseguido dirigia a moto sem capacete, mas foi só. Agora infração de trânsito se combate com balas? É um absurdo. Semana passada, duas pessoas foram mortas numa quermesse da comunidade. Agora, mais baleados — completou.

Os policiais foram encurralados pela massa em fúria e pediram o reforço de homens da Força Tática da ROTA — Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar — além de um helicóptero. Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray de pimenta foram usados pela PM contra os manifestantes.

O povo revoltado tomou as chaves da motocicleta de um dos policiais, um capacete e um par de algemas.

José Geraldo de Paula, liderança popular local e membro da União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco, negociou com o major da PM Wanderlei Rodrigues os termos para a devolução das chaves mediante a saída dos policiais.

Mais uma vez o povo cumpre sua palavra com honra e as chaves da moto foram entregues ao major, mas a PM não cumpriu sua palavra, sitiando Heliópolis. A polícia permaneceu cercando o morro, dando buscas.

— A polícia nem socorro prestou, ficou preocupada com a moto, com a chave da moto, falou que teríamos que dar conta da  chave da moto, porque senão ninguém iria dormir na favela a noite  — protestou Genivaldo Alves, Pai de Tainá.

Heliópolis é mais uma comprovação de que o povo não pode confiar uma vírgula, um pingo que seja, no velho Estado.

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