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| Novas máscaras para a velha farsa |
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| Fausto Arruda | |||
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O Brasil vive um regime de partido único travestido de multipartidarismo representado pelas dezenas de siglas registradas no Tribunal Eleitoral. Tanto os aspectos programáticos como a prática no exercício do gerenciamento estatal (federal, estadual e municipal) não deixam dúvida quanto à similaridade destas siglas. Tanto é assim que fazer o papel de "oposição" constitui-se numa das mais árduas tarefas da fração que encontra-se, ocasionalmente, nesta condição. Inventar divergências pontuais para atacá-las, quando esta mesma agremiação pratica o mesmo em outra região ou esfera política é, pois, papel para os mais escolados caras-de-pau. Tapas e beijos A história das relações entre estas duas agremiações é nada mais nada menos que um rosário de conluio e pugna. Os pais são o Banco Mundial e o FMINo início de julho, na comemoração dos 15 anos do Plano Real, só elogios, embora no passado a demagogia petista tenha atacado o plano que o PSDB concede todas as honras a Cardoso, enquanto outros atribuem a Itamar Franco e que, na verdade, foi uma imposição do FMI e do Banco Mundial. Como semicolônia alguma tem poder de traçar qualquer diretriz de importância para sua economia, tanto PT quanto o PSDB, eunucos que são, o mais que têm feito e o mais que podem reivindicar é a condição de gerentes, tutores ou meros aplicadores das políticas elaboradas pelo imperialismo e impostas ao nosso país. A "Carta ao povo brasileiro", firmada por Luiz Inácio para sinalizar às classes dominantes seu compromisso de força do establishment e passaporte à sua investidura no gerenciamento dos interesses imperialistas no Brasil é suficiente para demonstrar nossa afirmação. Aí vem as disputas em torno do "bolsa-família" e das "políticas sociais focalizadas", "políticas compensatórias" do arsenal de dominação encomendado pelo Banco Mundial. Em sua propaganda na TV cada um defende para si a paternidade dos programas sociais, logicamente, com a promessa de melhorá-los e impulsioná-los mais ainda. Eles se merecemNão por acaso ambos se identificam tanto em cultivar um apetite insaciável por CPIs quando na oposição e um pavor medonho às mesmas quando na situação. Dois casos recentes: a CPI da Petrobrás pedida pelo PSDB e a CPI da administração Ieda Crusius. Quando a coisa cheira, principalmente, à corrupção, ambas as agremiações movem céus e terra para impedir a apuração dos indícios apontados pelos oponentes. Quando torna-se impossível a instalação da mesma, eis que vem o conluio para que tudo termine em pizza. O episódio do "mensalão" que o diga. Quando uma CPI ameaça ir fundo nas falcatruas petistas a fórmula para barrá-la é propor que as apurações se estendam aos exercícios da administração Cardoso. O agronegócio: a nova disputa Nas eleições passadas os latifundiários de velho e novo tipos deram seu apoio ao PSDB. Agora, muitos estão em dúvida, tamanha a bajulação e as facilidades que Luiz Inácio tem dedicado ao setor mais atrasado de nossa sociedade. Desde o de distinguir como heróis os usineiros até o de disponibilizar recursos do BNDES para fusões como a da Sadia e Perdigão, passando pelo financiamento da safra agrícola do qual 80% vai para os latifundiários, sem falar das intermináveis anistias e rolagem de dívidas que afinal de contas já são tradição nacional, quiçá parte do folclore tupiniquim. Trabalho para os marqueteirosCom dois times tão parecidos somente os marqueteiros poderão criar diferenças de embalagens que, mesmo sutis, poderão parecer consideráveis se submetidas a um tratamento de marketing equivalente aos dos sabões em pó que autoproclamam, diariamente, lavar mais branco. "Pesquisas qualitativas" são realizadas em profusão para aquilatar o sentimento das várias camadas do eleitorado e, sem nenhum compromisso com sua aplicação, montam campanhas eleitorais mentirosas para, uma vez mais, enganarem os incautos e ingênuos eleitores que ainda se deixam levar pelas ameaças do TRE e comparecem à farsa eletrônica.
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Mao Tse Tung |
| Nº 89, maio de 2012 |
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