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| Repressão e despejos: política do velho Estado |
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| Carlos Cordeiro | |||
Em mais uma ação truculenta, a tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo, Força Tática e Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) desabrigaram 800 famílias dia 24 de agosto por ordem do prefeito Gilberto Kassab. A desocupação aconteceu na favela Parque do Engenho, acampamento Olga Benário, localizada no Capão Redondo, zona Sul de São Paulo. O terreno, de 14 mil m2 estava penhorado devido às dívidas com o INSS. Pertence à Viação Campo Limpo, que conseguiu a reintegração de posse na justiça. A ocupação ocorreu em 26 de agosto de 2007 e antes desse período o terreno encontrava-se vazio havia cinco anos. Duas mil pessoas residiam no local.
Os policiais agiram com a costumeira truculência e o povo respondeu com resistência. Montou barricadas e jogou diversos objetos na tentativa de garantir seu direito à moradia. A polícia atirou balas de borracha, gás de pimenta e bombas de efeito moral, o que fez incendiar diversas casas e destruir os pertences dos moradores. Marcos Rogério, membro da Frente de Luta por Moradia, afirma que a confusão começou por conta da truculência dos policiais.
Duas pessoas foram presas por supostamente arremessar rojões nos policiais. Um morador e um policial ficaram feridos no enfrentamento. Ao final da operação uma retro-escavadeira da própria Viação Campo Limpo chegou para derrubar os barracos e o que sobrou dos pertences dos moradores ficou amontoado na calçada, sem ter para onde ir, assim como os seus donos. Desocupações como política social No entanto, esta não é uma situação isolada. Somente na cidade de São Paulo, nos últimos três meses, ocorreram mais de cinco desocupações criminosas como esta, sendo que em sua maioria, as famílias estavam em terreno público. Na verdade isso faz parte da política da prefeitura e do estado, que é a mesma que prevalece no campo, de que só tem acesso à terra quem a compra e nesse momento o que estão fazendo é retomar as terras que estão na mão do povo pobre.
A subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS, já se lançando à disputa pela gerência do estado em 2010), afirmou que apenas 80 famílias que estão há mais de cinco anos na favela têm direito a atendimento habitacional — indenização. As demais seriam atendidas ou não, de acordo com critérios da Secretaria de Habitação (Sehab).
No início, o proposto era que cada família receberia um apartamento dos que serão construídos. O presidente da Associação de Moradores da Favela Naval, Carlos Antonio Rodrigues, argumenta que o ex-secretário municipal de Habitação Josemundo Queiroz, da gestão do prefeito José de Filippi Júnior (PT), prometeu indenizar quem optasse por não morar no conjunto. "Há famílias de oito pessoas que não têm como morar em um apartamento onde cabe apenas três". No entanto, a resposta dada pelo atual secretário municipal de habitação, Márcio Vale, dentro do jogo de poder costumeiro dos gerentes de plantão, foi bem diferente: "Não existe recurso para pagamento de indenização. Isso só será discutido após a desocupação. "Questionado sobre o que deveriam fazer as famílias numerosas, o secretário recomendou: "Resolvam sua necessidade habitacional em outro lugar". Parque desabrigará 5 mil famílias Para o futuro também se avizinham mais desocupações. O governo vai desapropriar 5.100 famílias para a construção de um parque, o Várzeas do Tietê, que tem a pretensão de ser o maior parque linear do mundo, com 75 km de extensão e 107 km2 de área da cidade de São Paulo a Salesópolis, com investimento previsto de R$ 1,7 bilhão e recursos do estado e financiamento do BID. As residências só poderão ficar a 200 metros de distância da área do parque. Fotos: Imagens da repressão e desocupação do acampamento Olga Benário
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| Nº 89, maio de 2012 |
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