Este ano marca o vigésimo aniversário da derrubada do
Muro de Berlim, que, sem dúvida foi o maior monumento ao revisionismo
e ao social-imperialismo já construído. Sua queda, ao contrário
do que se costuma afirmar, não foi a derrota histórica do socialismo,
mas sim a bancarrota da dominação dos revisionistas russos
sobre os países do leste europeu.
Para a justa compreensão do que representou o Muro é necessário
remeter-se ao fim da II Guerra e ao Tratado de Potsdan, que estabeleceu a divisão
da Alemanha entre os países aliados não para sua colonização,
mas como uma política conjunta para sua desmilitarização
e desenvolvimento pacífico. A União Soviética, então
dirigida pelo Marechalíssimo Stalin, tentou de todas as formas implementar
os acordos firmados em Potsdan. Porém, os círculos imperialistas
se esforçavam não só para manter a Alemanha dividida,
bem como para mantê-la sob o domínio de elementos reacionários
e fascistas, que viessem a cumprir o papel de lacaios na luta contra as forças
democráticas.
Alguns dirigentes imperialistas, como o diplomata britânico Vanistrart,
defenderam abertamente a atomização da nação alemã.
Outros, a sua divisão em pequenos Estados. Em 1943 os representantes
do USA propuseram a divisão da Alemanha em cinco partes e em 1944, Churchil
e Eden propuseram a divisão da Alemanha em três Estados separados.
A Posição da URSS era diametralmente oposta à essa. Stalin
afirmava, ainda durante a guerra:
...É impossível destruir a Alemanha, assim como é impossível
destruir a Rússia. Mas pode-se e deve-se destruir o Estado hitlerista”.
Imediatamente após a guerra, o que se passava nos territórios
libertados pela União Soviética e nas zonas dominadas pelos imperialistas
era completamente diferente. Enquanto no primeiro caso as propriedades dos
fascistas foram confiscadas e distribuídas para todo o povo, se restabelecia
a produção agrícola e a democracia era reerguida, o setor
ocidental se afundava em dívidas para a "reconstrução",
principalmente por causa do Plano Marshall*, criado pelo USA para prender os
países da Europa Ocidental. Por causa desta disparidade gritante os
imperialistas, que já queriam desmembrar a Alemanha, começam
uma série de provocações e quebras dos acordos firmados
em Postdam, juntamente com a articulação da Criação
da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha - RFA).

Assim como o muro, o social-imperialismo ruiu
Não restava ao povo alemão outra coisa a fazer que não
fosse proclamar a República Democrática da Alemanha (RDA), no
dia sete de outubro de 1949, com Capital em Berlim, que ficava dentro do setor
oriental. Os imperialistas articularam a fundação da República
Federal Alemã com sede em Bonn. Ou seja, Berlim, que fora a capital
do Reich, bastião dos nazistas, após sua derrota e queda nas
mãos do Exército Vermelho, estava posicionada no meio da RDA.
Lá continuou sendo permitida a presença de cidadãos da
RFA, pois a intenção da RDA e da URSS até então
era uma Alemanha pacífica, democrática e unificada. Com
a queda de Berlim ao fim da II Guerra, os povos soviéticos e o povo
alemão sonhavam com uma pátria unificada e socialista.
O imperialismo, principalmente o ianque, sabia, e muito bem, que com o fim
da II Guerra a URSS e o bloco socialista fortalecera e ganhara impulso, respeito
e admiração dos povos oprimidos em todo o mundo. Visando deter
a irreprimível onda de liberdade que se expandia por toda a Alemanha,
o USA passou a despejar rios de dólares do plano Marshall na
RFA para rivalizar com a RDA.
Com a morte de Stalin, em 1953, a ascensão do revisionismo moderno
com Kruchov à testa e a restauração do capitalismo, a
URSS passa a desempenhar um papel social-imperialista e a situação
na Alemanha se inverte. As empresas sob o social-imperialismo não são
tão eficientes, do ponto de vista do capitalismo, como as imperialistas
e nem são mais propriedade de todo o povo, como quando sob a direção
revolucionária. O resultado não podia ser outro: A inoperância
e a burocratização. Muitos cidadãos da RDA passam então
a fugir para a RFA. Incapazes de atender os anseios das massas os social-imperialistas
desataram a repressão contra o povo.
O muro de Berlim foi erguido em agosto de 1961 (portanto após a morte
de Stalin) e em nada se diferiu dos muros da burguesia, como na Palestina,
na fronteira do USA com o México, ou nas favelas do Rio de Janeiro.
O muro durou até enquanto suspirava o social-imperialismo russo. A bancarrota
deste sistema de dominação permitiu a muitos revolucionários,
ainda iludidos com estas forças, ter uma visão mais clara da
realidade e buscar um novo caminho. Países membros do bloco socialista,
partidos revolucionários e militantes comunistas devotados que foram
durante anos oprimidos ou difamados pelo revisionismo tiveram seu ânimo
revigorado e ganharam forças ao redor do mundo.
Como não podia deixar de ser, o imperialismo ostenta a queda do Muro
como uma vitória sobre o socialismo. Se o socialismo perdeu uma batalha
perdeu para seus inimigos internos: o oportunismo e o revisionismo. E essas
derrotas, servindo como amargas lições, são temporárias.
A queda do muro de Berlim não passou de uma vitória comercial.
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* Plano Marshall : Plano elaborado pelo USA para
a reconstrução
da Europa Ocidental após a II Guerra Mundial. Seu nome oficial era Programa
de Recuperação Européia, mas ficou conhecido como nome
do Secretário de Estado George Marshall. O Plano foi elaborado após
uma reunião com os Países europeus em julho de 1947. A União
Soviética e os países da Europa Oriental foram convidados a participar
mas se recusaram. Durante os seus quatro anos de funcionamento transferiu cerca
de 13 bilhões de dólares para sua aplicação na
região.
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