Há alguns meses os chefes das potências imperialistas vêm
fazendo ecoar nos jornais, emissoras e agências de notícias a
seu serviço que a nuance econômica da crise geral de superprodução
capitalista chegou ao fim.
Na Espanha, 41,7% dos trabalhadores com menos de 25 anos estão desempregados
Os dados, entretanto — mesmo os oficiais — insistem
em desmentí-los. No USA, a taxa de desemprego atingiu 10,2%, a mais
alta em 26 anos e meio, desde abril de 1983. Só em outubro desapareceram
quase 200 mil vagas nas empresas. São 22 meses consecutivos de "retração
do mercado de trabalho", como gostam de dizer os burocratas capitalistas. Trocando
em miúdos, isso significa menos 7,3 milhões de pessoas empregadas
em solo ianque desde dezembro de 2007.
No outro lado do Atlântico, segundo dados do Gabinete de Estatísticas
da União Européia, o Eurostat , a taxa média
de desemprego dos 16 países da zona do euro subiu para 9,7% no último
mês de setembro, 0,1% a mais do que havia sido registrado em agosto,
e dois pontos percentuais acima dos 7,7% de setembro de 2008. Entre os jovens
com menos de 25 anos de idade, a taxa está girando em torno dos 20%.
São os índices mais elevados na Europa em dez anos. Os dados
oficiais dão conta de 15,32 milhões de pessoas desempregadas
na zona euro. Número que sobe para 22,12 milhões quando se considera
os 27 países membros da União Européia, o que abrange
também as nações mais pobres do leste. No intervalo de
um ano, e ainda segundo as estatísticas produzidas nos gabinetes dos
Estados burgueses europeus, 5 milhões de trabalhadores perderam seus
empregos. Países como Letônia e Espanha têm hoje 19,7% e
19,3% da sua população desempregada, respectivamente. Na Espanha,
incríveis 41,7% dos trabalhadores com menos de 25 anos não conseguem
arranjar algo para ter do que viver.
No último dia 12 de outubro, o diretor da Organização
Mundial do Comércio, Pascal Lamy, compareceu à reunião
de ministros das Finanças do Apec, Fórum de Cooperação
Econômica Ásia-Pacífico, em Cingapura, para falar sobre
desemprego. Não para falar sobre como a chaga do desemprego que castiga
as massas de todo o mundo enquanto norma de regulação do mercado
de trabalho capitalista — norma agora reforçada em virtude da crise
geral do sistema que se agrava. Não. Lamy foi a mais um convescote da
grande burguesia a fim de mostrar como o desemprego pode representar uma grande
ameaça para os lucros das transnacionais.
"Se o emprego segue se deteriorando, é inevitável que apareça
o protecionismo", que por enquanto "esteve muito contido", disse
o chefe da OMC. Lamy disse mesmo que o desemprego é "a maior ameaça
para o livre-comércio". Ao contrário do que sugere este tipo
de verborragia, própria dos financistas e burocratas que se esmeram
para azeitar as enferrujadas engrenagens do modo capitalista de produção,
a luta contra o desemprego não é uma tarefa para os gerentes
dos Estados carcomidos, sejam eles potências imperialistas como o USA,
sejam semicolônias como o Brasil, nem tampouco ela tem como objetivo
garantir fronteiras abertas para as transnacionais aportarem onde bem entenderem
impondo a precarização generalizada das condições
de vida.
Na perspectiva da classe operária e do povo trabalhador, a luta contra
o desemprego não é o esforço pela criação
de subempregos para maquiar as estatísticas, muito menos tem como objetivo
incrementar o consumo para fazer girar a economia da maneira que interessa
aos monopólios e aos financistas. Para o povo, a luta contra o desemprego é parte
integrante e indissociável da luta maior para derrotar os mecanismos
de exploração e opressão dos quais as classes dominantes
se valem para subjugar as massas de todo o mundo, entre os quais está o
jogo de demissões e admissões conforme os interesses da grande
burguesia e contrário aos interesses do proletariado. Em suma, é uma
luta para romper com os grilhões do capital e não para reforçá-los
ainda mais.
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