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| Trabalhadores continuam resistindo |
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| Patrick Granja | |||
Há quem diga que as classes dominantes preocupam-se com o futuro do país, mas a verdade é que, quanto mais lucram, mais arrocham salários e atacam os direitos do povo. Segundo a tese de mestrado da médica do trabalho Margarida Barreto, cerca de 42% dos brasileiros já foram vítimas de assédio moral no trabalho, sendo o Brasil, um dos poucos países do mundo que não possui uma legislação específica para coibir este grave crime contra os trabalhadores.De acordo com a pesquisa da médica Margarida Barreto, "o assédio moral caracteriza-se pela exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, de forma repetitiva e prolongada durante a jornada de trabalho, e com o objetivo de desestabilizar a relação dele com o ambiente de trabalho e com a própria empresa". Os casos mais comuns de assédio moral acontecem quando o trabalhador é forçado pelo patrão a trabalhar mais, ou a aceitar uma redução salarial, para não ser demitido. Ou senão nos casos em que a vítima é desmoralizada pelo patrão com intimidações, xingamentos e outras humilhações. Quem nunca presenciou um caso como esse ou já conheceu alguma vítima deste crime? Lembrando que 42% dos trabalhadores brasileiros denunciaram o delito, não levando em conta milhares de outros que simplesmente se submetem ao assédio, temendo perder o emprego. — Quanto vale o atentado à honra, à imagem, ou o sofrimento? A Justiça tem se limitado à percentuais sobre o salário mínimo — protesta a advogada e especialista no setor Eryka de Negri. Greve operáriaDia 13 de novembro, trabalhadores das Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), cruzaram os braços exigindo aumento real de salário de 4,1%, reajuste de 9,9% e a realização de concurso para a contratação de servidores. Dia 16 de novembro, operários da Basf, nas unidades de São Bernardo, Mauá e Vila Prudente, em São Paulo, entraram em greve reivindicando melhores condições de trabalho e salários, principalmente para os funcionários terceirizados. – Nossa reivindicação inicial era de 10% de aumento. No entanto, também aprovamos que as lutas continuariam por fábrica e pretendemos conquistar um percentual maior. Além disso, queremos abono de R$ 2,5 mil e vale-compras de R$ 300. Os terceirizados recebem apenas R$ 520 e trabalham como loucos — afirmou o químico Fábio Augusto Lins. No dia seguinte, operários da fábrica da Bosh, no Paraná, também cruzaram os braços rejeitando a proposta patronal de reajustar em 3,5% o salário dos trabalhadores, que exigem, no mínimo, os benefícios conquistados pelos operários da indústria de tratores Case New Holland (CNH). Eles conseguiram a reposição integral do INPC, mais 3,7% de aumento real, além de abono de R$ 2 mil. Dia 17 de novembro, operários da indústria de biscoitos Mabel entraram em greve exigindo 13% de reajuste salarial, cobrados dos patrões desde agosto. Segundo os trabalhadores, diversas reclamações já foram feitas ao departamento de recursos humanos da empresa e ao Ministério Público, sem sucesso, portanto, a categoria não viu outra solução e cruzou os braços por tempo indeterminado. No dia seguinte, trabalhadores da empresa de tecnologia Tivit, em São Paulo, paralisaram suas atividades nas unidades de Mogi das Cruzes e Jundiaí. Os funcionários acusam a empresa de ignorar a convenção coletiva aprovada em outubro e já incorporada aos direitos dos trabalhadores de quase todas as indústrias do setor. Greve na saúdeEm Pirambu, Sergipe, servidores da saúde cruzaram os braços exigindo o pagamento do salário de dezembro de 2008. Os trabalhadores também denunciam a falta de Equipamentos de Proteção Individual. — Tentamos vários acordos com o gestor, mas sem resultados positivos. Não podemos mais ficar à mercê da prefeitura de Pirambu. Vamos paralisar as atividades para chamar a atenção do prefeito e da imprensa para o caos que está se instalando na cidade — disse o trabalhador Augusto Couto, agente comunitário de endemias. Greve na educaçãoNo dia 11 de novembro, professores da rede municipal de ensino de Ilhéus, na Bahia, entraram em greve exigindo o crédito do vele-transportes para a categoria, prometido pelo gerenciamento de turno, e aumento de 16% para os trabalhadores que ainda não receberam o mês de outubro. — Paramos em defesa da nossa sobrevivência. Não dá para trabalhar sem salário e transporte — disse a presidente da Associação dos Professores Profissionais de Ilhéus, Enilda Mendonça. Greve nos transportesEm São Paulo, motoristas e cobradores da Viação Samambaia cruzaram os braços no dia 5 de novembro, exigindo o cumprimento das cláusulas de contrato sobre vale refeição, adiantamento de 60% do salário para quem sofrer acidente de trabalho ou adoecer, precisando ficar afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de adiantamento salarial de três meses. Os trabalhadores também denunciam o superfaturamento dos orçamentos referentes às avarias nos veículos. Dia 23 de novembro, em Sorocaba, motoristas e cobradores da Viação TCS (Transporte Coletivo Sorocaba), também paralisaram suas atividades devido às péssimas condições da frota da empresa. Greve no serviço públicoNo dia 5 de novembro, trabalhadores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) entraram em greve reivindicando a implantação do Plano de Carreira, melhores condições de trabalho e equiparação do auxílio alimentação com os trabalhadores do Judiciário e do Legislativo. No dia 25 de outubro, a categoria realizou manifestação em frente ao Ministério do Trabalho, em Brasília, para pressionar o gerenciamento de turno a ceder às exigências dos trabalhadores. No dia 9 de novembro, servidores do Ministério do Trabalho cruzaram os braços exigindo que o governo federal cumpra o Plano de Cargos e Salários (PCS) aprovado no MTE, mas que não foi atendido pelo Ministério do Planejamento. Os servidores também reivindicam melhorias nas condições de trabalho, regulamentação da jornada de 30 horas semanais, sem redução de salários, com dois turnos diários para ampliar o atendimento à população, política de treinamento e capacitação permanente, ampliação das vagas do órgão com contratação dos remanescentes do último concurso e paridade salarial entre ativos, aposentados e pensionistas. Servidores da Justiça Federal também entraram em greve no dia
18 de novembro, exigindo que Luiz Inácio envie para o Congresso o projeto
de revisão de cargos e salários dos servidores, além da
equiparação salarial com o legislativo e com determinados servidores
do executivo. Zveiter perde batalha contra os estagiários do TJERJ
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V. I. Lenine |
| Nº 89, maio de 2012 |
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