Em dezembro, professores, médicos, comerciários
e operários
cruzaram os braços pelo Brasil e o mundo cobrando dignas condições
de trabalho e denunciando este criminoso regime de superexploração
imposto pelas classes dominantes à imensa maioria da população
mundial.

Canadá, piquete em frente a Gerdau
Em Portugal, comerciários se rebelaram contra a árdua
rotina de fim de ano fixada pelos patrões do setor em todo o mundo. No
dia 16 de dezembro os trabalhadores aprovaram em assembléia uma greve
a nível nacional. Segundo eles, alguns comerciários chegam a trabalhar
60 horas semanais, sem ganhar hora extra. No primeiro dia de paralisação
muitos hipermercados amanheceram de portas fechadas. O sindicato que representa
a categoria questiona o rótulo "socialista" do atual gerenciamento de
turno e promete que lojas de grifes e grandes marcas também vão
parar de funcionar.
— Mas como é possível afirmar que um partido que se diz
socialista está no governo, com uma situação de exploração
como essa? E o povo nem se apercebe, de tão baralhado que anda. Nem
devem ter tempo para pensarem, com tantas horas de trabalho. Vamos parar
as redes de lojas que representam diretamente o monopólio internacional — avisou
o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios
e Serviços de Portugal.
No Canadá, após sete meses de braços cruzados, operários
da indústria siderúrgica Gerdau, de Cambridge, em Ontário,
venceram a luta contra os patrões e conquistaram um novo acordo coletivo,
como reivindicavam em maio, quando a greve começou.

Trabalhadores da Justiça votam pela manutenção da greve
Na Grécia, dia 16 de dezembro, professores de todas as redes de ensino,
públicas e privadas, em todos os níveis, entraram em greve iniciando
um amplo movimento, envolvendo várias categorias, que promete parar
o país. A mobilização dos trabalhadores é contra
as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, representante do oportunismo,
Giorgos Papandreu, que prevêem o corte de 10% do orçamento social,
acompanhado da criação de um imposto especial para a "bonificação" de
banqueiros.
No Brasil, mais greves
Em Sorocaba, trabalhadores rodoviários da empresa Breda — uma das maiores
da região — entraram em greve no dia 15 de dezembro exigindo o tíquete
refeição, que deveria ter sido pago no 5° dia útil
do mês e o pagamento dos salários de novembro, dezembro e 13°.
— Além disso, a manutenção dos ônibus está prejudicada.
Não têm peças para reposição. Inclusive
o abastecimento dos carros é feito com muita dificuldade. A situação
geral é calamitosa e coloca em perigo os trabalhadores e a população — protestou
o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e região,
Paulo João Estausia.
No Mato Grosso, 95% dos 5 mil trabalhadores da Justiça no estado estão
de braços cruzados há um mês por melhorias salariais e
obtiveram sua primeira vitória no dia 15. Na ocasião, o Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), condenou o tribunal do estado do Mato Grosso
a pagar os salários dos trabalhadores em um prazo de 60 dias. Mas segundo
o sindicato que representa a categoria, a greve continua.
— A greve não vai acabar, pois os itens constantes desse PCA
1415 são apenas parte das reivindicações dos honrados
Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso — afirmou o
presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato
Grosso, Rosenwal Rodrigues dos Santos.

Rio Grande do Sul, professores em assembléia
Em Rondonópolis, médicos dos Pronto-Atendimentos Municipais,
entraram em greve no dia 16 exigindo pagamento das verbas trabalhistas aos
médicos, enfermeiros e demais funcionários que trabalham como
contratados nos PAs, já que não lhes é garantido 13º salário — previsto
na Lei Municipal 5.826/09 —, férias e demais direitos trabalhistas;
cursos de capacitação para todos os funcionários dos PAs;
ampliação e reforma dos PAs e criação de novos
postos de atendimento, entre outras reivindicações. Em nota,
o sindicato que representa a categoria demonstrou toda a sua indignação.
"A falta de vontade por parte da administração é tamanha
que já foram feitos dois requerimentos, sendo um em 25 de agosto de
2009 e outro em 20 de novembro, para que fosse viabilizado pelo menos o pagamento
do 13º salário aos médicos e enfermeiros dos PAs, mas
sem qualquer resposta (...) Para que a saúde tenha realmente
a melhoria esperada pela população, é necessário
que haja greve, se o poder público continuar surdo aos apelos dos
médicos e enfermeiros que dedicam sua vida à luta diária
para cuidar de todos aqueles, que nos momentos de sofrimento buscam socorro
nos PAs ".
Professores do Rio Grande do Sul também entraram em greve no dia 15
de dezembro exigindo do gerenciamento corrupto de Yeda Crusius a adoção
do piso nacional de 950 reais para os profissionais da rede pública.
A gerente chegou a entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade
no STF tentando derrubar o piso nacional.
— A responsabilidade pelo ano letivo é do governo, que é intransigente
e enviou um projeto que é contra o piso nacional, sem discutir com
ninguém — disse Rejane Oliveira, presidente do sindicato
que representa os professores.
Na Praça da Matriz, em frente a Assembléia Legislativa do estado,
vários movimentos de trabalhadores e estudantes decidiram ficar acampados
até o dia 20 para prestar apoio aos professores. Dentre eles estavam
os sindicatos dos Comerciários, Vigilantes, Funcionários Municipais,
a União dos Estudantes Santa-cruzenses (Uesc) e a Assembléia
Nacional dos Estudantes Livre (ANEL).
— Somos parte deste processo e uma possível derrota dos professores
repercute na comunidade escolar inteira. Apenas unidos é que conseguiremos
avanços — afirmou o representante dos comerciários,
Afonso Schwengber.
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