
Barraqueiro é roubado em Copacabana
Nas últimas semanas de 2009, o choque de ordem de Eduardo Paes não
deu trégua aos trabalhadores pobres. Muitos deles aproveitam o fim de
ano para garantir seu espaço no comércio ambulante, muitas vezes
a única opção para o povo nas festas consumistas de natal
e réveillon.
No dia 14 de novembro, mais de 12 toneladas de mercadorias foram roubadas
dos camelôs que trabalhavam na quadra B do tradicional pólo comercial
da rua Uruguaiana, no centro da cidade. Lucas do Carmo Pereira, de 35 anos,
foi uma das vítimas das tropas de Paes e Bethlem e contou à redação
de AND o sentimento de ser criminosamente atacado
pelo Estado.

Choque de ordem durante jogo no Maracanã
— Essa mercadoria não era roubada, e o dinheiro que eu ia fazer
com ela não era para fumar, nem para beber, nem para cheirar. Muito
menos para comprar presente para alguém. Com esse dinheiro eu ia pagar
o material da escola da minha filha e colocar comida dentro de casa no final
de ano. Mas agora fiquei com uma mão na frente e outra atrás.
Não roubo porque não tenho coragem. Então só me
resta passar dificuldade. Se o governo não ajuda a gente, quem vai
ajudar? — pergunta o trabalhador.
No mês de novembro, somente nas regiões da Barra da Tijuca e
Jacarepaguá, na Zona Oeste, 10.284 itens foram roubados de comerciantes,
entre roupas, acessórios, mesas, cadeiras, churrasqueiras, óculos,
relógios e mídias digitais.
Dia 22 de novembro foi a vez dos trabalhadores de Copacabana provarem um pouco
da sanha reacionária do Estado contra o povo pobre. Na ocasião,
PMs e guardas municipais foram à feira livre da praça Serzedelo
Correa e destruíram 142 barracas utilizadas pelos camelôs para
comercializarem seus produtos. Dois dias antes, o "choque de ordem" já havia
roubado 700 quilos de frutas e vegetais de comerciantes da praça Nossa
Senhora da Paz, também em Copacabana.

UPP e "choque de ordem" atacam no Pavão Pavãozinho
No dia 29, guardas municipais reprimiam camelôs no entorno do Maracanã durante
partida do campeonato brasileiro, quando torcedores tentaram defender os trabalhadores
entrando em confronto com os cães de guarda da prefeitura. Ao fim do
enfrentamento os comerciantes conseguiram recuperar a mercadoria apreendida
e um dos GMs foi gravemente ferido por uma pedrada. Quem procura, acha.
Na última rodada do campeonato, dia 6 de dezembro, no mesmo local,
trabalhadores não tiveram a mesma sorte. Na ocasião, 1,5 mil
latas de cerveja e refrigerante, isopores, cadeiras, faixas, camisas, bonés
e diversos outros produtos foram roubados pelos agentes da prefeitura.
Dois dias antes, uma matéria publicada no Jornal do Brasil mostrava
a estrutura do depósito em Bonsucesso, onde são armazenadas as
mercadorias roubadas dos camelôs pela guarda municipal. De acordo com
o texto, no local percebiam-se "aparelhos de televisão jogados sobre
livros didáticos, carroças ainda com pipoca dentro, garrafas
de bebidas espalhadas em meio a milhares de CDs (...) Na cozinha dos funcionários,
fungos e mofo. Pelo pátio, ratos e baratas circulam livremente. Todas
as mercadorias estão armazenadas sobre poças d'água formadas
por infiltrações no teto do lugar, que está quebrado".
Esse material, que serviria aos trabalhadores para garantir sua sobrevivência,
não passa de um monte de lixo para este Estado reacionário.
No dia 8 de dezembro, mais de mil itens, entre cadeiras, isopores, guarda-sóis
e bebidas foram levados para lá depois de serem roubados por GMs dos
trabalhadores ambulantes nas praias do Leblon e do Arpoador.
Quatro dias antes, foi deflagrada, na Ladeira Saint-Roman, acesso ao morro
Pavão-Pavãozinho, uma ação do "choque de ordem" que
demonstra a afinação entre os gerenciamentos de Cabral e Eduardo
Paes contra os trabalhadores pobres do Rio de Janeiro. Na ocasião, 13
barracas de comerciantes e um ponto de moto-taxi foram retirados da favela
ao mesmo tempo em que o Batalhão de Operações Especiais
da PM — o BOPE — derramava o sangue dos moradores, abrindo caminho para a instalação
de mais uma Unidade de Polícia Pacificadora.
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