
Manifestação de ambulantes contra da repressão da PM que fere até consumidores
Mais uma vez os trabalhadores ambulantes enfrentam uma onda de repressão
na região da rua 25 de Março. Desde o início de dezembro
já houveram vários conflitos entre ambulantes e a polícia
em função do aumento das vendas e da circulação
de pessoas por causa do Natal.
O prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra fecharam um acordo
para que a PM substitua a Guarda Civil Municipal no trabalho de repressão
aos trabalhadores ambulantes que responderam com manifestações.
No dia 3 de dezembro, a 25 de Março tornou-se uma verdadeira praça
de guerra. Os policiais queriam proibir qualquer agrupamento de pessoas e os
ambulantes revidaram com pedras e paus.
No dia 11 de dezembro os ambulantes organizaram uma grande manifestação
com cerca de 800 trabalhadores que foi até a prefeitura. Desde então
está sendo organizado um abaixo assinado contra a presença policial
na 25 de Março e região que tem tido uma grande adesão
da população.
No intuito de servirem aos interesses de grandes lojistas que financiam suas
milionárias campanhas eleitorais, Serra e Kassab mobilizaram um grande
contingente da Polícia Militar (cerca de 200) que tem atuado de forma
ostensiva, reprimindo e agredindo os trabalhadores, efetuando prisões
arbitrárias, inclusive atacando os consumidores que vêm fazer
compras, como foi o caso de uma senhora que levou um empurrão de um
PM na ladeira da Constituição e ao cair quebrou o braço,
uma senhora grávida que perdeu parte da orelha ao tomar um tiro de bala
de borracha, uma catadora de papel que levou um tiro no olho e de uma ambulante
que quebrou o pé na ladeira Porto Geral.
Esta repressão constante tem causado grande
prejuízo aos trabalhadores ambulantes, que, desempregados, vêem
no comércio informal a única forma de retirar o sustento familiar.
A desculpa de que eles atrapalham os comerciantes estabelecidos é totalmente
falsa. Os ambulantes adquirem seus produtos destes comerciantes e, na verdade,
funcionam como seus empregados, levando suas mercadorias para o meio da rua,
porém, sem nenhum amparo trabalhista. Assim, os comerciantes ficam livres
de encargos sociais e ainda ganham os espaços da rua como ampliação
de sua loja, para os quais também não pagam aluguel nem impostos.
Kassab e Serra estão descaracterizando a 25 de Março ao tentarem
acabar com o comércio ambulante na rua e suas imediações.
Esta região é conhecida nacionalmente como o maior comércio
a céu aberto da América Latina e sem os trabalhadores ambulantes,
inclusive, perde esta característica, que tanto atrai turistas que desejam
fazer suas compras.
Esse embate entre ambulantes e GCM/PM continua até o Natal e se intensifica
em todas as datas importantes para o comércio, como dia das mães
e dia das crianças.
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