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| Pode um Estado ser mais podre do que este? |
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| Fausto Arruda | |||
Brasília não é o mar de lama, e sim a capital do mar de lama que é o velho semifeudal e semicolonial Estado brasileiro. É lá, por ser a capital, que a lama se apresenta mais concentrada, mas tão concentrada, que corruptos de grosso calibre conseguem flutuar sobre ela, mesmo fora do caminho das pedras.
O ano de 2009 foi particularmente pródigo em manifestações explícitas de bandidagem de alta costura. Mais uma vez a velha república bananeira aparece de corpo inteiro, mostrando toda a essência de seus Três podres poderes. A briga de frações dentro do velho Estado não apresenta novidades: o denunciante de hoje será o denunciado de amanhã. Toma-se-lhe o cargo se ele está fraco, mantém-no se ele consegue “boas” alianças e, continua tudo como dantes no quartel de Abrantes. No Maranhão, Jackson Lago estava fraco, caiu. No senado, Sarney estava forte, foi mantido. A corrupção fecha o ano em alto estiloO festival de imagens exibidas pelo monopólio de comunicação sobre o mensalão Demo/pefelista foi só o encerramento em alto estilo do ano que antecede à montagem de mais uma farsa eleitoral. Um corrupto contumaz e juramentado, alçado à condição de gerente do Distrito Federal, com apoio de quase todas as siglas do partido único que dão apoio ao ocupante do Palácio do Planalto, é pego com a mão na botija. Os pefelistas, oposicionistas de faz-de-conta, vinham fazendo um discurso de combate à corrupção no gerenciamento petista, na tentativa de se diferenciarem perante os menos avisados, na medida em que petistas, peessedebistas e peemedebistas já haviam sido laureados com seus respectivos mensalões. Agora está tudo igual dentro do partido único quanto ao quesito corrupção. O monopólio de comunicação que vive de extorquir o dinheiro público, através da chantagem permanente aos corruptos de plantão, também levanta seus troféus, disputando entre si quais os que mais denunciaram os crimes de corrupção. A hipocrisia é tamanha que até criaram o dia mundial de combate à corrupção. E num dia de tão grande importância, o Sr. Luiz Inácio não poderia faltar com suas “profundas” reflexões que também não explicam nada e só alimentam o rol de besteirol de sua lavra. Ao dizer que "Eu prefiro que saia manchete para a gente poder investigar, do que não sair nada e a gente continuar sendo roubado e continuar não sabendo o que está acontecendo", até parece que não foi ele que tentou e ainda tenta usar de sua “popularidade” para reduzir o mensalão petista à uma simples transgressão eleitoral e jogou pesado para impedir, no congresso, a apuração de falcatruas na Petrobras. Também as críticas feitas ao Tribunal de Contas da União, que embargou as obras do PAC, cujas irregularidades repousam em cima de grossa corrupção envolvendo ilustres figuras do submundo dos “três poderes” tanto na esfera federal como na estadual e municipal. Aproveitando também a oportunidade, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Sr. Gilmar Mendes, o mesmo que mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas, não deixou por menos e deitou falação sobre as iniciativas do Conselho Nacional de Justiça quanto ao combate à corrupção no próprio poder judiciário, mas nada de falar sobre a tremenda caixa preta que é aquilo que se passa por corte suprema do país. Até José Sarney, o mais denunciado do ano por práticas lesivas ao erário público, se achou no direito de também meter sua colher neste assunto, como se ele próprio estivesse incólume. Este senhor oligarca teve a ousadia de, escondendo-se atrás de uma meia verdade, escrever, logicamente em defesa de seu pescoço, que “Para a eleição, os ideais, os programas e os princípios de nada servem. Só o dinheiro necessário para a vitória. E o país pensa que enforcar os corruptos resolve tudo. Quem deve ser enforcado é o sistema eleitoral. Sem isso, de nada adianta punir ou envergonhar-se” (Folha de São Paulo 4/12). Para enganar os incautos, ele coloca o que é efeito, no caso o sistema eleitoral, no lugar da causa, ou seja, a existência de um sistema capitalista burocrático submetido a relações semicoloniais e semifeudais. A cavalaria a serviço da bandidagemTão marcante quanto as imagens de Arruda recebendo os pacotes de dinheiro e de seus apaniguados metendo-os na cueca e nas meias são as imagens da cavalaria avançando contra os estudantes e as pessoas que protestavam contra a permanência da quadrilha no gerenciamento do DF. Esta foi mais uma demonstração do uso do monopólio da força pelo apodrecido Estado brasileiro para defender a bandidagem incrustada nele. Aprofunda-se a subjugação
nacional
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![]() Obras Escolhidas IIIMao Tse Tung480 páginas De |
| Nº 86, fevereiro de 2012 |
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