Como AND noticiou em sua última edição,
os deslizamentos que mataram dezenas de pessoas em Angra dos Reis na virada
do ano não foram apenas consequência da fúria da natureza.

Adriana, Cabral e Luiz Inácio brindam a seus interesses
Em junho do ano passado, o gerente estadual Sérgio Cabral assinou o
decreto 41.921/09, desprotegendo a área de proteção ambiental
(APA) dos Tamoios, que abrange as regiões atingidas pelas chuvas em
Paraty e Angra dos Reis.
Liberadas as construções, incluindo em suas encostas, especuladores,
redes hoteleiras e outros empresários milionários, foram amplamente
beneficiados pelo decreto. Dentre eles está Luciano Huck, apresentador
da TV Globo, que possui uma imensa mansão em Angra dos Reis e expandiu
sua propriedade, justamente como desejava.
Curiosamente, o Ministério Público e a Procuradoria Geral do
Estado, abriram inquérito para investigar as motivações
do decreto, já que em 2007 a prefeitura de Angra dos Reis colocou em
suspeição as intenções da medida, já indicando
um suposto favorecimento ao apresentador de TV, que desde então, já era
acusado de fazer obras irregulares e prejudiciais ao meio ambiente em sua casa,
na Ilha das Palmeiras, na Baía de Ilha Grande. Sugestivamente, nessa
ação civil pública, a defesa de Luciano Huck no banco
dos réus foi feita pelo escritório Coelho, Ancelmo e Dourado
Advogados, de propriedade da esposa de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo
Cabral.
Mas não para por aí. O escritório da primeira-dama também é responsável
pela defesa de Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, dono do grupo Facility
e um dos maiores “fornecedores” do estado e amigos de Sérgio Cabral.
O empresário é alvo de inúmeras acusações
na Justiça do Trabalho por atacar trabalhadores e por não respeitar
seus direitos e salários. Um breve levantamento feito no 1º Tribunal
Regional do Trabalho (TRT) identificou 28 processos contra a empresa Service
Clean, integrante do grupo Facility, nos quais Adriana e seus colegas são
responsáveis pela defesa desta máfia inimiga dos trabalhadores,
que desde o início do gerenciamento Cabral, recebeu 57,8 milhões
do Estado.
Segundo o presidente da 2ª Câmara do Conselho Federal da OAB, Alberto
Zacharias Toron, responsável por processos disciplinares da Ordem, o
escritório de Adriana não poderia, em hipótese alguma,
se envolver em processos em que o estado é réu.
— Se forem tributos estaduais, há um claro conflito de interesse.
Isso pode também configurar concorrência desleal contra advogados
que não têm o mesmo acesso ao governador. E ainda abre brecha
para tráfico de influência — explica Toron.
Vale lembrar que este conflito de interesse vem de longe, já que o
mesmo escritório defendeu o Metrô Rio em uma ação
do Ministério Público Estadual, datada de 2008.
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