As mulheres levam sobre seus ombros a metade do céu e
devem conquistá-lo"
Mao Tsetung

Primeiro encontro de Engels com Clara Zetkin
no Congresso Internacional Socialista
em Zurique, em 1893
Há cem anos, Clara Zetkin, destacada dirigente do Partido Social Democrata
(Comunista) Alemão e da Internacional Comunista, propôs à II
Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca,
que se definisse um dia de luta das mulheres para todo o movimento comunista
internacional.
Era então agosto de 1910 e no mundo inteiro as mulheres militantes
revolucionárias participavam da árdua tarefa delegada pela Segunda
Internacional, quando esta ainda era composta pelos principais partidos e personalidades
revolucionárias da época: a criação de autênticos
partidos comunistas para dirigir a luta revolucionária em seus países.
Já naquele período as potências imperialistas começavam
a tocar os clarins para a primeira guerra imperialista de proporção
mundial.
A proposta de Clara Zetkin, aprovada por aclamação na conferência
de mulheres, foi preparada com afinco em vários países. Em 19
de Março de 1911, a primeira celebração do Dia Internacional
da Mulher Trabalhadora mobilizou mais de um milhão de mulheres que tomaram
as ruas das cidades da Alemanha, Suíça, Áustria e Dinamarca.
Em Berlim ocorreram 42 reuniões naquele dia, o mesmo se deu em toda
a Alemanha. No encerramento dessas reuniões, as mulheres desfilavam
pelas ruas empunhando cartazes. Na Áustria, mais de 30 mil mulheres
manifestaram-se nas ruas de Viena*.
Em 1912, milhares de mulheres reuniram-se em Essen, Leipzig e Erfurt. Grandes
passeatas tomaram as ruas de Dusseldorf e Berlim, desdobrando-se em enfrentamentos
com a polícia, resultando em inúmeras prisões das militantes
mais combativas. Em 1912 e 1913 ocorreram reuniões de manifestações
na Suécia. Também no ano de 1913, apesar da repressão
tsarista, as revolucionárias russas celebram o dia em reuniões
clandestinas em Moscou, Kiev, São Petersburgo, entre outras cidades.
Em 1914, em Paris, mais de 20 mil mulheres promoveram a primeira celebração
do dia internacional de luta das mulheres na França.
No dia 23 de fevereiro de 1917 do calendário gregoriano (8 de março
no calendário ocidental), as mulheres russas manifestaram-se em São
Petersburgo exigindo pão, o regresso dos maridos enviados para a frente
de batalha na I Guerra Mundial, a Paz e a República. A greve estendeu-se
rapidamente a todo o proletariado. Em poucos dias a greve de massas transforma-se
numa insurreição e ao fim de cinco dias cai o império
russo. A partir desse dia, o 8 de março passou a ser considerado a data
mundial para a celebração do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.
A historiografia oficial, nos anos de 1950, tentou suprimir estas referências
históricas excessivamente vinculadas ao movimento comunista internacional,
oferecendo a versão do incêndio da fábrica têxtil
no USA ou da manifestação das operárias em Nova Iorque
para desvincular a data e seu caráter de classe, bem como o papel da
luta revolucionária na determinação deste dia.
Resgatamos aqui sua história escrita com o sangue de inúmeras
lutadoras do povo ao longo de séculos de luta, homenageando as heroínas
da luta pelo socialismo nesse centésimo 8 de março.
*Informações divulgadas em artigo publicado por Clara Zetkin
no jornal Die Gleichheit (A Igualdade). Órgão de imprensa dirigido às
mulheres, cujo primeiro número foi publicado em janeiro de 1892. Clara
Zetkin foi sua redatora-chefe até 1917.
Alguns dados da situação econômico-social das
mulheres
- Em 2009 a Organização Internacional do Trabalho — OIT previu um aumento do desemprego mundial de até 51 milhões
de pessoas sendo, destes, 22 milhões de mulheres;
- O relatório
da OIT sobre "A evolução do
trabalho decente no Brasil entre 1992 e 2007" aponta que a jornada semanal
média das mulheres, incluindo o trabalho doméstico, soma 57,1
horas e ultrapassa em quase cinco horas a masculina (52,3 horas);
- Em
2007, enquanto que a taxa de desemprego masculina era de 6,1% a feminina
estava situada em 11%;
- Dados da Unesco de 2009 apontam que
776 milhões de adultos
em todo o mundo não sabem ler nem escrever, o que significa 16% da população
mundial. Dois terços desses analfabetos são mulheres;
- Dados
da Fundação Seade/Dieese de 2009 apontam
que as mulheres paulistas são maioria entre os desempregados naquele
estado e, quando empregadas, têm salário menor. De acordo com
o estudo da Fundação, o rendimento médio real por hora
das mulheres empregadas teve uma pequena queda em relação ao
ano anterior (-0,9%) e passou a corresponder a R$ 5,76. O valor equivale
a 76,4% do que é ganho pelos homens (R$ 7,53);
- Nos últimos 15 anos, o número de famílias
chefiadas por mulheres aumentou mais de 10 vezes no Brasil e saltou de 301
mil, em 1993, para 3,6 milhões, em 2007. Os dados divulgados em 2009
fazem parte do estudo "Retrato das desigualdades de gênero e raça",
realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em
parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM),
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Fundo
de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem);
- Relatório da Federação Internacional de
Planejamento Familiar (IPPF, na sigla em inglês), divulgado em 2007
estimava que 19 milhões de abortos clandestinos seriam realizados
no mundo naquele ano, provocando a morte de 70 mil mulheres, além
de deixar sequelas em milhares de outras. O estudo estimava que mais de 96%
das gestantes que perdem a vida ou sofrem danos à saúde por
causa de abortos inseguros vivem nos países mais pobres do planeta,
a maioria na África;
- No Brasil, os abortos ilegais são responsáveis
pela morte de 180 a 360 mulheres por ano;
- Os abortos clandestinos são a quarta causa de morte materna
no Brasil. Em 2006, 230.523 mulheres fizeram curetagens pós-aborto
em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento é indicado
tanto para mulheres que sofreram aborto espontâneo quanto para quem
sofreu complicações decorrentes da interrupção
induzida da gravidez;
- Infecções, hemorragias vaginais e outras complicações
decorrentes de abortos ilegais foram responsáveis por cerca de 1,2
milhão
de internações de mulheres em todo o país entre 2002
e 2007.

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