
Marreta em reunião com operários em canteiro de obras de Belo Horizonte
31 de dezembro de 2009
Morte na construção
da "Cidade Administrativa"
Luiz Carlos da Silva, operário nas obras da nova sede do governo de Minas
Gerais, morreu no trabalho no dia 31 de dezembro de 2009. Somente no dia 6
de janeiro seu falecimento foi confirmado pelo presidente da Companhia de Desenvolvimento
Econômico do Estado.
Osmir Venuto, dirigente do Sindicato os Trabalhadores da Construção
de Belo Horizonte e Região — o MARRETA — denunciou a tentativa do governo
Aécio Neves-PSDB de ocultar a morte de Luiz Carlos "para não
evidenciar a situação precária dos trabalhadores" [www.brasiliaconfidencial.inf.br em 8 de janeiro].
6 de Fevereiro
Operário morre esmagado em Itabira - MG
O operário Juliano Gonçalves de Oliveira, 23 anos, morreu esmagado
por uma motoniveladora nas obras do programa Pro-acesso, do governo
de Minas Gerais.
Este foi o segundo "acidente" com uma máquina pesada no mesmo local.
Durante o resgate do corpo de Juliano Gonçalves não apareceu
sequer um técnico em segurança do trabalho. A motoniveladora
ainda estava em funcionamento sobre o corpo do jovem operário.
10 de março
Operário morre em desabamento
O operário Gilmar Alves dos Santos, de 20 anos, morreu no desabamento
da obra de uma escola em Coronel Fabriciano, no Vale do Rio Doce-MG. José Roberto
Pereira, que trabalhava com Gilmar na obra ficou ferido.
Operário morre em queda de oito metros de altura em Belo
Horizonte
Leonardo Tomás, funcionário de uma empresa que prestava serviços
para a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), morreu no dia 10 de
março ao cair de uma altura de oito metros dentro de um bueiro na região
centro-sul de Belo Horizonte.
"Quando acontece um acidente, geralmente, foi porque o trabalhador estava
sem o equipamento adequado de proteção. Vamos procurar a família
dele e vamos entrar na Justiça contra a empresa e contra a empreiteira",
disse Osmir Venuto ao noticias.uol.com.br em 10 de março de 2010.
11 de março
Operário morre após queda de andaime em Belo Horizonte
O pintor Alípio Fernando Teixeira, de 21 anos, morreu ao cair de um
andaime no Bairro Buritis, onde se concentram grandes obras da capital mineira.
O MARRETA denunciou que "ele ainda ficou aproximadamente uma hora agonizando à espera
do Samu e faleceu por negligência do governo e culpa da empresa." Este
foi o segundo acidente envolvendo uma queda de andaime nessa semana em Belo
Horizonte.
12 de março
Jovem operário morre soterrado em Belo Horizonte
Charles Ferreira da Silva, operário de 18 anos, morreu soterrado em
uma obra no bairro Nova Suissa, região Oeste de Belo Horizonte. O Corpo
de Bombeiros trabalhou cerca de uma hora para retirar o corpo do operário
soterrado por toneladas de terra. O MARRETA denunciou que essa obra estava
embargada pelo Ministério do Trabalho por risco de desmoronamento.
22 de março
Operário morre com descarga elétrica 13 mil volts
Um choque de 13 mil volts matou um operário (seu nome não foi
divulgado até a publicação desta edição
de AND) em Pouso Alegre — sudoeste de MG — quando trabalhava
na construção de uma laje. O operário morreu antes de
ser socorrido pelos bombeiros, com o tronco e membros superiores queimados.
Entrevista: Osmir Venuto, dirigente do MARRETA
"O número de mortes é ainda maior"
AND - Qual a situação
atual dos operários
da construção em Belo Horizonte?
Osmir Venuto - São
muitas obras em execução
em toda a cidade que demandam um número crescente de operários.
As construtoras trazem trabalhadores do campo, principalmente do norte de Minas,
vale do Jequitinhonha e do nordeste do país, a maioria jovens, para
serem super-explorados e submetidos a verdadeira escravidão.
AND - Quais
são os problemas enfrentados pelos operários
da construção nos canteiros de obra?
Osmir
Venuto - Na maioria dos canteiros de obras os
operários trabalham sem receber o treinamento de segurança exigido
por lei, sem os equipamentos de segurança individual que não
são fornecidos pela empresa, e sem a aplicação de meios
coletivos de proteção que também não são
adotados pelas empresas. O número de fiscais do Ministério do
Trabalho para a fiscalização das condições de trabalho
em todas as empresas dos diversos setores em toda Minas Gerais (853 cidades) é totalmente
insuficiente, apenas duzentos.
AND - Daí o crescente número
de mortes...
Osmir Venuto - Eu gostaria de reforçar
que o número de mortes é ainda maior do que este que denunciamos.
Quando um operário cai e se machuca, muitas vezes é encaminhado
para um hospital e a causa de sua morte é registrada como "perda de
massa encefálica", "insuficiência respiratória", e não
como morte causada durante o trabalho por negligência das empresas construtoras.
Em 4 de janeiro um companheiro morreu em BH e nada foi noticiado, outro operário
morreu em uma obra em Juiz de Fora. Nós já contabilizamos doze
mortes nesse ano, e esse número não pára de crescer.
AND - Quais
ações o STIC-BH pensa
em realizar a respeito das mortes nos canteiros de obra?
Osmir
Venuto - Vamos até o Ministério
Público com a cópia do embargo à obra onde morreu o operário
Charles Ferreira. Como a obra estava embargada, a morte do companheiro é configurada
como homicídio. Exigiremos que a Polícia Federal prenda o responsável
pela construtora, que é também responsável pela morte
do trabalhador. Também vamos marcar uma audiência pública
na Assembléia Legislativa com o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura
e Agronomia — CREA, Ministério Público, entre outras entidades
e levar todas as denúncias apuradas pelo Sindicato. Organizaremos manifestações
no centro da cidade com painéis e fotos dos companheiros mortos nos
canteiros de obras. Temos fotos e registros do verdadeiro assassinato de companheiros
nas obras e a população precisa saber o que esta acontecendo.

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