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| A farsa da 'segurança nuclear' |
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| Hugo R C Souza | |||
Os chefes do coletivo de potências e de um punhado de semicolônias mais estratégicas para os interesses do imperialismo atenderam à convocatória do USA e viajaram para Washington em meados de abril para participarem de um convescote batizado de "Cúpula de Segurança Nuclear". Foram tantas as falácias inócuas e tão ensaiados os discursos dos gerentes de turno que o encontro poderia muito ter se chamado "Cúpula da Demagogia Nuclear".
O anfitrião, Obama, tentou posar de pacificador do mundo. Logo ele, que responde por todas as milhares de covas abertas recentemente no Oriente Médio e na Ásia Central por conta das violentas e covardes ofensivas coloniais de exércitos invasores armados até os dentes, e sob sua batuta. Mas, com tamanha desfaçatez, o chefe de turno do imperialismo ianque não tem por objetivo se qualificar para receber mais uma vez o prêmio Nobel da Paz; a tal cúpula foi convocada para que o USA informasse à "comunidade internacional" as bases de sua nova estratégia nuclear, calcada eminentemente na chantagem e no terrorismo, voltada contra países que figuram entre os alvos ianques no novo e profundo processo ora em curso de repartilha do mundo. Em suma, a "Cúpula de Segurança Nuclear", à qual Luiz Inácio deu a sua fanfarrona contribuição – clamando hipocritamente pela erradicação de todos os arsenais atômicos do globo – não passou de uma grande farsa. Mais uma. A trapaça central reside no fato de que justamente os poderosos que empurram o mundo para a guerra são os que enchem a boca para falar de um mundo mais seguro. Senão, vejamos:
É bom lembrar que os Estados socialistas nunca explodiram armas nucleares (exceto em testes), ao contrário do USA, que, não obstante a "Cúpula de Segurança Nuclear" que promoveu, acena com a intenção de não se fazer de rogado para realizar novos ataques atômicos em nome do seu projeto de dominação planetária. Quanto à questão mais abrangente das armas de destruição em massa, o histórico recente das potências capitalistas é de mentiras e falsificações (de relatórios, de inspeções e que tais) com o objetivo de pavimentar a estrada para a invasão dos seus exércitos. Foi assim com o Iraque do presidente Saddam Hussein. Como no Irã e na Coreia do Norte o campo de batalha se desenha mais árduo para o imperialismo, Obama está anunciando que se reserva o direito de detonar sobre os povos destas nações as primeiras bombas atômicas do século XXI.
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| Nº 86, fevereiro de 2012 |
| Edición en español |