O piso salarial (real) de um professor de nível médio de escolaridade
(chamado P1) é de 336 reais. Jà o professor com formação superior (P3) tem
como piso salarial 500 reais.
Trabalhadores da rede estadual de ensino de BH votam: greve da categoria
Rede municipal: o estopim para o levantamento geral
No dia 18 de março, os trabalhadores da rede municipal de ensino de
Belo Horizonte deflagraram a greve reivindicando 22,41% de reajuste salarial
e a melhoria das condições de trabalho.
Milhares de trabalhadores atenderam ao chamado da greve participando ativamente
das mobilizações e protestos, mantendo com combatividade o movimento
durante 27 dias. Por quase um mês, enfrentaram a intransigência
da prefeitura municipal, que se recusou a atender a maior parte das reivindicações
dos trabalhadores.
A greve foi marcada por massivas passeatas e assembleias. Durante as mobilizações,
estudantes apoiaram o movimento e participaram da maior parte das atividades
da greve. No dia 13 de abril a greve foi encerrada. A prefeitura acedeu em
reajustar os salários em 4,11% — que será pago a partir do mês
de maio — e em não descontar os dias parados durante a greve.
Rede privada de portas fechadas
No dia 4 de abril, os professores da rede privada de Belo Horizonte também
paralisaram o as aulas reivindicando reajuste salarial. A greve afetou os níveis
fundamental, médio e superior e contou com a adesão de cerca
de mil e quinhentos professores.

Trabalhadores em educação bloqueiam rodovia em Minas
Os donos das instituições de ensino privadas propuseram o reajuste
da inflação, porém com a perda do adicional por tempo
de serviço, do adicional extraclasse, das férias coletivas em
janeiro para professores do ensino superior e também a não garantia
de emprego durante o ano letivo.
Os trabalhadores responderam a contraproposta patronal com uma combativa manifestação
até a Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais, no
centro da capital, onde foi realizada uma reunião entre o sindicato
e representantes das escolas. O movimento estendeu-se por três dias e
foi encerrada com vitórias parciais dos trabalhadores: a manutenção
da atual Convenção Coletiva de Trabalho e uma recomposição
salarial de 4,36% (correspondente à inflação), a manutenção
dos atuais direitos da categoria e o reajuste serão retroativos a 1º de
fevereiro.
Greve por tempo indeterminado
No dia 8 de abril, mais de 5 mil servidores estaduais deflagraram a greve.
As sucessivas assembleias e mobilizações demonstraram a firme
determinação dos trabalhadores em levar a luta até a conquista
de suas reivindicações.
O valor do piso salarial para os professores que vigora no país, desde
1º de janeiro 2010, é de 1.204 reais. A Secretaria Estadual de
Educação, por sua vez, afirma que o menor salário dos
professores em Minas Gerais é de 850 reais, para jornada de 24 horas
semanais. Porém, não é isto que se percebe nas denúncias
da categoria. Contracheques lidos pelos trabalhadores durante as manifestações
revelam vencimentos irrisórios: uma professora magistrada recebe R$
369,00; um professor com nível superior, R$ 481,00 e um auxiliar de
educação, R$ 315,00.

Professores da rede particular apoiam a greve
Enquanto a gerência de turno Aécio, do PSDB, recusava-se mesmo
em reconhecer o movimento grevista, a combatividade dos protestos aumentava
e as mobilizações avolumaram-se, chegando a somar 10 mil trabalhadores
em um só protesto.
Uma medida autoritária tomada pelo Tribunal de Justiça de Minas
decretou a ilegalidade da greve e impôs o pagamento de uma multa milionária
ao sindicato no caso da sua continuidade. Em resposta, mais de dois mil trabalhadores
foram às ruas e paralisaram o trânsito no centro da capital mineira.
No dia 21 de abril, mais de 10 mil professores estaduais
provenientes de todas as regiões de Minas Gerais, concentraram-se em
São João Del Rei, interior do estado, em um grande protesto por
salários dignos e melhores condições de trabalho. No dia
23 de abril os trabalhadores das escolas estaduais de Uberaba, no triângulo
mineiro, promoveram um ato público por melhores salários e condições
de trabalho.
Já no dia 28 os trabalhadores em educação bloquearam
uma das principais estradas do estado, a rodovia Fernão Dias (SP-381),
que liga as cidades de Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). O protesto
durou duas horas e fechou o trecho da estrada próximo ao trevo de Carmo
da Cachoeira, no km 722,5. No mesmo dia outros protestos fecharam a
BR-50, no Triângulo Mineiro; a BR-381, no Vale do Aço e a BR-116,
na Zona da Mata, ocorreram protestos no centro de Montes Claros, no norte de
Minas e bloqueio da rodovia MG-10, em frente à sede do gerenciamento
de Minas Gerais, na cidade de Vespasiano. No dia 30 de abril, cerca de 300
professores fizeram um protesto na BR-050, km 63. Os trabalhadores colocaram
fogo em pneus e fizeram agitação com um carro de som explicando
o motivo do protesto aos motoristas.
A greve da rede estadual já dura mais de 6 semanas e representa um
novo momento na luta de classes dos trabalhadores na educação
do estado.
A categoria ergue
a cabeça
Rômulo Radicchi*
Há mais
de uma década sem uma recomposição salarial
digna, aos trabalhadores em educação de MG vem sofrendo com os
baixos salários, a precarização crescente de sua condição
de vida e trabalho. Tudo isso empurrou os trabalhadores para a luta.
A
direção do Sind-Ute é cutista e serve como correia
de transmissão do governo Luiz Inácio. Nos últimos anos
ela traiu todas as bandeiras de luta dos trabalhadores em educação.
Ao deflagrar a greve, os oportunistas só têm propósitos
eleitoreiros e se a luta se radicaliza isso se deve exclusivamente à disposição
dos trabalhadores da base.
A participação da categoria tem sido grande e maior ainda é a
demonstração de firme disposição de luta dos trabalhadores,
inclusive para ações mais radicais.
O Governo Aécio/Anastasia
diz não negociar com categoria em
greve e lança mão das atitudes mais reacionárias como
ameaça do corte de pagamento, ameaça de demissões, etc..
A direção oportunista do Sind-UTE, por sua vez, já sinalizou
sua determinação de acabar com a greve e só não
o fez ainda porque não encontrou ambiente favorável no comando
da greve, que conta com trabalhadores decididos em lutar.
É preciso
aguardar e manter todos os sentidos apurados, prosseguir na luta e fortalecer
a organização mais combativa, que se manifesta
nos núcleos classistas e organizações regionais, onde
a categoria ainda encontra lugar para tomar decisões e articular suas
ações rompendo com a crosta oportunista da direção
majoritária do Sind-UTE.
Em suma, a greve tem sido positiva do ponto
de vista político, pois
tem recuperado a autoestima da categoria, que tem levantado a cabeça
e se apresentando firmemente na luta contra o arrocho, a exploração
e a opressão.
*Rômulo Radicchi é Professor da rede estadual de
ensino e membro do Moclate – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação.
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