
Paragominas, MG, uma das maiores minas de bauxita do mundo
No último dia 2 de maio, um domingo, a transnacional norueguesa Norsk
Hydro, que atua no setor de mineração, anunciou com orgulho a compra
dos negócios de alumínio no Brasil do conglomerado transnacional
Vale (antiga estatal Vale do Rio Doce, hoje privatizada e controlada pelo capital
bancário e por acionistas estrangeiros). O acerto prevê o repasse
aos noruegueses (o governo de Oslo é o maior acionista da Hydro ), de
uma das maiores minas de bauxita do mundo, a de Paragominas, em Minas Gerais,
e da maior refinaria de alumina de todo o planeta, a Alunorte, no Pará.
Por US$ 4,9 bilhões, os sortudos estrangeiros
garantiram matéria-prima para a produção de alumínio
por mais de 100 anos, com a anuência da gerência petista e em detrimento
dos interesses das massas brasileiras.
Um século de autonomia para a produção de alumínio:
este foi o potencial alienado do povo brasileiro, verdadeiro dono de toda esta
riqueza. Entre esses donos usurpados estão 3,6 mil trabalhadores de
Paragominas, da Alunorte e de outros projetos "incluídos" na negociata
de matriz vende-pátria. Trata-se de mais um capítulo do progressivo
e criminoso processo de rapina do subsolo nacional pelos monopólios,
o que ocorre desde sempre neste velho Estado semifeudal, mas que foi severamente
agravado por Fernando Henrique Cardoso, quando da privatização
da Vale do Rio Doce, e por Luiz Inácio, notório amigo do monopólio
internacional da mineração, a cujas demandas se mostra sempre
pronto a atender.

Imensa área de exploração de bauxita
Em 2006, a gerência petista não poupou esmero na elaboração
de um projeto de lei cujo objetivo era abrir mais espaço para as mineradoras
estrangeiras sugarem o chão do Brasil. Maior espaço para a rapina
nas regiões fronteiriças do país, mais precisamente. À época,
a mobilização de Luiz Inácio e seu séquito se deu
sobretudo para atender a uma demanda da transnacional anglo-australiana da
mineração Rio Tinto.
O chão em troca de royalties
Esta empresa controlava uma mina de minério de ferro no estado do Mato
Grosso, a Mineração Corumbaense Reunida (MCR),
que fica a 50 quilômetros da fronteira com a Bolívia, o que estava
em desacordo com uma lei de 1979 que proíbe atividades de mineração
de companhias com mais de 50% de capital estrangeiro em áreas que fiquem
a menos de 150 quilômetros das fronteiras do país. Por outro lado,
a Rio Tinto estava amparada por uma emenda constitucional promovida em 1995
pela gerência FHC que permitiu a operação de monopólios
estrangeiros nestas áreas, desde que por meio de subsidiárias
registradas no Brasil.
Com as duas normas em vigor de maneira concomitante, e tendo em vista que
a Rio Tinto tinha planos de ampliar sua capacidade anual de mineração
na MCR de 2 milhões de toneladas para 15 milhões de toneladas,
os chefes da empresa farejaram contratempos jurídicos (a Advocacia Geral
da União já havia emitido em 2003 um parecer contrário à sua
presença em Corumbá) e requisitaram à gerência petista
o alinhamento da lei de 1979 com a emenda constitucional de 1995.

Caminhão Komatsu, para 181 toneladas, em destaque na foto ao alto, utilizado
nas extrações
Apesar do empenho com que o Departamento Nacional de
Produção Mineral (DNPM) abraçou a causa da Rio Tinto,
a burocracia emperrou, houve resistência de políticos mato-grossenses
que tinham interesses difusos na questão, a coisa atrasou, e por motivos
diversos a Rio Tinto vendeu sua mina de Corumbá para a Vale em janeiro
de 2009.
Luiz Inácio, entretanto, não esqueceu as demandas do monopólio
internacional da mineração, e continua empenhado em tomar de
FHC, que doou a Vale ao capital monopolista, o título de maior patrono
do entreguismo mineral no Brasil. Desta forma, pediu ao seu ministro das Minas
e Energias, o oligarca Edson Lobão, que preparasse um novo marco regulatório
para o setor que se acomodasse às reivindicações das mineradoras
estrangeiras. O resultado é o Novo Código Brasileiro de Mineração,
que deve ser votado no Congresso ainda em 2010. Entre outros presentes à rapinagem
internacional, o texto inclui o livre-trânsito para a exploração
mineral das terras das "nações indígenas", muitas das
quais fronteiriças, sob o álibi de que os índios serão
beneficiados pelos royalties que serão cobrados sobre a farra da expropriação.
No Canadá, greve de nove meses dos funcionários da Vale
Já fazem
nove meses que os combativos trabalhadores das operações
da Vale no Canadá estão em greve. São 3.100 bravos e inquebrantáveis
operários cujo tempo de movimento reivindicatório já ultrapassou
os 261 dias da paralisação de 1978-1979, que até então
havia sido a mais longa greve já registrada no complexo minerador da
província de Ontário. O executivo da Vale que responde pelas
operações da empresa no Canadá está escondido,
acossado pelos grevistas, tentando gerenciar a situação em um
local não identificado, tamanha é a radicalização
do movimento. Desde outubro do ano passado as minas de Sudbury e Port Colborne
estão operando com trabalhadores substitutos e não-sindicalizados.
Uma outra greve em outra mina da Vale no Canadá, a mina de níquel
de Voisey Bay, também já vai se aproximando de nove meses de
duração. A oferta global de níquel já foi reduzida
em 10%. Tudo começou quando a Vale, que comprou a canadense Inco em
2006, quis mexer nas aposentadorias dos funcionários e limitar seus
bônus vinculados ao preço do níquel que extraem da terra.
Hoje, os trabalhadores em greve acusam a empresa de querer acabar com seu sindicato,
e dizem que a luta contra a Vale-Inco agora vai além das questões
econômicas.

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