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Lúcia Skromov
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O Haiti passou por eleições depois de quase um ano do terremoto
de 7.3 na escala Richter e em meio a uma epidemia de cólera sem
precedentes. Os protestos no país são abafados, o povo é reprimido,
são publicadas inverdades e a imagem que os meios de comunicação
passam é a de extrema violência – negra do tamanho do
preconceito impingido ao povo haitiano – e como se ele estivesse à beira
de uma guerra civil. Tudo em nome da legitimação da ocupação
em um país que, desde sempre, resiste. Resistiu à escravidão,
ao colonialismo, aos golpes de Estado promovidos pelos impérios
de turno, resistiu e segue resistindo à fome e às invasões,
mesmo que precariamente, mas com incansável coragem.
O Haiti funciona como laboratório onde se desenvolve toda sorte
de games de guerra a serem aplicados nas periferias e favelas
de outros países. As favelas do Rio de Janeiro são testemunhas
disto. Já são 6 anos de ocupação da ONU e nada
ali mudou, exceto as cifras de morte... para mais. O mesmo índice
de pobreza, a mesma falta de infra-estrutura que permitiu que o terremoto
ceifasse mais de 250 mil vidas e ferisse milhares outras, a mesma ausência
de saneamento e serviços de saúde que permite que as doenças
e, agora, o cólera se alastrem a cada dia pelo país. Até o
momento, são mais de 2 mil mortos e por volta de 100 mil pessoas
afetadas, das quais a metade se encontra hospitalizada sem perspectiva
de sair com vida. .
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