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Ana Lúcia Nunes
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Alguns dias depois de chegar à Argentina, recebi um convite inusitado: viajar 4h para assistir a um julgamento. O convite, feito por Adriana Arce, não era para assistir a qualquer julgamento, mas ao julgamento dos militares que a prenderam e torturaram, em Rosário, na década de 70, quando ela era uma militante popular.

Manifestações na Argentina pelo julgamento dos militares torturadores
Adriana, assim como milhares de argentinos hoje, queria olhar nos olhos dos mesmos militares e sentir o gosto de vê-los pagar pelos crimes que cometeram. É a mesma sensação de Adriana Beatriz Mordacini, cujo depoimento assisti num dos tribunais de Buenos Aires, meses depois, e das incansáveis Madres, que acompanham todos os julgamentos, dos familiares, amigos e da população argentina, que se sente orgulhosa de, pelo menos, estar julgando os genocidas..
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