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| Venezuela: Continuísmo neoliberal e globalizante* |
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| Bandera Roja** | |||
Ao contrário do discurso de Chávez acerca do "neoliberalismo selagem", a política econômica na Venezuela tem sido, absolutamente, correspondente às orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI). Paralisia dos investimentos na produção, hierarquizando aqueles vinculados ao mercado especulativo. Paralisia da indústria, enquanto se oferecem facilidades à importação. Pagamento religioso das parcelas da dívida externa, com novos endividamentos em dólares de montantes milionários, atado ao aumento da dívida interna, o que resulta um incremento, em termos reais, da dívida externa, com a vinculação do grande banco ao capital financeiro internacional. Eliminação dos organismos de crédito do Estado, que canalizavam recursos aos pequenos produtores (ICAP, FONCAFE, FONCACAO, Corpoindústria, etc), para outorgar esta faculdade aos bancos privados. Desemprego na administração pública e complacência com as demissões nas empresas privadas. Eliminação da política assistencialista, quanto à seguridade social mantida pelos governos anteriores, para estabelecer também políticas assistencialistas, mas, agora, "bolivarianas". Reformas jurídicas que plasmam, com toda clareza, as exigências do capital monopolista internacional.Se alguma dúvida cabe sobre qual é a orientação do governo de Chávez, basta analisar seus esforços "para fora" na busca de capitais, "dinheiro novo" para a reativação da economia. Hoje é possível constatar a criação do que se tem chamado de "segurança jurídica" para que os capitais internacionais obtenham facilidades e benefícios elevados: Lei de Promoção e Proteção aos Investimentos Estrangeiros, que contempla o compromisso do Estado venezuelano em cumprir com benefícios esperados pelos investidores em caso de diminuição dos mesmos por fenômenos naturais, conflitos sociais, entre outros; lei que exonera do pagamento de impostos as empresa norte-americanas na Venezuela, em vigência desde 1º de janeiro de 2001 (dupla tributação); lei de Telecomunicações; lei de Licitações e lei de Fusões Bancárias. Estas outras leis, decretos, negociações e acordos atendem as exigências dos capitais internacionais para investir num determinado país.
A política econômica na Venezuela tem sido correspondente
Temos como exemplo: a permissão, dada aos capitais internacionais, de levar a República perante os Tribunais Arbitrais estrangeiros quando existirem conflitos; a possibilidade de remeter seus ganhos brutos às suas sedes centrais sem nenhum obstáculo jurídico; a possibilidade de impor suas normas trabalhistas internas sem nenhum respeito à soberania nacional, quanto ao cumprimento de nossas leis. Por exemplo, o McDonalds não aceita sindicatos em suas empresas, contrapondo-se assim não somente às leis venezuelanas como também aos acordos internacionais assinados pela Venezuela sobre esta matéria. Por outro lado, o chavismo ajustou, constitucionalmente, a participação do capital privado em nossa indústria básica, que inclui a petrolífera, e em todas as indústrias estratégicas. Seguiu com as privatizações das indústrias estatais e, inclusive, facilitou aos capitais internacionais a tomada de propriedades industriais estratégicas que estejam em mãos privadas nativas, como a "Eletricidade Caracas" - hoje propriedade de capitais norte-americanos - ou os principais bancos venezuelanos, tomados pelo capital espanhol.
A política econômica do governo chavista
Apesar de haver tido uma entrada, em três anos, de 70 bilhões de dólares e de haver incrementado a dívida, tal como o assinalou a tendência em 12 de fevereiro de 2002, diante da baixa persistente dos preços de petróleo, o governo tomou a determinação de liberar o dólar (desvalorização, de fato); de aumentar a base de aplicação do IVA; de impor o Imposto ao Débito Bancário; de impor um tal Imposto ao Luxo; de ampliar a base de aplicação do Imposto sobre a Renda. Quer dizer, um pacote "fundomonetarista", sem medidas compensatórias sociais. *Extrato do texto " Hugo Chávez e a 'revolução' bolivariana: outro logro ao povo venezuelano " ** Bandera Roja é uma organização política da Venezuela que se reivindica marxista-leninista. Surgida na década de 60, desenvolveu a luta armada até o ano de 1994, através da guerra de guerrilha rural. Em 1992, apoiou o levante militar liderado por Chávez e em 1998 propôs a discussão do programa para sua candidatura à presidência da República. Segundo BV Chávez negou-se a colocar seu programa em discussão, assim como dispensou o apoio de Bandera Roja à sua candidatura. Esta organização tem, desde que abandonou a luta armada, se dedicado à política eleitoral, lançando e apoiando candidatos aos vários cargos eletivos na Venezuela, chegando a ter um representante na Constituinte. No movimento estudantil, troca favores com a direção da Universidade para assegurar cargos em sua estrutura e, por fim, no movimento sindical está em aliança com o oportunismo da CTV (Central de Trabalhadores da Venezuela). Ao participar das manifestações organizadas pela grande burguesia, o latifúndio e a tecnoburocracia serviçais do imperialismo, sem criticá-los e sem apresentar claras propostas que favoreçam à organização independente do proletariado, do campesinato e de todo povo, Bandera Roja aprofunda ainda mais sua distância das principais aspirações do povo de seu país. Sua crítica, pela esquerda, à política econômica de Chávez, mesmo levantando aspectos bastante objetivos, é válida, mas perde densidade diante de sua prática.
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Marx & Engels |
| Nº 89, maio de 2012 |
| Edición en español |