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Barack Obama: um chefe de Estado ainda mais assassino

Há poucos meses da eleição presidencial no USA o jornal New York Times publicou uma polêmica análise de Barack Obama, denunciando como na prática seu governo intensificou a política de "guerra ao terror". O jornal descreve um governo Obama muito mais devastador que a era Bush.

A matéria publicada no dia 29 de maio descreve como Obama autoriza pessoalmente todos os bombardeios no Paquistão, Iêmen, Somália e Afeganistão. Os ataques, que são supostamente contra líderes da Al Qaeda e do Talibã, têm consolidado essa nova onda de bombardeios através de aviões não tripulados, conhecidos como Drones (ver box). Essas bombas já assassinaram centenas de cidadãos nesses países, mas essas chacinas são pouco divulgadas, já que boa parte das vítimas são taxadas de "militantes terroristas". "Na verdade, são considerados militantes terroristas todos os homens com idade suficiente para serem militares, de acordo com vários oficiais da administração (...) Esse método de contagem pode parcialmente explicar os dados oficiais que apontam uma quantidade extraordinariamente pequena de mortes colaterais", explica a matéria assinada pelos repórteres Jo Becker e Scott Shane.

A Força Aérea ianque afirma que, ao contrário dos ataques usando mísseis, o uso de Dronesé mais preciso e apresenta pouquíssima margem de erro, mas de acordo com a matéria o que vemos é um bombardeio mais intenso e selvagem com uma quantidade de vítimas ainda maior. "Me incomoda quando eles dizem que lá haviam sete homens e que eles deviam todos ser militantes terroristas (...) Eles contam os cadáveres e eles não estão realmente certos sobre quem eles são", afirmou um oficial da inteligência americana anonimamente entrevistado pelo jornal.

Alguns oficiais do Departamento de Estado denunciam que os critérios usados pela C.I.A. (Agência Central de Inteligência) para identificar terroristas eram demasiadamente brandos. Esses critérios inclusive deram origem a piadas entre alguns oficiais de Estado, afirma o New York Times. "Quando a CIA vê três pessoas fazendo polichinelos a agência já considera que isso é um campo de treinamento. Se veem homens carregando um caminhão com fertilizantes, eles já consideram que podem ser fabricantes de bombas", ironizam os oficiais.

Continuador da era Bush

No dia 3 de junho o jornal britânico The Observer (a versão dominical do The Guardian), amplificou o conjunto de denúncias. Segundo o jornal, o presidente Obama, além de conduzir pessoalmente os bombardeios dos drones, segue desenvolvendo um conjunto de políticas que intensificam o papel policial e assassino do USA. Seu governo tem levado a cabo um feroz plano de vigilância interna e externa, sendo um deles o investimento bilionário na construção de uma gigantesca central de vigilância, a Utah Data Centre (ver box). Além disso, Obama não cumpriu a promessa de fechar a prisão de Guantánamo, pelo contrário, expandiu a "guerra ao terror" e reduziu ainda mais os direitos elementares da população.

Um exemplo é a modificação da lei militar chamada National Defence Autohorization Act (Lei de Autorização de Defesa Nacional), que tem uma nova cláusula com vaga definição sobre quem pode ser "apoiador de terrorismo". O The Observerdenuncia que vários jornalistas e ativistas já entraram na justiça contra essa lei, já que ações como entrevistar membros do Hamas ou do Wikileakspodem ser consideradas apoio ao terrorismo. Uma conselheira do Departamento de Justiça ianque, Jesselyn Radack, denunciou através do The Guardian que o governo Obama já utilizou seis vezes a Espionage Act (lei antiespionagem criada durante a 1a Guerra Mundial), quantidade essa maior do que a soma de todos os usos feitos por presidentes anteriores. Dentre elas, a condenação do agente da CIA, John Kiriakou, que tornou públicos alguns documentos de guerra, e também do cidadão Thomas Drake, que investigou e denunciou o superfaturamento na construção de uma central da Agência Nacional de Segurança.

Romney = Obama

"A política de segurança do presidente Barack Obama é contraditória com as expectativas de seus apoiadores em 2008, quando ele propagou uma poderosa mensagem de romper com seu predecessor George W Bush", afirma o repórter Paul Harris na matéria do The Observer. Não é de se assustar que prestes a concluir quatro anos de mandato estouram comparações de Obama com Bush. A eleição de Obama no final de 2008 representou uma nova máscara para a política ianque. O presidente assumiu uma postura tida como mais "ética e moral", diferenciando do aspecto cowboy e inconsequente de Bush, mas essa fachada, como demonstram os fatos, só oferece condições ainda mais ideais para intensificar a repressão aos povos e a política de vigilância.

Nas eleições presidenciais de novembro, tudo indica que a polarização política entre o republicano Mitt Romney e o democrata Barack Obama não será tão grande quanto em 2008, e certamente o povo estadunidense já entende que as diferenças entre eles são mínimas, já que tanto um quanto o outro seguirão aplicando a mesma política. A revista Foreign Policyjá publicou uma matéria sobre o tema intitulada: "Barack O’Romney:  Ignore o que os candidatos dizem que vão fazer de diferente em política externa. Eles são basicamente a mesma pessoa." O ativista inglês Clive Stafford Smith, diretor da organização de solidariedade Reprieve, que debate o papel da intervenção dos drones, publicou no blog reprieve.co.uk um irônico questionamento: "Fundamentalmente, Mitt Romney está frente a um dilema: O que um candidato republicano deveria fazer para ultrapassar o extremismo de seu oponente democrata?".

Utah Data Center: construída para vigiar o povo no mundo todo

A Utah Data Center (Central de Informações de Utah) está sendo construída pela Agência Nacional de Segurança (ANS) na pequena cidade de Bluffdale, no estado de Utah. A instalação, tida como secreta, visa interceptar, decifrar, analisar e armazenar uma astronômica quantidade de informações, interceptando satélites, cabos internacionais de dados (subterrâneos e subaquáticos) e redes de dados estrangeiras e domésticas.

A obra é avaliada em 2 bilhões de dólares e deve iniciar suas operações em setembro de 2013. Um banco de dados com capacidade quase infinita vai armazenar todas as formas de comunicação, incluindo e-mails pessoais, ligações telefônicas, buscas no Google, redes sociais, itinerários de viagens, compras virtuais e outros traços deixados pelos meios de comunicação.

Essa obra é a realização do Total Information Awareness, um programa criado pelo governo Bush, mas que foi interrompido em 2003 após série de denúncias contra o potencial de invadir a privacidade das pessoas.

Além de intervir em inúmeras redes de dados, a central terá um setor especializado em quebrar códigos. Dados criptografados como documentos militares estrangeiros, segredos diplomáticos e comunicação pessoal confidencial poderão ser quebrados.

A revista britânica de tecnologia Wired reproduziu denúncia de um oficial envolvido no projeto dizendo que a ANS está se especializando em quebrar complexos sistemas criptografados usados não somente por governos mas também por simples usuários.


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