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| Matança nos canteiros de obras | ![]() | ![]() | ![]() |
| Mário Lúcio de Paula | ||||
Na tarde de 24 de julho, dois operários foram enterrados vivos em uma obra no bairro Riacho das Pedras, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Irinilton dos Santos, de 28 anos, morreu na hora. Era o seu primeiro dia de trabalho. Ele havia chegado a uma semana da Bahia, seu estado de origem. Outros dois irmãos de Irinilton também trabalham nessa mesma obra. O outro operário, Geraldo Vicente Filho, de 42 anos, sobreviveu ao soterramento. Ele ficou coberto de terra até a cintura durante cerca de uma hora e foi encaminhado para o Hospital Municipal de Contagem. Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção de Belo Horizonte e Região, o 'Marreta', esta obra, executada pela Empreiteira Reis, "estava totalmente irregular, não possuía sequer a liberação pela Prefeitura de Contagem". Os vizinhos do terreno, temerosos pela profundidade das escavações, que já superavam os 4 metros abaixo do nível da rua, denunciaram o fato ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MG) que apenas compareceu ao local e não tomou as providências necessárias. Também em Contagem, no dia 3 julho, dois operários, um de 24 e outro de 31 anos, foram soterrados após um desabamento enquanto trabalhavam em uma obra na BR-040. Felizmente os dois sobreviveram. Nessas obras não havia o escoramento adequado conforme as normas regulamentadoras de segurança do trabalho. Osmir Venuto, presidente do Marreta, denuncia que essa situação é frequente: no dia 18 de maio, em Confins, dois operários da construção civil que trabalhavam em uma obra da Companhia de Saneamento de Minas Geraise Prefeitura, também morreram soterrados. Os operários Nivaldo do Porto, 34 anos, e Wellington Rodrigues, 39, foram esmagados por 12 toneladas de terra quando escavavam um barranco para a abertura da rede para captação da água da chuva. — A situação de irregularidades nos canteiros de obras é gravíssima — assinala Osmir, que continua — O que ocorre não são 'acidentes' ou mortes isoladas, mas um verdadeiro morticínio. Em Belo Horizonte e região, nesses sete meses de 2012, pelo menos 16 operários já foram mortos pela negligência, descaso, irresponsabilidade e ganância das construtoras e seus 'gatos' [aliciadores]. Em todo o estado de Minas Gerais esse número passa de 27. E isso são dados de mortes que vêm a público no noticiário. Na maioria das vezes, quando um operário acidentado é levado para um hospital e morre, a causa da sua morte é dada como 'insuficiência respiratória', quando na verdade foi causada por uma queda, choque elétrico ou desabamento, causas mais comuns das mortes. As obras são tocadas de qualquer jeito, de forma acelerada, sem fiscalização e com objetivo apenas de proporcionar lucro máximo para as empresas, sem preocupação pela vida dos operários. — Se isso aqui fosse cumprido — destacou Osmir mostrando as cartilhas da NR18 e NR24* — não haveria tantas mortes e mutilações nos canteiros de obras. As campanhas do governo e das empreiteiras colocam a culpa dos acidentes no trabalhador, mas de que adianta eles fornecerem equipamentos de proteção individual se não fornecem os equipamentos de proteção coletiva? De que adianta darem um cinto de segurança para um operário se ele não tem onde prender esse cinto? As empresas são obrigadas a fornecer equipamentos e treinamento para os trabalhadores. Isso é lei, e elas não cumprem. O que ocorre hoje são crimes premeditados, assassinatos de trabalhadores, e não 'acidentes' isolados. Usina Colíder — MTDeslizamento mata operário em obra do PAC
Um grande deslizamento de terra nas obras da Usina Hidrelétrica de Colíder (uma das cinco do Complexo Hidrelétrico do Teles Pires), localizada no município de Nova Canaã do Norte, Mato Grosso, matou o operário Jonas Da Silva Santos, de 19 anos. A usina é mais uma grande obra do PAC, do governo federal. Jonas trabalhava orientando veículos que circulavam pela área conhecida como "bota-fora 1", na margem direita do rio Teles Pires, onde é despejado o material não utilizado na obra quando a terra cedeu. O deslizamento aconteceu no dia 15 de julho, mas até o momento o corpo do jovem operário não foi encontrado, pois seu corpo desapareceu em uma área de aproximadamente um quilômetro de extensão e 12 metros de profundidade. As dimensões desse desastre são tamanhas que, com o desmoronamento, quatro caminhões um trator tombaram. Os motoristas sofreram ferimentos, mas sobreviveram. Todos esses trabalhadores são contratados pelo consórcio EPC. Essa obra chegou a ser embargada em setembro do ano passado, por não ter um plano de gerenciamento de resíduos sólidos, foi multada por não cumprir recomendações do Ministério Público Estadual e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, mas retomou seu ritmo normal em 5 de outubro passado. A Justiça de Mato Grosso, por meio do Ministério Público do Trabalho, conseguiu uma liminar que suspende todas as atividades dos 1.700 operários no "Bota-fora 01", onde Jonas está soterrado. Três mortes em uma semanaEm apenas uma semana, três operários da construção morreram em decorrência das péssimas condições de trabalho na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além de Irinilton dos Santos, outros dois casos foram registrados: No dia 19 de julho, Antônio Abel de Oliveira, 55 anos, natural do Piauí, operário armador, morreu de exaustão, perdendo sangue pela boca após passar mal no canteiro de obras. Ele trabalhava na construção do Mineirão, obra da copa do mundo da Fifa. Também no dia 19, Benedito de Assis, de 59 anos, foi atropelado e esmagado por uma máquina pesada em uma obra eleitoreira de recapeamento de asfalto em um bairro nobre na zona Sul de Belo Horizonte. Na semana seguinte, em 26 de julho, Ronilton Oliveira Marinho, de 34 anos, foi esmagado por uma laje no Bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte, enquanto trabalhava na demolição de uma casa para a construção de um prédio. Outros dois trabalhadores da mesma obra ficaram feridos nesse desabamento. Seriamente feridos, os companheiros Leonardo Ferreira de Jesus, de 30 anos, e José Maria Feliciano, 49 foram encaminhados para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. ___________________ ArcelorMittal, MG19 metalúrgicos mortos em sete mesesOs operários da ArcelorMittal denunciam que, apenas em 2012, 19 trabalhadores morreram em decorrência de "acidentes" em suas instalações em todo o mundo. A ArcelorMittal representa o maior grupo siderúrgico do mundo, com mais de 320 mil trabalhadores e fábricas em 27 países. Os operários acusam a transnacional de não garantir as condições mínimas de segurança para seus funcionários. No ano passado, 23 operários sofreram "acidentes" fatais nas dependências da empresa em diferentes países. Os operários de Contagem e Betim — MG (Arcelor Mittal Belgo) denunciam a política de demissões em massa de antigos operários especializados conhecidos como operadores e a sua substituição por "ajudantes de profissão". Esses ajudantes recebem salários várias vezes inferiores aos dos operadores e não têm direitos como a Participação nos Lucros e Resultados — PLR. Os operários de Betim e Contagem ainda denunciam que há um elevado número de trabalhadores com doenças mentais e problemas ortopédicos sendo demitidos sumariamente pela empresa.
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