A guerra popular quebra a vacilação das mulheres

Entrevista com a camarada Janaky (Anuradha Ghandy), foto

http://www.anovademocracia.com.br/107/22a.jpg

Esta entrevista foi realizada pelo jornal Poru Mahila, da organização de Mulheres Revolucionárias Adivasis (KAMS) de Dandakaranya e foi publicada em março de 2001. A camarada Janaky, falecida em abril de 2008, era membro do Comitê Central do Partido Comunista da Indía (Maoísta). Sua exposição sobre a situação da mulher na Índia e, em particular, sobre o movimento revolucionário das mulheres é muito ilustrativa sobre como se desenvolve o processo de libertação da mulher na velha sociedade e dentro do processo revolucionário.

Poru Mahila:  Camarada Janaky poderia explicar a opressão enfrentada pela mulher urbana?

Camarada Janaky: As mulheres indianas sofrem a opressão feudal, capitalista, imperialista e patriarcal, que aparece de várias formas e em vários lugares, tanto no campo como na cidade. Em primeiro lugar, se analisamos o problema no seio da família, inclusive em áreas urbanas, as mulheres estão oprimidas pela cultura feudal.

Ainda que a opressão na cidade possa ser menos severa, a maioria das meninas e mulheres não tem o direito de tomar decisões importantes sobre sua vida familiar. As moças solteiras são pressionadas a se casar com homens da mesma casta e religião, de acordo com as decisões familiares. Caso uma moça queira se casar com um homem que ela escolheu e que seja de outra casta ou religião, será submetida a uma grande oposição familiar. Inclusive se uma mulher deseja trabalhar fora de casa, precisará ter a autorização paterna, do irmão ou do marido. Algumas pessoas de determinadas castas e religiões (por exemplo, os muçulmanos e kshatriyas) não gostam que as mulheres trabalhem. Por isso a mulher tem que lutar inclusive por sua independência econômica.

http://www.anovademocracia.com.br/107/22b.jpg
Mulheres adivasi, em Bengala, Índia

Além disso, desde que os valores capitalistas penetraram amplamente no país, as relações homem-mulher foram mercantilizadas e as mulheres enfrentam graves problemas. O dote e outros artigos que a família da noiva deve dar à do noivo antes e depois do casamento se converteram em grande problema para os pais que têm filhas. Também é comum, em todas as comunidades, acossar as mulheres pelo dote, tanto física como mentalmente. Quando a vida da esposa pode ser medida em dinheiro e ouro, matá-la em benefício próprio não está descartado. Nos últimos 25-30 anos, na Índia, um novo crime se tornou moda: queimar noivas pelo dote.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin