Rondônia: assassinato de Renato não ficará impune

Uma comissão de entidades democráticas e de defesa dos direitos do povo foi até Jacinópolis, Rondônia, exigir a apuração do assassinato do professor Renato Nathan, grande apoiador da luta camponesa, executado, segundo denúncias dos camponeses, por policiais civis em 9 de abril do ano passado.

Representantes do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – Cebraspo, Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Abrapo, Comissão Pastoral da Terra de Rondônia – CPT, professores da Universidade Federal de Rondônia - Unir, Diretório Central dos Estudantes da Unir, representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Rondônia, Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Rondônia, representantes do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e da Rede de Movimentos Contra a Violência do RJ participaram da comitiva.

Dias antes de sua chegada em Rondônia, a comissão comunicou ao governo federal, através de correspondência assinada por várias entidades e dirigida ao desembargador Gercino José da Silva Filho, ouvidor agrário nacional, solicitando que ele comunicasse o delegado de Buritis e agendasse uma reunião com a comissão no dia 18 de março. O ouvidor agrário não esboçou qualquer resposta.

Mas, apesar do boicote, a comissão protocolou um documento na delegacia de polícia de Buritis marcando audiência para o dia 08 de abril às 11:00hs quando serão solicitados esclarecimentos sobre o desenvolvimento das investigações  sobre o assassinato de Renato Nathan. Nesta mesma data também será protocolada uma ação no Fórum de Buritis, a partir de petição elaborada pelo escritório Nilo Batista e Associados do Rio de Janeiro com a colaboração da Abrapo, cobrando providências e medidas para que essas investigações ocorram.

Camponeses denunciam terror

Nos dias 16 e 17 de março, a comissão de entidades esteve em Jacinópolis, ouviu as denúncias dos camponeses e reuniu materiais para realizar uma grande campanha de apoio à luta dos camponeses de Jacinópolis em todo o país e também no exterior.

Mesmo debaixo de forte chuva, vários camponeses compareceram a uma reunião para dar seus depoimentos e manifestar sua revolta, em particular com a omissão do judiciário e dos governos em relação ao assassinato de Renato Nathan, apoiador da Liga dos Camponeses Pobres – LCP e de Escolas Populares naquela região.

Os camponeses mais velhos descreviam a história daquela área que foi criada com o seu suor e trabalho, da participação decisiva do professor Renato Nathan para a luta camponesa naquela área. Ressaltaram seu papel como mobilizador da juventude, pronto para auxiliar na solução dos problemas do dia a dia, incansável nas tarefas da luta, da alfabetização das crianças e adultos, grande animador da luta camponesa em toda a região.

A comissão registrou várias denúncias da ação de grupos de pistoleiros que agem com total conivência das forças de repressão, a tortura do camponês "Roliço", que foi preso, sequestrado por policiais civis de Ouro Preto D’Oeste, barbaramente torturado até entrar em coma e, ainda assim foi mantido algemado no leito de um hospital em Porto Velho. As famílias relataram o terror que passou a imperar na região, particularmente após os acontecimentos que a imprensa de Rondônia chama de a "Chacina de Buritis": um acerto de contas armado que envolvia roubo de gado e a venda desses animais e que resultou na morte de seis pessoas, entre elas dois camponeses, um agente penitenciário e um policial civil de Ouro Preto D’Oeste.

Jacinópolis sitiada

Jacinópolis está localizada em uma região onde ocorrem grandes conflitos agrários e possui histórico de brava resistência camponesa. Há graves registros de atrocidades policiais nessa região, sendo a mais recente a execução de Renato Nathan. Toda a área está militarizada, com forte presença das forças de repressão, inclusive do exército, e já foi alvo de três grandes operações Aciso (Ação Cívico-Social) do exército. As ameaças de despejo contra as áreas camponesas são constantes. O ambiente é tenso. Os camponeses denunciam cerco do Estado que impõe uma verdadeira "lei do silêncio", contribuindo para o clima de terror que impera na região.

 

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