Zé da velha guarda do choro

Trombonista nascido em Aracaju, SE, e radicado no Rio de Janeiro desde os oito anos de idade, Zé da Velha é um autêntico representante da velha guarda do choro carioca. Criado em Olaria, subúrbio do Rio, tocou nas rodas de choro do lendário Suvaco de Cobra, e forma com o trompetista Silvério Pontes, uma das mais conhecidas duplas de choro do país.

http://www.anovademocracia.com.br/125/13.jpg

— Comecei a aprender música com meu pai, que era alfaiate e também músico saxofonista. Depois aprendi com uma bandinha daqui de Olaria. Mas na época ainda não era o trombone de vara, e sim o de pisto, o trompete. Com o tempo passei para o trombone de vara, porque a minha paixão era ele — fala Zé da Velha.

— E foi indo até que meu professor de música pediu para fazer uma temporada no Bola Preta em seu lugar, todos os domingos. Ia de novembro até o último domingo antes do carnaval. ‘Zé, eles tocam muito samba, choro, e o meu negócio é mais carnaval. Indiquei você porque sei que gosta muito de tocar choro’, falou.

Lá chegando, Zé encontrou uma turma da velha guarda do choro, que tocava Pixinguinha.

— Era o Dunga, o João da Baiana, Patrício Teixeira, um pessoal da antiga. Comecei a tocar com eles e deu certo, porque além de serem pessoas muito bacanas, a maior parte das músicas era choro. Um mês depois conheci o Pixinguinha e comecei a fazer umas coisas com ele também.

— Ele já tinha um trombonista, o Orlando Silva Leite, que tocava trombone de pisto e era muito bom nisso. Mas às vezes não podia ir e então eu ia em seu lugar. Não era sempre, e sim uma vez ou outra quando eu também podia, é claro. A partir daí me encaixei de vez no choro e estou até hoje — continua.

— Trabalhei em algumas mini-orquestras, meu pai também tinha um mini-conjunto, e neles tocava vários tipos de músicas: marchinhas, dobrado, sambas, boleros, e por aí afora. Mas é o choro a minha paixão, isso desde garoto. Para mim é o melhor gênero musical que existe. Claro, trata-se de uma questão de gosto — acrescenta.

Nesse tempo que começou sua vida profissional, Zé estava com 17 anos, mas logo recebeu o apelido ‘Da Velha’.

— Por tocar com uma turma da velha guarda, o pessoal começou a me chamar de Zé da Velha Guarda. Eles diziam uns para os outros: ‘É aquele garoto que toca com a velha guarda’. ‘Ah, sim, o Zé da velha guarda’. E ficou.

— Depois quando eu estava com uns 18 para 19 anos, uma senhora, que na época já devia estar com seus 70 anos, passou a frequentar todos os domingos o Bola Preta. Ficava sozinha em uma mesa lá em frente ao palco, tomando guaraná o tempo todo. Quando eu acabava de tocar, ela levantava, pegava um copo de guaraná e me oferecia — conta.

— O pessoal ficou de olho nisso, e quando essa senhora não aparecia, eles diziam: ‘Ih, hoje a velha do Zé não veio’. Então o João da Baiana acabou cortando o ‘Velha Guarda’ e colocando Zé ‘Da Velha’ só. Ele era muito brincalhão e só me chamava de ‘meu sobrinho’. ‘Meu sobrinho, essa velha aí gosta muito de você hein’, dizia.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro