Teatro precursor e resistente

http://www.anovademocracia.com.br/130/14a.jpgFazendo teatro que busca indagar e de alguma forma responder questões sociais, a Cia. Fábrica São Paulo completa 31 anos de existência. Com um trabalho intenso e espetáculos nada convencionais, com o público caminhando com a cena, o coletivo faz desse público mais que um espectador: uma espécie de testemunha, um elemento a mais na cena.

Surgimos com o propósito de fazer um teatro diferente do que se tinha na época, ocupando espaços que hoje são chamados de não convencionais, e que naquele tempo ainda não tinham esse nome. Procurávamos ocupar galpões, fábricas abandonadas, com espetáculos — conta Roberto Rosa, diretor e ator do grupo.

As apresentações dos espetáculos também eram diferentes, com o público não sentando em cadeiras e sim acompanhando a cena, caminhando com a cena dentro da fábrica. Daí veio o nosso nome — explica.

Em 1986/87 montamos um estúdio de teatro no bairro da Penha, aqui em São Paulo. Era no segundo andar do antigo cinema do Centro Comercial da Penha, com salas, corredores, banheiros, tudo a nossa disposição, por onde passávamos com os espetáculos.

 No final de 1989, segundo Roberto, o Fábrica se viu em falência, porque fazia espetáculos para a ‘elite da elite’ que frequenta teatro.

— Então pegamos o ator trabalhado para estar fora de um espaço convencional de teatro e o colocamos dentro de um teatro de arena, em novo modelo de espetáculo, montando-o em qualquer espaço livre. Assim passamos a nos apresentar nas ruas, sindicatos, empresas, escolas etc, aumentando muito a quantidade de público, tendo condições de sobrevivência.

— Assim, o nosso teatro saiu de dentro das fábricas e foi para onde fosse requisitado. Aumentou em muito o campo para expormos nossas ideias. Nessa época estávamos trabalhando O Arquiteto e o Imperador da Assíria, de Fernando Arrabal, e Alto Mar, de Slawomir Mrozec — acrescenta.

Esses textos, conforme Roberto, trazem uma crítica à sociedade, especialmente as formas de poder, como se organiza.

— Para se ter uma idéia, Alto Mar conta a história de três náufragos muito bem vestidos, dentro de um barco inflável. De repente acaba a comida e eles têm que decidir qual dos três será comido pelos outros dois — conta.

— Como são pessoas da sociedade, o Mrozec vai fazendo um apanhado nos mecanismos de escolhas que ela oferece. Ele faz uma espécie de raio x na sociedade, do que nos oferece como poder de escolha coletiva.

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