Teatro e música na periferia

Coletivo que resiste como fazedor de arte em Taboão da Serra, cidade/dormitório, onde mora o povo pobre, periferia da capital paulista, o Clariô mantém um espaço cultural de referência na região, onde acontecem encontros, saraus, espetáculos etc. Realizando uma séria pesquisa teatral voltada para a comunidade e a cidade, o grupo trabalha, paralelamente, um conjunto musical na mesma linha.

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O trabalho que desenvolvemos hoje começou a acontecer há uns 15 anos, quando houve umas oficinas de teatro aqui em Taboão. Parte das pessoas que hoje formam o Clariô participaram desses estudos, dessas oficinas, entre eles Mario Pazini Junior, o Marinho, nosso diretor, que faleceu em março deste ano — conta Martinha Soares, atriz e cantora, integrante do grupo.

— O Marinho tinha um grupo chamado Lasca o Oco, e com as oficinas o pessoal resolveu formar um outro, que se chamou Etôno Boró.  E dessas duas formações foi surgindo um pessoal fazedor de teatro popular na cidade, peças na rua com a participação da comunidade — continua.

— E veio a vontade de fortalecer um grupo de pesquisas e espetáculos. Assim o Lasca o Oco e o Etôno Boró começaram a se fundir nesse sentido. Foi quando participaram de um projeto conseguindo uma verba. Nessa época o grupo estava passando uma crise financeira muito grande e alguém falou: ‘puxa, finalmente clariô’ — explica a origem do nome.

Além de Martinha Soares, o Clariô tem Naruna Costa, Naloana Lima, Wil Damas, Michele Andrade e Alexandre Souza, conhecido como ‘João’ por conta de um personagem que fez.

— Cheguei no grupo em 2006, quando o pessoal já tinha conseguido alugar a nossa sede para guardar cenário, ensaiar, fortalecer e estudar o fundamento de linguagem, chamada Espaço Clariô de Teatro, tudo com a verba daquele primeiro projeto — diz Martinha.

— Com o aprofundamento dos estudos veio a necessidade de falar de questões mais fortes, que talvez um texto dramatúrgico pronto não desse conta. Além disso, o Espaço Clariô começou a sediar muitas discussões sobre questões políticas da cidade, e até discussões do movimento sem terra foram realizadas aqui.

— Fizemos pesquisas sobre o morador da periferia, essas questões de moradias, as questões das mulheres que nos rodeavam, essas mães daqui, muitas delas migrantes do Nordeste, que vieram em pau de arara, em uma luta pela sobrevivência. Pesquisas dentro do universo da cultura popular, das manifestações, também sempre fizeram parte do grupo — acrescenta.

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