Harpa para muitos estilos

Jovem e talentoso harpista, cantor e compositor, o goiano Thiago Raja vem conquistando um grande público com sua arte. Dedicado à harpa, Thiago é um estudioso do instrumento. Seu desejo é divulgá-la em todo o país, através de seus discos e projetos que levam o instrumento ao encontro do povo.

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— Sou de Piracanjuba, interior de Goiás, uma cidade com menos de 30 mil habitantes, mas com uma influência cultural muito grande. Terra do poeta Leo Lynce, do Marinheiro, da dupla Caçula e Marinheiro, que foi um dos expoentes da música sertaneja.

— Quando nasci meu pai já era músico, tinha um trio chamado Pantaneiro. Daí vem a influência da harpa na minha vida, porque a maioria das músicas que meu pai tocava e cantava tinha um arranjo com harpa paraguaia—diz Thiago.

— Aos 17 anos fui cursar engenharia civil em Minas, conclui e depois cursei direito na cidade de Goiás, e lá conheci o harpista, arranjador e maestro Oscar Nelson Safuán. Assim entrei em contato com o instrumento harpa paraguaia. Ele me ministrou as primeiras lições.

Thiago passou a tocar harpa paraguaia e misturar culturas, ou explorar as misturas que já haviam de música caipira e paraguaia.

— Dentro de si a música caipira de viola tem, em muitas canções, uma influência paraguaia, porque abrange ritmos como guarânias e polcas, que são paraguaios — explica.

— A música brasileira em geral recebeu muitas influências, entre elas da música paraguaia. Não existe uma distinção entre o sertanejo e o paraguaio nesse sentido, porque os elementos se misturam.

— Ambas possuem letras que tem uma história, um enredo, melodia, harmonia musical e uma preocupação em se cantar afinado. Geralmente retrata a saudade, o amor pela terra, a idealização da figura indígena etc — acrescenta.

Thiago diz que muitas músicas do universo caipira raiz são versões de músicas paraguaias.

Índia, gravada pela dupla Cascatinha e Inhana, é um caso desse. E muitas outras: Meu primeiro amor, Minha terra distante etc. Muitas duplas como Belmonte e Amaraí, Tibagí e Miltinho, adotaram a polca e guarânia, com estilo próprio é claro.

— A própria viola caipira não é brasileira. Ela veio trazida pelos jesuítas e foi totalmente adotada. Da mesma forma a harpa não é paraguaia, foi levada para lá pelos jesuítas e adotada pelo povo paraguaio — comenta.

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