Redução da maioridade: prata ou chumbo

"Não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado

Karl Marx - O 18 Brumário de Luis Bonaparte

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O que impede que a discussão da maioridade penal entre em sintonia com os anseios das classes trabalhadoras e oprimidas do país é a falta de bases reais das ideias colocadas pelas frações que se batem no Congresso e na política institucional.

De um lado, o oportunismo chefiado pela gerência de Dilma-PT-pecedobê, que igualmente compartilha do ódio ao povo de seus supostos “adversários”, mas que se diferencia apenas por fazer o papel de sentar o pelego no lombo do povo para que o patrão (latifundiários e o imperialismo ianque, principalmente) monte com conforto; querendo empurrar a ideia da “melhoria do sistema”, através de “políticas institucionais”, “investimentos em educação” que não questionam o status-quo, ou “programas sociais” que nada mais são do que patranhas entre Estado e grandes empresas que, quando não ajudam em nada a vida do povo, ainda pioram-na (vide “UPPs”). Tudo isso vendido com discurso oportunista, de estelionato eleitoral, da politicagem e do cretinismo parlamentar. Na prática, contribuem ainda mais com seus “adversários” no Congresso, quando criam o vácuo de soluções para os anseios das massas, captados pelos fascistas declarados, criando para eles o pretexto que precisam para ganhar apelo com as massas.

Do outro, o mencionado reacionarismo descarado, o fascismo desavergonhado, o sadismo vil, a face mais podre do nosso sistema, que, enquanto baba sangue e exibe cifras nos olhos, quer literalmente moer o povo e converter seu sangue no óleo de azeitar a máquina de fazer dinheiro, através de ideias como as da privatização dos presídios (para a transformação do sistema prisional em comércio), da privatização da segurança pública (convertendo mafiosos e milicianos em “agentes da lei”) e, finalmente, a venda de jornais sensacionalistas, em horário nobre da TV, com chamadas apelativas para o “combate à violência” (que é, na verdade, o genocídio principalmente da juventude do povo pobre e preto).

Enumeremos então quais são os pontos argumentativos de ambos grupos (que pertencem a um mesmo lado, que fique claro).

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Do lado da gerência oportunista do Estado, temos: A) a negação da violência e da justa revolta do povo. B) negam o direito do povo à autodefesa, com discurso pacifista — estranho às massas, que já sofrem com violência diária. C) propõem soluções idealistas, tais como injetar mais dinheiro no falido sistema público, com “investimentos” na educação (sem se questionar a lógica em que opera o sistema, completamente corrupto e antipopular), ou então, injeção de dinheiro no desumano e genocida (não por falta de dinheiro, mas pelo caráter burguês-latifundiário do Estado) sistema carcerário e “investimentos” em “programas sociais”, que são patranhas entre o Estado, bancos e empreiteiras, onde o povo só recebe os farelos.

Do lado dos fascistas, temos a verborragia justiceira e o moralismo medieval, que tentam a todo custo surfar no vácuo político deixado pela linha oportunista e assim utilizam-se de: A) atiçar a (justa!) rebeldia das massas e convertê-la em sede de sangue e vingança, apontando para elas a saída simples do “bandido bom é bandido morto”, mascarando, assim, os problemas de classe que a sociedade enfrenta. B) apontar para reformas que criarão novos mercados para se explorar (presídios privados, segurança privada e “legalização” de milícias), que farão com que as classes exploradas paguem com mais sangue ou com dinheiro pelas injustiças sociais.

Vale lembrar que os dois “modelos”, tal como vendidos a nós durante o circo eleitoral, não são de forma alguma antagônicos, ou seja, não se anulam, mas sim, complementam-se.

É inevitável, então, a comparação do modo como atuam esses Srs. nobres parlamentares e politiqueiros, com o modo de atuação do internacionalmente conhecido megatraficante Pablo Escobar, que tinha como sua “política” o lema “plata o plomo” que, traduzindo para o português, significa “prata (dinheiro) ou chumbo (bala)”. É também o método de atuação de muitas máfias e milícias reacionárias espalhadas no mundo, que impõem a cobrança ou sujeição de valores ao povo, para supostamente defenderem-nos da violência (que os próprios criminosos impõem). Sendo a outra opção pela não aceitação do suborno ou do pagamento da “proteção”, o pagamento com sua vida. Hoje, o que o Estado nos impõe é isso: ou se paga em dinheiro pela segurança, ou, quem não tem dinheiro, paga com a vida.

Qual a saída? O jornal A Nova Democracia e nós, da Unidade Vermelha, temos afirmado e reafirmado que o Brasil precisa de uma Grande Revolução que, além de varrer a velha política do país, dará ao povo a legitimidade para julgar e condenar, se assim for necessário, os seus próprios desvios e crimes, sob sua própria moral e sua própria Justiça, sem que sejam arremedos de lei que sempre pesarão para os mais pobres. Dizemos que é necessário que o povo lute em todos seus espaços, desde o campo até as cidades, nos bairros, favelas, comunidades, etc., para o seu direito à autodefesa, tanto dos agentes repressivos do Estado, quanto dos produtos da violência gerados por ele — como tráfico, milícias e criminosos em geral que atentam contra o povo, inclusive e principalmente, aqueles criminosos encobertos hoje pela sua fortuna ou condição social.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

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