Música para tocar pessoas

Violonista, arranjador, compositor e professor de música, Conrado Paulino se destaca pelo equilíbrio entre virtuosismo e sensibilidade. Com um trabalho solo de instrumentista ou com seu quarteto, Conrado apresenta um repertório repleto de músicas de ‘verdade’, não comerciais, com compromisso artístico e ideológico.

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Sou um paulistano, porque me sinto assim, mas na verdade nasci na Argentina. Moro em São Paulo há mais de 30 anos, conheço muito bem a cidade, incluindo nomes de ruas etc. E vim muito novo para o Brasil —conta.

Meu pai estudou um pouco de violão e canto, tocava e cantava o dia todo. Minha mãe também cantava o dia inteiro, e muito bem. Inclusive, depois que ela faleceu descobrimos cadernos com letras escritas com muitíssimo capricho — continua.

Parentes e amigos me fizeram notar a diferença entre música mesmo e música comercial, que é utilitária, feita como produto, com intenção de lucro e não com intenção artística. Isso foi um detalhe fundamental na minha relação com a música —acrescenta.

Conrado observa que atualmente as pessoas até ouvem mais música do que há alguns anos atrás, porém, sem atenção.

Quando adolescente, eu ficava horas ouvindo música no quarto, com fone, luz apagada. Hoje o que vemos, muitas vezes, é uma escuta superficial de música utilitária, durante as compras, no ônibus, dançando nas festas.

Tem aquela música mecânica que toca no restaurante, e que ninguém ouve, muitas vezes misturada ao som de alguma televisão. Como profissional, isso me parece um detalhe importante que afeta diretamente a carreira, e até o futuro dos músicos —continua.

Chegou um momento que Conrado sentiu que não queria ficar somente ouvindo, apreciando música, e decidiu se profissionalizar. 

Comecei com o violão, porque era o instrumento que tinha em casa, o violão do meu pai. Como instrumentista, sempre cito Baden Powell como minha primeira influência, seguido de Joe Pass —relata.

Depois vieram todos os outros, que são muitos, entre eles: Hélio Delmiro, Raphael Rabello, Sebastião Tapajós. Também alguns amigos, que estudavam música, me influenciaram e de alguma forma, me estimularam e incentivaram a virar músico.

Conrado diz que tem um gosto muito eclético como ouvinte, porém, na hora de tocar prefere as mais lentas. 

Samba canção, os jazz ballads e boleros são os que mais me tocam. Também prefiro as instrumentais, apesar de gostar de ouvir música cantada – fala.

Acho que essa minha preferência é, na verdade, porque não sou um grande cantor. Se cantasse como Emilio Santiago, por exemplo, deixaria o violão no armário (risos). Falando sério, já trabalhei como cantor na noite.

Música para sentir

Com o meu som espero despertar sentimentos variados nos ouvintes. Nem sempre tem uma mensagem definida, fiz uma música dedicada ao meu filho e outra à minha filha, e acho que elas refletem as suas personalidades.

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