RO: uma grande iniciativa

No fim de outubro, camponeses em aliança com professores e estudantes do Instituto Federal de Educação Tecnológica de Rondônia e da Universidade Federal  de Rondônia (dos campi de Vilhena, Rolim de Moura e Porto Velho) promoveram cursos sobre noções básicas de topografia, conhecimento sobre inseticidas e adubos caseiros, e organização coletiva da produção na Área Renato Nathan, em Corumbiara.

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Imagens do curso de topografia oferecido aos camponeses pelos estudantes e professores da UNIR

  Os cursos fazem parte dos projetos de extensão desenvolvidos pelos professores e estudantes com o objetivo atender áreas onde os camponeses lutam pelo direito a terra. Esta importante iniciativa surgiu do contato das escolas e universidades com as atividades de denúncias e divulgação realizadas pelo movimento camponês.

   Cada professor elaborou um projeto dentro de sua área de conhecimento, mas todos destacaram a concentração, interesse em aprender e a sede de conhecimento dos alunos camponeses — o que há de mais gratificante para um educador.

O professor de Geografia, já na apresentação, esclareceu que topografia é um ordenamento do Estado e hoje, devido ao caráter desse velho Estado, é usada a serviço do latifúndio. Porém, os camponeses devem se apropriar desse conhecimento para não serem enganados na hora de interpretar um mapa por engenheiros ou topógrafos, especialmente do Incra.

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   O agrônomo, filho de camponeses vizinhos da fazenda Santa Elina, era criança quando ocorreu a Resistência de Corumbiara, em 1995, mas nunca se esqueceu da imagem dos corpos dos camponeses assassinados. Ele cresceu, conseguiu uma vaga na universidade pública e agora está muito feliz em poder voltar àquelas terras para dividir com os camponeses os conhecimentos científicos que aprendeu. Ele usou sua própria experiência para denunciar que vendedores de casas agropecuárias são obrigados pelos patrões a mentir sobre venenos e adubos, tudo para alcançar a meta de venda do mês. Defendeu que o mais importante é se organizar de forma mais coletiva e com maquinário.

  “Trabalhadores, ao venderem café juntos, conseguem um preço melhor do que negociando separadamente; lucram mais vendendo produtos processados do que in natura. É mais fácil conseguir cursos, assistência técnica, maquinários e preço mais justo se os camponeses estão unidos, se têm um plano comum de produção, ainda que em cada lote as famílias devam ter variedade”.

    Esta exposição gerou um rico debate, que segue para além do curso. Vários camponeses relataram que abandonam as lavouras pela falta de maquinário, assistência técnica e devido aos preços impostos pelos grandes empresários.

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    Os camponeses também relataram uma ideia corrente de que o camponês tem apenas que trabalhar, como se reunir para estudar e discutir o trabalho e a luta fosse perda de tempo. Esta ideia atrasada não pertence ao povo, é defendida pelas classes dominantes que querem manter uma separação entre o trabalho intelectual, feito por uma minoria, do trabalho braçal da maioria.

   Este curso, exemplo da importante aliança operário-camponesa, contou também com o apoio de estudantes em várias tarefas: convite dos moradores, limpeza e organização do espaço, preparo de alimentos, brincadeiras e cuidados com as crianças. Também teve atividades artísticas: roda de viola e exibição de um filme no telão.

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