Venezuela: crise geral e fúria das massas

As duras condições de vida das massas populares venezuelanas são barril de pólvora da revolta popular. Os últimos anos, caracterizados por crises econômicas nos países semicoloniais e semifeudais — que são chamados a pagar a conta da crise do sistema imperialista mundial —, potencializaram ainda mais a pugna entre as frações da grande burguesia pelo controle do Estado daquele país, hoje sob hegemonia de sua fração burocrática, por isto mesmo acossada pela fração compradora, insatisfeita na condição de sócio menor.

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Revolta popular tem se intensificado durante a crise. Venezuela, abril de 2016

Tal pugna entre frações se expressa em forma de crise política. Esta, por sua vez, faz agravar ainda mais a situação de vida das amplas massas, pois paralisa toda a máquina estatal que gerencia a economia e os serviços públicos, os quais a população sustenta com os impostos que paga e do que necessita e depende para viver. É claro que, entre o fogo cruzado reacionário dessas frações da grande burguesia, quem sofre mesmo são os operários, camponeses e trabalhadores em geral, além dos pequenos e médios proprietários.

Crise energética e fúria das massas

Nesse contexto de crise, a revolta das massas ganha fôlego. Em protestos contra os cortes de energia que a gerência de Maduro vem aplicando, setores do povo venezuelano se lançaram às ruas e, numa mostra de indignação, fúria e ódio à velha ordem que lhe é imposta, saqueou lojas e caminhões, exercendo a justa violência, mesmo que sem direção correta ou, como muitas vezes ocorre, sendo manipuladas por outros grupos de poder dessa pugna. É claro e evidente que a crise energética foi apenas o estopim: apenas a faísca que agiu sobre o barril de pólvora.

Moradores denunciaram que os cortes de energia ultrapassam as quatro horas estipuladas pelo Estado, e deste modo, as rebeliões se espalharam por várias cidades no dia 27 de abril. Em Maracaibo, segunda maior cidade da Venezuela, protestos foram registrados em sete dos dezoito distritos, e cerca de 72 lojas foram saqueadas. No estado de Lara, vários protestos também foram registrados, destaque para o ocorrido na cidade de Barquisimeto (370 quilômetros a oeste de Caracas), onde pneus foram queimados em protesto. Manifestações diversas ocorreram também em outras cidades como Caracas, Maracay, Valência, Cágua, El Limón e El Castaño.

Quem ousa defender o oportunismo?

É fato científico que o oportunismo à cabeça do velho Estado traga para si todas as contradições, os interesses e, também, as pugnas das classes dominantes locais que mandam e desmandam naquele Estado. O oportunismo “bolivariano” alçado por Hugo Chávez como a solução para a América Latina, repleto de ecletismo ideológico e descarada corporativização das massas, converteu-se na melhor solução possível para o imperialismo e a reação interna para desviar a justa revolta das massas venezuelanas do genuíno caminho revolucionário para um caminho burocrático e no campo da contrarrevolução. As amplas massas venezuelanas, já àquela época (década de 1990), se encontravam sedentas por uma guia que lhe indicasse o caminho da Revolução Democrática ininterrupta ao Socialismo, e essa guia só podia e só pode ser o Partido Revolucionário do Proletariado. Por falta dessa guia, as massas foram arrastadas pelo discurso bravateiro de Chávez e seu “bolivarianismo”, mas a sua própria prática veio demonstrando a quem o oportunismo serve.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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