Unindo música e educação

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Professor de arte na rede estadual de São Paulo e músico, Mayr Eugênio leva música para a sala de aula, ajudando no aprendizado. Pianista e compositor, o professor já tocou com importantes nomes da música popular brasileira, formou grupos, participou de festivais, eventos diversos e se prepara para lançar seu terceiro CD.

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— A música entrou em minha vida de uma maneira singular, por uma necessidade de colocar para fora as notas que permeavam minha vida desde cedo. Sempre tive um certo dom para a arte, de uma forma especial o som. Qualquer ruído já me deixava inquieto e, de certa forma, me tirava do real — conta.

— Minha avó paterna, tocava na infância acordeon, não cheguei a ver, mas, de certa forma, já estava em mim. Meu pai sempre ouvia rádio, grandes cantores da MPB: Nelson Gonçalves, Elis, Peri Ribeiro, Zimbo Trio e músicas italianas. Minha mãe sempre muito afinada e tiro certo nas notas musicais, aprendi com ela, sem que ela soubesse disso — continua.

— A banda Lilás, primeira que tive, foi um conjunto ainda de crianças, tinha apenas 12 anos de idade, mas que ecoavam os sonhos de um futuro no infinito, onde já compunha algumas coisas, letra e melodia. Foi formada por amigos do bairro, em São Paulo, em 1978 — recorda.

Paulistano, aos 15 anos de idade, Mayr mudou-se com a família para Lorena, interior do estado.

— Passei seis anos estudando violão, com Pedrinho Almeida, violonista clássico e popular, e vendo as composições, formei a banda Koma com amigos músicos: Demétrio Mussi, violão, e Fabio Roque, piano, eu na voz. Tocávamos MPB e algumas releituras do rock e jazz — conta.

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— Em 1989 começo a estudar piano na renomada escola do Zimbo Trio, com o professor Nelson Panicalli, grande pianista, onde aprendi o balanço e as grandes harmonias da MPB e Jazz. Paralelo, tocava piano e violão e cantava nas noites da Região do Vale do Paraíba.

— Sempre primando por uma música harmônica, trazendo a emoção ao palcos da região, nessas apresentações colocava minhas composições e releituras da MPB. Em 1990 me formei na Faculdade de Arte, ganhando o direito de lecionar música, artes plásticas e história da arte — fala.

Nesse mesmo ano, Mayr conseguiu bolsa para estudar no renomado Festival de Inverno de Campos do Jordão.

— Fui bolsista durante 3 anos seguidos, estudando canto, piano e história. Tive vários professores de renome como Jane Duboc, Meridit Monk, Nelson Aires e outros. Paralelo a esses cursos, fiz aulas particulares com Silvinha Góes, pianista do Toquinho, e Gogó, grande pianista e professor da Unicamp — relata.

— Durante todo esse tempo sempre tive a música em minha vida, cantando em eventos e lecionando piano, canto e violão no conservatório Villa Lobos de São José dos Campos, e outras escolas da região. E fui convidado por Jane Duboc para fazer parte do seu grupo vocal Novella, homenagem a Ella Fitzgerald, grande cantora de jazz — continua.

— Permaneci no grupo por dois anos, e lá aprendi com Jane Duboc a importância do cantar, do diafragma, do afinar etc. Também participaram do grupo: Fabiana Cozza, Bia Góes e outros — acrescenta.

Mistura de linguagens

O universo da arte é enorme, e Mayr diz que não faz distinção de linguagens.

— A arte, o som, a fotografia, teatro, todas as linguagens caminham juntas, está tudo ligado. O sentido da separação não existe em meu universo artístico. Assim, levo para a sala de aula essas linguagens e tento de certa forma mergulhar nesses universos tão singulares e, ao mesmo tempo, tão íntimos em seus diálogos — explica.

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— Leciono para alunos do ensino médio, onde falo da música e das artes, levando para dentro da sala de aula um ouvir singular, procurando trazer um olhar esquecido ou uma imagem adormecida, um som esquecido. Tudo que não sabemos são coisas que não lembramos — diz.

— Meu objetivo com isso é poder, de certa forma, elevar o conhecimento e a criatividade, dentro de um campo de trocas de trajetórias vividas por CD, dentro de um ambiente escolar. O sensível sempre está presente em minhas aulas e o poético fala mais alto também.

Mayr é professor de Arte em uma escola da rede estadual em Guaratinguetá, interior de São Paulo. Ele divide seu tempo entre aulas, apresentações, gravações e composições, tendo mais de 150 músicas.

— O compor para mim é um mistério. Já cheguei a sonhar com a letra e melodia, já cheguei a sentar e transpirar em uma música, e também somente inspirei em algo que vi e vivi — conta.

— Sempre trago elementos do inconsciente, deixando a palavra surgir em minha mente, apresentando o que a sociedade me traz, sendo dentro da política, do amor, da vida, do viver etc. Em 2013, recebi o prêmio Cata Vento da TV Rádio e TV Cultura, como melhor interprete independente, com meu CD autoral Aquele Canto — diz.

— O nome tem duplo sentido: canto de lugar e canto da voz. Perdemos o cantar da alma, nosso cantar ancestral, aquele canto primitivo, aquele canto dos índios, aquele canto da infância — expõe.

Mayr diz que caminha por vários gêneros dentro da música. Coisas que ouviu e continua ouvindo estão no seu compor.

— A linguagem indígena, por exemplo, está presente nos dialetos que crio, inspirado em melodias nativas indígenas. ‘Zarare tum pova kanaia tu tu tui kinui nuó’, não quer dizer nada, mas, traz algo de algum lugar. Pode ser do inconsciente ou de um canto esquecido — fala.

— Em 2015, participei de um festival para musicar as poesias do poeta modernista Cassiano Ricardo. Recebi o prêmio pela minha composição de uma de suas poesias — continua.

Atualmente, Mayr está em processo de finalização de seu novo trabalho, com um repertório que mistura elementos indígenas, MPB, Blues e Jazz.

— É o CD Devir, que trará composições novas, acompanhado por piano e violão. E tem participação de instrumento de sopro, o trompete de Felipe Tróleo. Paralelo, venho me apresentando com meu trio em espaços culturais, teatros, casas culturais, ficando viável uma apresentação acústica de voz, piano, violão e percussão — finaliza.

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