A bancarrota do revisionismo cubano

Em 13 de agosto, Fidel Castro completou 90 anos. Devido ao seu papel proeminente durante  largo período na direção do processo inconcluso da Revolução Cubana e de seu regime, além de sua forte influência para os processos revolucionários na América Latina e no mundo, publicamos, nesta ocasião, o resumo-adaptação preparado pela redação do AND do artigo Bancarrota del revisionismo cubano, de autoria do Partido Comunista do Equador – Sol Rojo (Puka Inti). Este documento elucida, sob a luz da ciência do proletariado, o caráter da Revolução Cubana e a posição de classe de sua direção.

Nossas saudações ao companheiro Lúcio Jr. pelo seu trabalho de tradução do artigo para o português e seu envio a nossa redação. O texto na íntegra pode ser acessado no Blog da Redação de AND (andblog.com.br).

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Introdução

Nos últimos tempos o cenário internacional foi marcado pelas aparentes mudanças que estão sendo imprimidas na estrutura econômica, política e social de Cuba. A esquerda revisionista e oportunista tem manifestado as “mudanças” como “oportunas”, considerando a virada que tem tomado a humanidade e que podem ser levados adiante, “sem que se perca a essência da revolução”. Os [revisionistas] mais radicais falam que as mudanças que estão ocorrendo em Cuba representam “um passo atrás na revolução”.

Nem um, nem outro

O alcance da revolução cubana desde que ela foi proposta até nossos dias esteve marcado por seu caráter democrático-burguês, com a particularidade de que no processo se incorporou ao discurso democrático uma linguagem socializante, pseudo-marxista, que por sua natureza arrastou o dito processo a transitar ao caminho revisionista. De nenhuma maneira isso nos coloca em posição de negar alguns avanços democráticos da revolução cubana, mas é imprescindível esclarecer que esses avanços definitivamente estavam muito distantes de ter fundamentos socialistas como torpemente estão sustentando seus dirigentes.

Dizer que a “Revolução” tenha dado “um passo atrás” é igualmente falso já que a revolução cubana jamais deu um salto “adiante” em torno da construção do socialismo nas condições históricas de sua aplicação, manifesta em primeira instância como Ditadura do Proletariado para seguir mais adiante o caminho ao Comunismo.

O Programa da revolução cubana, em nenhuma parte se encontra alusão alguma ao Socialismo. O proletariado como concepção ideológica e política é totalmente inexistente. O Manifesto [da revolução] se refere a uma “Frente Cívica Revolucionária”, que não concebe a sociedade dividida em classes e que entre elas existem antagonismos irreconciliáveis que se manifestam como luta de classes, motor das sociedades.

O programa não se refere a uma classe específica que administre o novo governo em função de criar um novo Estado. Pelo contrário, referindo-se basicamente a uma “figura”, um indivíduo que mais pareceria ser sacado de desígnios religiosos ou messiânicos. Obviamente, o Messias era inevitavelmente ele, Castro.

É evidente que o caráter dessa revolução não passava de reformismo burguês, não compreendiam — porque não eram marxistas — a diferença substancial entre sistema de governo com sistema de Estado. Pretendiam separar o exército do político, desde sempre, por desconhecimento do que é o Estado e a que classe ele serve. Qual é o rol político do mesmo, de seus instrumentos, como entre outros, é o caso do aparato repressivo.

Foi uma revolução democrático-burguesa dirigida pela pequena-burguesia intelectual [portanto, revolução democrática de velho tipo], para posteriormente essa revolução adaptar-se a um discurso pseudo-marxista e mudar de revolução democrático-burguesa dirigida pela burguesia à revolução democrático-burguesa dirigida pelo revisionismo, este último que nutre — e sustenta até a atualidade — a ditadura burguesa burocrática.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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