Shimon Peres, a verdade por trás de um ‘militante da paz’

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Quadro sionista1, líder israelense de prestígio e, na leitura oficial das classes dominantes, um excelente mediador que faleceu lutando pela paz para todos os israelenses e palestinos. No entanto, quando fazemos uma breve pesquisa biográfica, olhando, sobretudo, para a prática desse sujeito, vemos que a história, sob a ótica de quem quer verdadeiramente a paz, é muito diferente daquela que escutamos nos noticiários, após a sua morte, aos 93 anos, no dia 28 de setembro.

Assim como nos Estados Unidos, existem pessoas que dizem Not in our name2 (Não em nosso nome), nos territórios palestinos, em “Israel” e por todo mundo afora, agora também seria a hora de se dizer: Shimon Peres lutador ardoroso pela paz? Um quase-pacifista? Para vocês, das classes dominantes, mas não para os palestinos, isralenses verdadeiramente de esquerda e intelectuais honestos que se juntam a esta causa. Por isso, se querem difundir essa falácia, difundam, mas não em nosso nome.

No intuito de mostrar a verdade por trás de um “militante da paz”, olharemos para a prática de Shimon Peres, e não para a sua imagem, utilizando-se de exemplos biográficos significativos, uma vez que, se dizer favorável à paz para todos não deveria ser evidência histórica de nada. Entretanto, e partindo da palavra do gerente do imperialismo ianque, há que se concordar: este homem, de fato, “era a essência de Israel, a coragem de Israel na luta pela independência” (Barack Obama, durante o velório de Peres).

Ao longo de sua história, que também é a história da formação de um “Estado”, Shimon Peres, enquanto quadro sionista que era, sempre foi fiel aos preceitos dominantes de um projeto colonial perverso e baseado na limpeza étnica dos palestinos – desde o princípio. E isto, para começar, partindo da sua vinculação com outro importante quadro sionista: David Ben-Gurion, que para muitos, foi seu mentor.

Ben-Gurion, que chegou a propor a criação de Israel dentro da “Grande Palestina”, compreendendo os territórios da Palestina, Transjordânia e parte do Líbano e da Síria, é o mesmo que se tornou o primeiro primeiro-ministro de “Israel” (1947-1949) e deu, na Guerra de 1948 que culminou na formação de seu “Estado”, as ordens de “ocupar as aldeias, expulsar seus habitantes e detonar suas casas”. Sendo estas, vale dizer, suas palavras registradas em diários abertos na década de 1980, segundo o historiador Ilan Pappe.

Além disso e colado nos fatos que precederam a formação de “Israel”, vale destacar a atuação de Shimon Peres na Haganá. Organização paramilitar sionista, que lutou contra a gerência britânica na Palestina3 e contra os árabes que disputavam a mesma terra, e depois, se configurou como um exército regular de seu “país”. Sendo que, nas duas circunstâncias, ela se utilizava de ações violentas para atingir seus fins, indo em total desencontro à atual imagem de seu ilustre membro. Afinal, explodir prédios civis (hotel King David, Jerusalém, 1946), escritórios e quartéis militares do inimigo e cometer roubos e assassinatos, como fazia a Haganá e como faz “Israel”, não nos parece muito pacífico.

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