O Real Homem do Saco

Recentemente lançado, o filme O Homem do Saco mostra a dura realidade dos catadores que recolhem material reciclável pelas cidades. Tendo sua imagem negativamente associada a um personagem malvado do imaginário popular, o verdadeiro homem do saco é um trabalhador ou trabalhadora que caminha pelas ruas sem ser notado, encontrando nesse discriminado trabalho sua alternativa para o desemprego.

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— O homem do saco é um personagem que sempre foi lembrado por ser aquele que levava crianças desobedientes em sua sacola. Uma história contada para assustar crianças e os afastarem deste “homem do saco” que nada mais é do que um catador, alguém que coleta o que o resto da sociedade descarta – fala Rafael Halpern, um dos diretores juntamente com Carol Wachockier e Felipe Kfouri.

— Acredito que a história é no mínimo infeliz e ajuda a criar um estigma e preconceito de que o catador é perigoso e malvado. Existem pessoas malvadas e perigosas em todo lugar e profissão, é uma injustiça enorme taxar uma classe trabalhadora inteira desta maneira – continua.

— O filme surgiu inicialmente como pesquisa para um roteiro de curta de ficção que a Carol Wachockier escreveu, cujo protagonista era um catador. Ao lhe ajudar com o roteiro, decidimos fazer uma pesquisa para entender melhor este personagem: onde ele mora, como ele trabalha, o que ele pensa, sente etc. – fala.

Rafael conta que o assunto foi além do que imaginavam, fazendo com que deixassem as ideias de ficção e curta de lado.

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— Concluímos que não havia ninguém melhor para contar as histórias dos catadores do que eles mesmos. O principal tema do filme é a invisibilidade social, queremos mostrar primeiro que catadores são pessoas, mesmo que muitas vezes consideradas invisíveis pelo resto da sociedade – relata.

— Queríamos contar a história deles e abrir os olhos da sociedade para as dificuldades que enfrentam cotidianamente, apontando possíveis soluções. Mostrar a importância que possuem para a cadeia de reciclagem do país, principalmente na cidade de São Paulo – continua.

— Como criaram um modelo de coleta seletiva para alternativa ao desemprego que assola muitos brasileiros, especialmente aqueles que vêm de outros estados procurando uma vida melhor em São Paulo. Como fazem um serviço de bem público que muitas empresas e a classe política não é capaz de fazer, e como não são recompensados pelo serviço que prestam à cidade – acrescenta.

90% de tudo que é reciclado, de acordo com Rafael, passa pelas mãos de catadores.

— Em uma sociedade que produz e descarta tanto, não é possível imaginar como seríamos sem eles. Eles desenvolveram um método próprio de coleta em que vão nas casas ou empresas das pessoas, coletam o material, levam para o destino certo e depois revendem para virar matéria-prima novamente – diz.

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