PA: Força Nacional e hidrelétricas denunciadas por comandarem repressão

Os povos Apiaka, Kayabi e Munduruku, além de pescadores e camponeses, denunciaram uma série de arbitrariedades e crimes cometidos pela Força Nacional de Segurança e por empresas que constroem quatro barragens no rio Teles Pires (Usinas Hidrelétricas de Colider, São Manoel, Sinop e Teles Pires), no município de Alta Floresta, divisa entre Mato Grosso e Pará.

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Indígenas denunciam ações criminosas que constroem quatro barragens no rio Teles Piresg
Indígenas denunciam ações criminosas que constroem quatro barragens no rio Teles Pires

Em nota pública divulgada no dia 22 de março, um conjunto de 39 entidades e organizações (nacionais e estrangeiras) denunciou que a Força Nacional é utilizada para “reprimir os protestos dos povos indígenas do rio Teles Pires, atuando como segurança privada” do consórcio Empresa de Energia São Manoel (EESM), liderado pelas filiais brasileiras da China Three Gorges Corporation (CTG) e Energia de Portugal (EDP), em conjunto com a estatal Furnas, do grupo Eletrobras.

Em julho e outubro do ano passado, os munduruku ocuparam o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica (UHE) São Manoel em protesto contra a destruição de lugares sagrados, o comprometimento da qualidade da água e o prejuízo da atividade pesqueira. No último dia 13 de outubro, a Força Nacional de Segurança reprimiu brutalmente uma manifestação dos munduruku nesse canteiro de obra. Bombas de gás lacrimogêneo e disparos com armas de bala de borracha foram efetuados.

No dia 1º de março, uma portaria do recém-criado Ministério da Segurança Pública prorrogou por mais 90 dias a presença da Força Nacional no canteiro de obras da UHE São Manoel, com a alegação de suposta “ameaça à ordem pública” oferecida pelos munduruku.

Ainda de acordo com a nota, a obra conta com “financiamento generoso do BNDES e garantias do China Development Bank (CDB)”, nos quais “ambos fizeram vista grossa sobre as violações dos direitos indígenas no caso de UHE São Manoel”.

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