Sonoridade nordestina com arranjos exuberantes

Com um repertório que se baseia na sonoridade nordestina, com arranjos muito bem elaborados, a banda carioca Quarteto Geral tem como referência a estética criada pelo Quarteto Novo, um dos grupos mais significativos dentro do cenário da música instrumental brasileira, e uma influência do Movimento Armorial, inspirado por Ariano Suassuna. Há cinco anos em atividade, explorando essa sonoridade, o grupo caminha para a composição autoral.

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O Quarteto Geral tomou inspiração no grupo Quarteto Novo, um dos mais importantes da música instrumental Brasileira
O Quarteto Geral tomou inspiração no grupo Quarteto Novo, um dos mais importantes da música instrumental Brasileira

— Tudo começou quando ganhei do meu pai um disco do Quarteto Novo, no meu aniversário de 20 anos de idade. Desde a primeira escuta o disco mudou a minha vida, despertou o desejo de criar um projeto inspirado naquela sonoridade nordestina, com harmonias mais sofisticadas, novas linguagens de improvisação brasileira — conta Daniel Ganc, componente do grupo.

O Quarteto Novo foi uma banda instrumental brasileira que surgiu em 1966, em São Paulo, primeiramente como Trio Novo, formado por Theo de Barros (contrabaixo/violão), Heraldo do Monte (viola/guitarra), e Airto Moreira (bateria/percussão). Passou a se chamar Quarteto Novo com a entrada do flautista Hermeto Pascoal.

O grupo foi criado primeiramente para acompanhar o cantor e compositor Geraldo Vandré em seus trabalhos, e acompanhou também o cantor e compositor Edu Lobo. Em 1967 gravou seu único disco, chamado Quarteto Novo, e em 1969 encerrou suas atividades.

— Foi um disco antológico na música instrumental brasileira, não conheço nenhum projeto que se assemelhe a sonoridade do Quarteto Novo, realmente um grupo revolucionário no sentido musical. Passei então a ter vontade de criar um projeto com uma sonoridade de viola caipira, percussão, flauta — diz Daniel.

— Como não conhecia quem tocasse viola caipira, resolvi me aventurar e comprei uma viola. Sem saber nada da base do instrumento fui tirando de ouvido as músicas do Quarteto Novo até ficar com uma base mais sólida, ter a técnica da viola caipira, e a partir daí comecei a procurar gente para tocar comigo — continua.

— Chamei alguns amigos que conheci na faculdade de música e na vida de músico, tocando juntos, e em 2014 surgiu a primeira formação do grupo. A ideia era basicamente criar um repertório com a sonoridade que o Quarteto Novo trabalhava, depois fomos acrescentando outras músicas, adentramos no Movimento Armorial e músicas que dialogassem com essa sonoridade — relata.

Idealizado pelo escritor paraibano Ariano Suassuna, o Movimento Armorial surgiu na década de 1970 com o objetivo de criar arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina, arte brasileira singular baseada nas raízes populares. Abrangeu a música, literatura, teatro, dança, artes plásticas etc.

Compromisso com a cultura popular

— Em um certo momento sentimos necessidade de criar o nosso próprio estilo, que tem como base o Quarteto Novo, o Movimento Armorial, a música nordestina, e estamos caminhando para as nossas composições autorais. Temos ideia de gravar um disco, mas deve ficar para o próximo ano porque ainda estamos garimpando repertório, compondo, buscando um trabalho mais sólido de música autoral para isso — expõe Daniel.

— O Movimento Armorial e o Quarteto Novo são dois momentos históricos próximos que, além de serem síntese do nosso trabalho e pontapé inicial para as nossas composições autorais, são movimentos que tentaram promover, no ambiente cultural artístico daquela época, a ideia de uma cultura genuinamente brasileira, genuinamente nossa — fala Lucas Gralato, também componente do grupo.

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