Capitalismo burocrático à beira de nova recessão

Baixo consumo, gerado por informalidade e desemprego, tende a prolongar a crise

O Produto Interno Bruto (PIB) entre os meses de janeiro e março de 2019 estampou um rotundo fracasso para o governo Bolsonaro – tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) –, calculado em uma queda de -0,2% se comparado ao último trimestre de 2018. O índice, divulgado no dia 30 de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a primeira queda desde o 4º trimestre de 2016, quando a economia, em plena crise, caiu em -0,6%.

A queda registrada pelo IBGE é importante, pois interrompe um processo de recuperação muito lenta da economia, após a crise de 2014-2016. O principal setor em declínio é a indústria, em seus vários ramos. A indústria química, a de veículos automotores, materiais elétricos, a indústria do fumo, de produtos alimentícios e metalurgia tiveram uma queda de até -1,8%.

As quedas mais drásticas foram as indústrias de equipamentos de informática, impressão, farmoquímicos e farmacêuticos, equipamentos de transporte, madeira, indústria de máquinas e equipamentos e a de vestuários, cujas quedas foram variadas, entre -12,9% a -4,3%. Na média, o setor industrial teve uma queda brusca de -0,7%, e um de seus principais setores, a extrativista, caiu -6,3%. No 4º trimestre de 2018, a propósito, a indústria já havia sofrido uma queda de -0,3%.

Segundo uma outra pesquisa denominada Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE no começo de março de 2019, a indústria perdeu -6,1% em comparação com março de 2018, em 22 dos 26 ramos industriais.

Segundo o índice divulgado no dia 30/05, outros setores importantes da economia, como a agropecuária, a construção civil, a exportação e investimentos tiveram desempenho negativo, respectivamente: -0,5%, -2%, -1,9% e -1,7%.

O agronegócio, de modo geral, teve uma queda acentuada de -0,5% no 1º trimestre de 2019, após três trimestres de crescimento muito baixo (no 2º e 3º trimestre de 2018 cresceu apenas 0,1%, e no 4º ficou estagnado).

Desemprego em alta, consumo em baixa

O desemprego real – que atinge 28,4 milhões de brasileiros (ou 25% da força de trabalho) se considerarmos os subutilizados, os desalentados e os que não trabalham por diversos motivos – permanece barrando a recuperação da economia. A lenta recuperação, dizem os especialistas, é alcançada somente com uma precarização e informalização da mão-de-obra, o que não alavanca significativamente o consumo das famílias.

Se as famílias não incrementam o consumo, a indústria – especialmente a de bens de consumo duráveis, como a automobilística – não avança sua recuperação e permanece estagnada. O baixo consumo das famílias também impacta num tímido desempenho do ramo dos serviços e do comércio em geral, que, assim como a indústria, não cria novos postos de trabalho.

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