Compartilhando arte nas ruas

Com a experiência de já ter atuado em bandas, orquestras populares e acompanhado outros artistas, o instrumentista carioca Júlio Nobre leva sua arte para as ruas do Rio. Após alguns acidentes e adversidades no seu percurso, Júlio chegou a acreditar que havia encerrado sua carreira, mas deu a volta por cima, retomando sua proposta de arte, agora como artista de rua.

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Julio Nobre e sua escaleta
O artista de rua e sua escaleta

— Venho de uma família de músicos, meu pai era instrumentista, arranjador e maestro, foi o primeiro a se regulamentar como profissional, e meus avós paternos também eram músicos. Da parte da minha mãe, meu avô materno tocava clarineta. Sou a segunda geração como profissional, e a quarta também vai por esse caminho: minha filha mais velha toca piano e canta, e meu filho mais novo toca violão, flauta, contrabaixo e também se profissionalizou — conta Júlio.

— Contudo, meus pais não me incentivaram a seguir carreira, pelo fato do músico, por várias gerações, ser visto como um marginal neste país, e não ser valorizado como profissional. Queriam que eu escolhesse outra profissão, inclusive, atuei por muitos anos como jornalista em diversos veículos, trabalhando paralelamente com música, porém, intensamente — relata.

— Sempre que meu pai tocava, eu me sentava por perto e ficava maravilhado, até que meu avô materno veio passar um período conosco e me ensinou a afinar o violão, e também os primeiros acordes. Eu estava com uns 14 anos de idade. Com 17 anos, na oitava série, me inscrevi em um festival da escola, chamado “Jovem de Samba”, e minha música foi classificada para representar o colégio no município — lembra.

Júlio Nobre estudou música com os maestros Milton Calazans e Carlos Eloi Braga, e com a pianista Fátima Pinho.

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Julio Nobre e sua escaleta
Júlio Nobre também se apresenta em saraus e bares

— Por volta dos meus 30 anos de idade prestei exame na Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), e me profissionalizei. Também faço parte da UBC, União Brasileira dos Compositores. Minha formação musical é piano, órgão, teclado, e mais tarde a escaleta, instrumento que atualmente toco na rua, aqui em São Cristóvão {bairro do Rio de Janeiro} onde moro — conta.

— A história da escaleta e da arte de rua na minha vida é muito especial. Sofri três acidentes gravíssimos que me causaram danos físicos e psicológicos, foram dois atropelamentos, que me deixaram sequelas neurológicas, e um terceiro, razoavelmente recente, uma queda em um buraco na calçada, impediu-me de movimentar um dos meus pés. Depois disso, tive chikungunya, ficando com sequelas nas minhas articulações — explica.

— Diante desse quadro lastimável, praticamente fiquei impossibilitado de tocar e entrei em depressão. Foi durante o tratamento dessa doença que surgiu a ideia me tornar artista de rua: meu psiquiatra, dr. Cleiton Cabral, um amigo, me aconselhou a voltar a tocar e me deu a ideia de ir para as ruas, já que eu estava sem espaço para trabalhar no mercado formal — continua.

O talento reaparece nas ruas

— Nesse momento conheci a escaleta, através de um amigo, e resolvi tocá-la na rua por se adaptar ao que eu estava precisando, devido às sequelas, e ela me trouxe de volta ao cenário musical. É um instrumento bem interessante, inclusive o Hermeto Pascoal a valorizou e divulgou bastante. Então fiz questão de comparecer na OMB e marcar um novo exame para incluir a escaleta como minha especialidade — conta.

O trabalho nas ruas foi uma grande descoberta para Júlio Nobre, o cenário ideal para passar sua arte e suas ideias.

— Descobri que o trabalho nas ruas é revolucionário, o músico precisa se expor e não somente expor a sua arte, precisa se relacionar com o público, passar sua mensagem. E ele não sabe qual público vai atingir, porque nas ruas transita todo tipo de gente, forçando a montagem de um repertório eclético, por exemplo, o meu vai de baião a Mozart — relata.

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