Contra a fome e abandono! Em todo o país, trabalhadores promovem confiscos de alimentos

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Em duas regiões do país ocorreram ações de massas de confisco de alimentos, mal chamados “saques”, contra a fome e a miséria, no mês de julho. As ações ocorreram no Rio de Janeiro (RJ) e em Pelotas (RS). Os alimentos foram destinados às famílias abandonadas pelos respectivos governos.

Em Pelotas, dezenas de famílias proletárias se organizaram e confiscaram mais de 100 cestas básicas e 200 litros de leite da prefeitura, no dia 10 de julho. A ação ocorreu na vila das Corujas e os alimentos foram distribuídos na hora, sobretudo para quem não havia ainda recebido auxílio-emergencial pela demora do governo.

Moradores famintos confiscam caminhão com alimentos em Pelotas.

Um dos estopins para a ação, além da fome e miséria impostas às famílias pela crise do capitalismo burocrático, foi o abandono e demora da prefeitura. Os alimentos pertenciam mais especificamente à Secretaria de Assistência Social da prefeitura. Num vídeo que circula na internet, um dos moradores denuncia que mais de 60 famílias que passam fome não foram incluídas no cadastro da prefeitura, e muitas incluídas ainda não receberam nada.

De acordo com os assistentes sociais, que foram surpreendidos pela ação, os moradores obrigaram-lhes a entregar a comida imediatamente aos trabalhadores. Alguns moradores entraram no caminhão e distribuíram os alimentos aos outros populares, mesmo aos que receberam o auxílio (míseros R$ 600) que, sofrendo também de fome, juntaram-se aos demais e também recolheram os alimentos.

Arroz confiscado por trabalhadores

Em Niterói, dezenas de famílias confiscaram um carregamento de arroz que havia sido abandonado na rodovia após um acidente, no dia 16/07. A justa ação das famílias, em situação de agravada pobreza e abandono, ocorreu na BR-101, entre Niterói e São Gonçalo.

Dezenas de moradores das proximidades foram até a avenida para recolher os sacos caídos após o acidente. A polícia tentou reprimir as massas, que levavam a carga abandonada. O próprio responsável pelo carregamento, contrariando a repressão policial covarde, autorizou a população a levar a carga.

Caminhão com carnes é saqueado

Um caminhão frigorífico abandonado na comunidade Kelson’s, no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, teve sua carga confiscada por centenas de moradores famintos. Em um vídeo que circula na internet, a multidão avança sobre o caminhão estocado com carnes e recolhem a mercadoria para seu consumo. Policiais militares foram até o local e dispararam para o alto para tentar dispersar a multidão.

Os confiscos de alimentos têm acontecido com maior frequência, mostrando como a crise econômica do capitalismo burocrático, agravada pela crise sanitária da Covid-19, tem submetido o povo a condições de vida cada vez mais indignas.

Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) revelando que mais da metade da população brasileira com idade para trabalhar está desempregada (50,5%). Numa situação de agravada privação dos direitos básicos como à alimentação, os confiscos são um meio encontrado pelas classes populares de amenizar a carestia.

O preço da cesta básica aumentou em 15 das 17 capitais que participaram da Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) - Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada no período de 1 a 18 de março de 2020. A capital com a cesta mais cara foi o Rio de Janeiro (R$ 533,65), seguida de São Paulo (R$ 518,50) e Florianópolis (R$ 517,13). O Dieese estima que, em março de 2020, o salário mínimo deveria ser 4,29 vezes maior do que os atuais R$ 1.045.

De acordo com a pesquisa, apenas 19% da população possui carteira assinada. A Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios Contínua 2020 indica que, no trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, havia aproximadamente 12,3 milhões de pessoas desempregadas no Brasil (sem contar os milhões subocupados e desalentados). No país, segundo o Ministério da Saúde, 15 pessoas morrem de desnutrição por dia.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre 2017 e 2019 o número de pessoas no Brasil em situação de insegurança alimentar chegou a 43,1 milhões, ou seja, vivendo com o seu acesso a alimentos constantemente ameaçado, usualmente por razões financeiras. No período entre  2014 e 2016, esse número era de 37,5 milhões de pessoas.

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