‘Seguranças’ da Vale disparam contra camponeses e deixam 20 feridos

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Cerca de 70 “seguranças privados” (pistoleiros legalizados) da mega-mineradora Vale atiraram contra camponeses, incluindo mulheres e crianças, em uma noite de terror na comunidade Nova Carajás, no município de Parauapebas, no Pará, no dia 21 de junho. O atentado ocorreu às 18h e deixou 20 pessoas feridas pelos disparos, além de causar terror sobre a população.

A covardia remonta a um longo processo de luta. A comunidade não tem acesso à energia elétrica por situar-se em uma área conhecida como Fazenda Lagoa, reivindicada pelo monopólio da mineração. Há, hoje,  248 camponeses vivendo lá, em glebas onde produzem alimentos para subsistência e para a venda local, mesmo sem acesso à eletricidade. A Vale, apesar das promessas, segue embargando, na prática, o acesso das famílias a esse direito básico.

Camponeses com marcas de tiros vitimados pelo atentado

No dia do ataque, segundo denunciam os camponeses, os pistoleiros se apresentaram como seguranças privados e foram até o local onde os próprios trabalhadores faziam a eletrificação da área. A própria Polícia Militar (PM) estava presente.

“Nós ficamos totalmente confiantes. Quando foi 18/ 19h, fomos fazer a assembleia geral com o povo. Já estava terminando a fase de puxar a energia: os postes todos colocados, fiação. Estávamos agradecendo o povo pela luta, dizendo que aquela era uma conquista do povo pela energia, mesmo sendo um direito de todos, às vezes você é obrigado a fazer luta. Daí vieram os tiros. Como à noite não tinha energia, 18/19h já é uma escuridão imensa na zona rural. Então, era fogo para tudo quanto que é lado. Tinha muitas crianças, muitos idosos, muitas mulheres, muita gente vulnerável e eles atirando, atirando. Resumindo: eles torturaram todos os trabalhadores que estavam lá. São mais de 20 pessoas feridas”, contou uma representante dos camponeses, Vivia Oliveira.

As imagens mostram marcas de balas de borracha nos corpos e rostos de diversos trabalhadores. Oliveira atentou para o fato de que não é a primeira vez que a Vale age com essa truculência contra os trabalhadores que vivem no local.

“Energia é um direito de todos. A Vale ontem colocou mais de 70 homens para atirar nos trabalhadores, para aterrorizar a vida dos trabalhadores e isso é uma injustiça e não é a primeira vez que a Vale faz isso. Ela fez isso outra vez na Fazenda São Luiz com trabalhadores e até hoje eles pagam um preço muito grande por um processo de saúde, bala dentro do corpo ainda. E quem pagou a culpa? Foram os próprios trabalhadores que até hoje estão pagando cesta básica por um processo criminoso da Vale”.

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